31.8.07

Jeff Buckley - Lover , You Should've Come Over

Aqui está outra das melhores mousses de maracujá que jamais absorvi. Especialmente porque é um pequeno resumo do ponto em quem está a minha vida – “too young to hold on and too old to just break free and run” – do que foi o meu passado mais pessimista – “sometimes a man must awake to find that really, he has no-one” – e daquilo que um dia vou segredar à mulher que gostaria de fazer feliz – “my kingdom for a kiss upon her shoulder”, “all my riches for her smiles when I slept so soft against her”, “all my blood for the sweetness of her laughter”, “she’s the tear that hangs inside my soul forever”. Sim, que ainda acredito nessas coisas do amor, apesar de tudo.

30.8.07

Radiohead - Fake Plastic Trees

Eis algo que me deixa como que ligeiramente perto de atingir um orgasmo. Aliás, a partir de agora vou passar a colocar aqui todos os temas que me provocam tal estado emocional. Não é que os que ‘postei’ até agora não mexam muito comigo, mas adicionarei só aqueles que me fazem passar para lá da normalidade. Pensei até baptizar a rubrica, o que eu gosto de rubricas, mas não me lembrei de um nome menos óbvio do que: "as músicas da minha vida", que é parolo que chegue. Por isso, decidi-me por "As melhores mousses de maracujá que jamais absorvi". É estúpido, eu sei, mas eu também sou um bocadinho. Fica a homenagem à minha sobremesa favorita. Eis a primeira.


A única vantagem da passagem da Red Bull Air Race pelo Porto é que o movimento anormal de aviões pelos céus da cidade fez, oh milagre (!), com que as pombas emigrassem para outras paragens. O que é bom para alguém como eu, que gosta de estar sentado numa esplanada sem pensar constantemente que um eventual bombardeadamento dessas aves irritantes pode acertar em cheio na minha pessoa. Pardais ainda tolero, merdita apenas, agora pombas só ao tiro. Além disso, nódoas de coliformes de tal espécie são mais difícieis de sair que gordura sebosa. Bem, é certo que levar com um avião na cabeça também não deve ser agradável. Mas, pelo menos, não deixa manchas na roupa.

29.8.07

Mariza - Há uma música do povo

Arrebatador!!! É só isto que me apraz dizer do concerto da (grande) Mariza a que tive a sorte de assistir. Pena o som não ser grande coisa. Mas ela é muuuito boa ao vivo. Prova disso foi ter subido três vezes ao palco para se despedir do público e ter sido aplaudida outras tantas de pé durante quase dez minutos. Quer dizer muita coisa, não quer?

Há uma musica do Povo,
Nem sei dizer se é um Fado –
Que ouvindo-a há um ritmo novo
No ser que tenho guardado…

Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser…
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver…

Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção…
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração…

Sou uma emoção estrangeira,
Um erro de sonho ido…
Canto de qualquer maneira
E acabo com um sentido!

(poema de Fernando Pessoa)

27.8.07


Finalmente, vou ver um concerto da Mariza. Uma senhora. Tenho a certeza absoluta que me vou arrepiar. Mas de arrepios destes eu gosto. Aliás, adoro. Venham eles que estou já ansioso. Então quando ela libertar daquela voz quente e potente temas como "Chuva", "Gente da Minha Terra" ou o "Menino do Bairro Negro" aí acho é que vou desmaiar. Ou então saltar para o palco só para a abraçar e agradecer-lhe as tantas alegrias que já me deu ao ouvi-la. Uma senhora, repito. Amanhã conto como foi. Se já não estiver catatónico.
Pareço uma gaja a falar do Robbie Williams, não pareço?
Vou plagiar-te mais uma vez, Rute. Se bem que desta vez partilhamos isto a meias. Ah, e eu é que agradeço a magnífica conversa sobre essa força superior que só nós conhecemos. Por essas e por outras é que um privilégio ser teu Amigo. Quando tiveres que enfrentar de novo o Carvalhas, já sabes com quem podes contar. E não só.
Cá vai a posta do teu berloque:


"Uma bela conversa a meio da tarde no msn sobre essa coisa tão séria que é Deus. Ou deus. Obrigada, Pedro.

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
falando a sério, acho q entrei numa fase em q procuro orientação nesse sentido.... sou agnóstico e n sei em q raio de força superior hei-de acreditar

Rute diz:
acredita em mim. eu sou de confiança

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
deusa rute?

Rute diz:
menina rute está bom. por ser para ti, Rute

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
obg. chamar-te deusa era chato....

Rute diz:
falando a sério. (vais começar tu a avacalhar)

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
n vou, chuta

Rute diz:
eu tive uma educação católica, tive que levar com a treta das missas ao domingo quando andava na catequese

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
tb passei por isso

Rute diz:
ia para a catequese porque os amigalhaços eram porreiros e as festas de Natal eram fexes

Rute diz:
fiz a catequese por isso. se me perguntares o que aprendi: NADA. não me lembro de um único ensinamento. sobre essa força superior, eu sinto que ela existe. não sinto que seja um Deus do antigo testamento, um Deus castigador. acredito que há uma força boa que me move e que me guia. e consegui atingir um estágio bom na minha vida e que me tranquiliza que é saber que o que acontece tem que acontecer. não vale a pena o: "e se eu tivesse ido por ali". não, era este o caminho que eu tinha que seguir, era isto que tinha que acontecer.nada de padres, nem religiões, nem seitas, nem medalhas ou pulseiras com santos

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
eu tb andei na catequese e confesso q n aprendi nada.. aquilo era tudo imposto. dps passei por uma fase em q n acreditava em absolutamente nada...até q cheguei à conclusão q devo ser agnóstico.... n acredito em deus, mas n excluo a possibilidade da existencia de uma força superior. agora só gostava de perceber qual é essa força.

Rute diz:
não sei. chama-lhe Deus. mas chama-lhe o teu Deus que te pôs numa família boa, que te tornou uma pessoa boa, cheia de bons adjectivos. sei lá. deixa-o estar lá. eu não preciso muito dele, mas não o mando embora. está num cantinho da minha mercearia mental.

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
é um bocado como eu.. só n sei se lhe chamarei deus. mas é como tu dizes... n preciso mto dele mas n o excluo

Rute diz:
é como o cremor tártaro ou o bicarbonato de sódio. compro porque de vez em quando faço sconnes. dá-me confiança saber que o tenho lá.

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
é como eu com o chá de menta"
Posso só escrever qualquer coisa para ver se isto ainda funciona? Obrigado, volto já. Quem vier atrás que feche a porta e não se esqueça de limpar os pés antes de entrar em casa, ok?
Por falar em ok, houve uma certa pessoa, por acaso (ou talvez não) especial para mim, que perguntou por que utilizava tantas vezes esta expressão. Ora aí está um belo assunto para me debruçar. Não posso é dobrar-me muito porque senão ficam a doer-me as costas. Prometo que um dia te digo porquê. Mas só pessoalmente, seja para a semana ou daqui a anos. Isto e muito mais, algumas coisas sabes bem o quê. Entretanto vamos falando, que só a tua voz me faz sentir como não sentia há muito. És uma querida.
Ah, e nunca te esqueças daquilo que não me canso de te repetir. Aluada.
Enfim, delírios...

23.8.07

Estou a fazer um esforço de memória para me recordar onde estava exactamente nesta altura do ano em anos anteriores. O ano passado devia estar a trabalhar, há dois regressava de uma magnífica viagem que me levou a Praga e Viena, há três começava a perceber que o meu casamento não tinha volta a dar, há quatro talvez na ilha de Maiorca naquela praia espectacular em Port Colon (acho que se escreve assim, que me perdoem os puristas se não for), há cinco não me recordo, há seis também não, há sete muito menos, há dez menos ainda e há quinze não estou a ver.
Ou é Alzheimer ou o meu cérebro já não é o que era.
E voltei a esquecer-me onde coloquei o fósforo, o que é uma chatice.

Anda meio Portugal embeiçado por esta mulher ainda não percebi bem porquê. É feia, digo eu, mesmo correndo o risco vir a ser acusado de ser gay. E não tem classe, pelo contrário: o ar dela varia entre o de uma peixeira com o buço mal rapado e o de uma burra ingénua a quem só falta ser loura. Além disso, os seios são desproporcionais ao resto do corpo, problema, aliás, que aflige grande parte das portuguesas e que daria um bom tema de discussão. Mas agora não tenho tempo.


Pronto, ficou a minha opinião sobre a Soraia Chaves. Vou continuar a sonhar com o Paulo Pires.

22.8.07

Eu juro que gostaria de colocar na barra lateral deste antro de estupidez os links dos blogues dos meus amigos. Mas não consigo atinar com a porra das definições. Se alguém me puder explicar uma forma simples de o fazer, por favor diga algo. Agradecido.

Entretanto, e já que depois de umas 15 tentativas não consegui adiconar vossas excelências, cá ficam os locais onde costumo ir pescar os desabafos de quem tem paciência, e muita, para levar comigo. E de quem sei que me costuma visitar regularmente e confirmar, se é que era preciso, que realmente sou um tipo que muito desgosto deve dar à mãezinha por ter juízo a menos e parvoíce a mais.

Obrigado Natacha, Rute (o teu Capuchinho Vermelho não está linkado porque insistes em fechar as portas do dito ao povão e apenas forneces cartão de entrada a burgueses privilegiados como eu), Mar, João, Filinto, Jorge, Miguel...

Aos restantes companheiros, camaradas, palhaços que não alinham na blogosfera e que de vez em quando aqui vêm espreitar, que serão alguns, desejo também um grande bem-haja, acompanhado de um abraço forte, um beijinho na testa (só na caso das senhoras) e de um copo de vinho tinto. Ou de gin tónico, como prefiram.

Merecem todos um prémio por me aturar. Mas aviso já que não pago jantares a ninguém...

21.8.07

Vanessa da Mata - Não me deixe só

Gosto muito desta menina, que acaba de lançar o terceiro CD, "Sim". Pena ter tido a ideia de partilhar uma canção com o Ben Harper – há dias em que não tenho paciência para o homem e hoje é um deles. A minha favorita (Fugiu com a Novela) ainda não está disponivel pelo que fica uma coisinha do trabalho de estreia, pelo qual me apaixonei mal o ouvi pela primeira vez. A relação continua intensa, aliás. Assim pudesse ser com as mulheres...

17.8.07

Cat Power - The Greatest

Isto é tão bom, tão bom, tão bom, que me dá vontade de chorar. Fico sempre arrepiado quando ouço esta preciosidade. A sério, é mesmo admirável, do melhor que fiquei a conhecer ultimamente. Porra, que já estou com pele de galinha...

Elvis Presley morreu há 30 anos. Uma pena não ter perecido logo à nascença, digo eu. Evitar-se-iam muitas figuras tristes, dele e dos fãs.
Lembro-me que quando andava na escola secundária, aí pelo sétimo ou oitavo ano, tive uma colega que era fã do homem. Tinha tudo o que a poderia fazer recordar o senhor, excepto as patilhas. Se bem que para lá caminhava dada a algo elevada pelugem facial que exibia para o género.
Há uns anos soube que ela se tinha metido na droga, coisas pesadas. Não fiquei surpreendido. Ninguém sai imune a um passado de idolatria a tão viscosa personagem. Eu próprio tenho a certeza que hoje daria na heroína se alguma vez tivesse sido admirador do Elvis. Porque há memórias que nos envergonham demasiado e nos fazem querer partir para outro mundo e por lá andar constantemente tanta a vergonha de enfrentar este.
Rute, com o teu devido consentimento, que não sou gajo de andar para aqui a plagiar prosa alheia, passo a reproduzir o belo do post que escreveste sobre mulheres que adoram humilhar os companheiros em público.
Obrigado, és uma santa. E esquece as caixas de vinho que te impingi por transcreveres o meu outro post, ao menos que tenha servido de pretexto para reveres o "Antes do Anoitecer". Depois pagas-me as próximas férias e fica o assunto encerrado. Amigos na mesma.

Irritam-me as mulheres que escolhem estrategicamente os almoços e jantares de família ou de amigos para dizer à frente de todos que “hoje não há nada para ninguém” ou “olha que vais dormir no sofá”. Gostava tanto que os maridos destas senhoras, em vez do silêncio, se irassem e lhes respondessem à altura com qualquer coisa como: “Ah sim? Que novidade! Mas fica sabendo que no sofá é que eu não durmo. Puta por puta vou à procura de outra que admita que o é, e que, ainda por cima, saiba fazer bicos.”Adoraria.

Assino por baixo...

16.8.07

Pixies-Wave of Mutilation

E por falar em recordações... Esta não me sai da cabeça nem dos ouvidos já lá vão quase 15 anos.


Há exactamente um mês iniciava as minhas gloriosas férias. Parece que foi ontem, o que quer dizer que os dias têm avançado pasmacentos e iguais uns ao outros.
Duas semanas em que descobri gente, lugares, espaços, cheiros e olhares novos e diferentes que ficaram agarrados à minha memória e por lá prentendo que continuem por muito tempo. Porque não há fotos e escritos que substituam tudo isso; só o que tenho dentro de mim sabe como foram bons aqueles momentos.
Foi também a oportunidade de me conhecer melhor, de redescobrir o que julgava perdido, de definir objectivos e até de me reconciliar comigo mesmo em alguns aspectos.
Resumindo, o que faz bem passa depressa e deixa cicatrizes.
Seja o que for.


Obs: Esta é a vista da esplanada do bar onde fui bem feliz. Tallinn, a dois minutos a pé do centro da cidade.

15.8.07

"O senhor condutor bebeu alguma coisa nas últimas horas?"
"Nada"
"Fumou haxixe, liamba ou algo do género?"
"Zero"
"Nem uma passita num charro?"
"Não gosto"
"Um cheiro numa linha?"
"Sou alérgico"
"LSD, ecstasy...?"
"Também não"
"Importa-se que lhe faça o teste com o novo e magnífico detector de drogas que temos agora ao nosso dispor?"
"À vontade"

Cinco minutos depois:

"Realmente está limpinho, está"
"Não lhe disse?"
"Então pode seguir à vontade. Até porque tem de fugir do elefante cor-de-rosa antes que ele o apanhe e o desfaça em pedacinhos. E tenha também cuidado com o leopardo gigante que está atrás de si. Boa noite, senhor condutor. Siga com precaução."

14.8.07

Mal acordo, procuro desesperadamente música para ouvir. Desperta-me os sentidos e faz-me sentir bem. Hoje foi esta a primeira do dia. Melhor que um banho quente e a garantia de que nada irá estragar-me a disposição durante o dia.

13.8.07

Hoje, 13, é o Dia Mundial dos Canhotos, o meu dia, portanto. Fico extremamente sensibilizado pela parte que me toca, esquerdino que sou. Só não saio nu à rua para soltar o contentamento que me assalta porque tenho decoro.
Aproveitando a data, deixo um recado aos que insistem em achar que sou um coitadinho por não utilizar a mão direita para realizar grande parte das tarefas manuais: ide àquela parte e não me consumam a cabeça com tais imbecilidades. Ou como dizem os brasileiros, e deixem-me ser malcriado, vão tomar no cu.
Obrigado e vivam os canhotos, nem que seja por um dia.

Já agora, apresento uma lista de vários canhotos famosos que comigo compartilham, ou compartilharam, esta particularidade física que aflige tanta gente sem razão aparente:

Albert Einstein
Ayrton Senna
Bill Clinton
Bill Gates
Charles Chaplin
Diego Armando Maradona
Friedrich Wilhelm Nietzche
Isaac Newton
Jerry Seinfeld
Jimi Hendrix
Kurt Cobain
Leonardo da Vinci
Ludwig van Beethoven
Nicole Kidman (se alguma vez quiseres desabafar-me as agruras de ser canhota é só dizeres, minha querida)
Oprah Winfrey

12.8.07

Regina Spektor - Hotel Song (live)

Mais uma da menina, das minhas favoritas. Ver aquele sorriso até dói de tão bom.

Regina Spektor

Ela é linda e canta deliciosamente. Regina, és uma querida, nem sabes o bem que me fazes.

Socorro, que acho que estou a ficar senil: acabou de me atravessar a ideia de ir ao IKEA a um domingo à tarde. O que vale é que passou rápido, dois ansiolíticos debaixo da língua fazem milagres.
Acho que vou à praia, deve estar calminho...

11.8.07

Cá vai outra preciosidade da poetisa (?) que me tem enchido as medidas nos últimos tempos. No poema que passo a transcrever, destaco a subtileza que dele transparece. A começar pelo título: Brincadeiras da Rata.
Sustenham a respiração e concentrem-se nas palavras:

"A rata macabra
Macaca cabra
Chama o Zé
Entorta-se zangada
Barra-lhe a entrada
O Zé quer vê-la morta.

Tonto não sabe onde mora
Exige que alguém o namore

Pede à mão que sem pressa
Firme lhe bata com calma
Tenso, que bela peça
Embrulhado na doce palma
Que o amolece e acalma"

Literatura do mais alto nível, caramba. Estou a modos que a chorar de tão feliz por poder partilhar tamanha peça de qualidade.

Cansei de Ser Sexy - Acho um Pouco Bom

Olha os moços ao vivo em Lisboa, olha. Olha os moços em Paredes de Coura e eu a trabalhar, olha. Olha a besta que eu sou por não ter pedido uma folga para os ir ver, olha.

10.8.07

Ofereceram-me, na brincadeira, um livro de poesia que, de tão ridículo, serviu para me rir até às lágrimas, quase literalmente, durante uma recente jantarada, a tal em que quis ir às trombas do empregado mal educado. Não fiz a figura triste de me atirar para o chão como aquando daquela bela sessão de leitura dos escritos dos reclusos da prisão de Izeda, quando me rebolei ao ouvir ler os relatos sobre as respectivas solidões masturbatórias. Mas quase.
Ora, a obra em causa é de uma senhora que dedica pouco mais de cem páginas a transformar em suposta arte todo um vasto rol de temas sexuais. Eu diria que aquilo começa nas preliminares e termina no orgasmo, com muita estupidez pelo meio.
O que mais me impressionou na autora, pelo seu arrojo literário, foi o ter incluído num dos seus poemas uma palavra que penso nunca havia sido antes utilizada na longa e rica história da poesia portuguesa: beiços. Isso mesmo, beiços, esse termo tão carinhoso, terno, que me apetece soltar sempre que tenho uma noite romântica com uma mulher. Haverá algo mais bonito do que dizer: "quero beijar os teus beiços?". Se houver, alguém que me diga.
Eis um excerto do poema no qual me deparei com tão curioso vocábulo:

"E pego-te então
Aperto-to na mão
Que o segue até ao topo
Cabeça de cereja avermelhada
Não to largo, não te perco
Vagueio com a língua molhada
De saliva misturada com teu húmus
Com jeito másculo pedes-me
O que te dou com os beiços"

Ora aí está uma bela descrição de um fellatio. Ou de um bobó, como tanto gosto de ouvir dizer. Também gosto de mamada, mas isso era conspurcar este belo momento. Depois de ler a palavra beiços, não tenho vontade de violentar a nossa língua com calão tão boçal.
Agradeço a sinceridade de todos, e foram muitos, os que disseram que fico melhor sem do que com barba. Mas continuo a não estar convencido.
Primeiro, porque parece que não me conheço.
Segundo, porque o meu rosto parece agora de um puto acabado de desmamar. E gordo. Ia escrever rabinho de bebé, mas arrependi-me.
Terceiro, porque fiz um corte junto ao lábio que, além de doloroso, não beneficia a minha aparência.
O que vale é que isto volta a crescer depressa.
Não deixa de ser curioso que o stock de cerveja aumentou consideravelmente em minha casa agora que o futebol a sério vai começar outra vez. Isto de ser homem e morar sozinho tem as suas vantagens. Pelo menos, posso guardá-las facilmente no frigorífico sem partilhar o seu espaço com coisas típicas de mulher como pacotes de sumo de fruta cem por cento natural, iogurtes de fibras que facilitam a regulação intestinal ou montes de folhas de alface e outros vegetais.
Já agora fica uma sugestão: se alguém me oferecer um grelhador em condições, talvez passe a fazer uma churrascada em dias de jogo.
Bem, vou comprar amendoins e cajú, imprescindíveis.
Viva o FC Porto!

Nick Cave - Far From Me

Gosto tanto...

"I would talk to you of all matter of things
With a smile you would reply
Then the sun would leave your pretty face
And you'd retreat from the front of your eyes
I keep hearing that you're doing best
I hope your heart beats happy in your infant breast
You are so far from me
Far from me
Far from me"

Dá para arrepiar, não dá? Ou eu é que ando esquisito?

Não é que seja um moço com maus modos, que não sou e quem me conhece bem sabe isso perfeitamente. Mas se há coisa que detesto é ser mal atendido num sítio público. Por isso, hoje apeteceu-me espancar o empregado do restaurante onde teimo ir frequentemente apesar de, geralmente, sofrer na pele a má disposição e educação de quem lá serve à mesa. Espancar não, era torturá-lo dias a fio, tipo arrancar-lhe as unhas dos pés com uma pinça ou espetar-lhe um ferro em brasa nas costas.
Para ver o cúmulo a que chegou a incompetência, basta dizer que o senhor em causa deixou uma garrafa de água por abrir em cima da mesa e quando lhe pedi, uns cinco minutos depois, que fizesse o favor de lhe retirar a tampa, respondeu: "Ai é para abrir?". "Convém...", disse-lhe eu com calma mas com uma vontade do tamanho do mundo de lhe espetar dois socos no focinho. A sorte é que sou, como alguns dizem, um São Bernardo em versão humana.

9.8.07

Pulp - Something Changed

Que bom voltar a ouvir isto...

Confesso que ir à praia não é dos meus passatempos favoritos. Mas que tomar o pequeno-almoço num belo de um barzinho a olhar o mar e a ler o jornal sabe bem, isso sabe. Até o vento a bater na cara parece agradável. Melhor ainda sabe quando acontecem imprevistos que nos deixam de boca aberta de espanto.
O destino por vezes é tão generoso...
Foi tão bom ver-te passados estes anos todos. Imensos. Ainda por cima assim, no meio de tanta gente, completamente sem contar.

Foi tão bom quando ficámos especados a pensar: "Tu, aqui? Não pode ser!!!"

Foram tão bons aqueles segundos em que nos olhámos em silêncio.

Foi tão bom sorrirmos juntos de novo.

Foi tão bom voltar a falar contigo como se não houvesse mais ninguém.

Foi tão bom sentir o teu cheiro de novo, continua igual.

Foi tão bom sentir-te perto de mim outra vez.

Foi tão bom não estragarmos o nosso passado com algo que hoje não teria o mesmo sabor. E termos percebido isso antes que fosse tarde de mais para nos arrependermos.

Foi tão bom concluir que somos uma recordação bonita um do outro.

Foi tão bom ter-te na minha vida. Pena foi teres aparecido tão cedo nela. Hoje já não te deixaria fugir. Mas se calhar foi melhor assim.

The Arcade Fire- Neighborhood 1 (Tunnels)

E agora, para fechar a emissão de hoje, ficamos com algo bem mais recente mas igualmente poderoso. Voltamos amanhã, no horário de sempre, na mesma frequência. Boa noite. Obrigado pela vossa companhia.

8.8.07

Faith No More - Easy

É música de engate, eu sei. Ou a chamada canção de fazer filhinhos. Mas é tão bonita (snif).
A letra é oferta da casa.

Know it sounds funny but I just cant stand the pain
Girl Im leaving you tomorrow
Seems to me girl you know Ive done all I can
You see I begged, stole and I borrowed
Yeah
Thats why Im easy
Im easy like sunday morning
Thats why Im easy
Im easy like sunday morning
I wanna be high
Soo high
I wanna be free to know the things I do are right
I wanna be free
Just me
Oh baby
Thats why Im easy
Im easy like sunday morning
Thats why Im easy
Im easy like sunday morning

Faith No More - We Care a Lot (live)

Ora tomem lá uma coisinha que animou bastante a minha adolescência e que ainda hoje me sabe bem ouvir de tempos a tempos. Nem que seja para recordar esses tempos.

Obs: Um dia vou contar aos meus filhos que vi estes moços ao vivo no Estádio do Bessa e que adorei. Apenas omitirei as figuras menos agradáveis que fiz. Não quero que eles fiquem com má impressão do pai.

Não é por nada mas as investigações do caso Maddie estão a encaminhar-se no sentido daquilo que sempre defendi desde o início: a polícia nunca procurou bem debaixo da cama da menina. Se os agentes da Judiciária levantarem os lençóis, do lado direito da aparadeira vão encontrar um volume fora do comum. É ela. Ou então é outra miúda que um casal de ingleses lá deixou nas férias do ano passado e até agora não reclamou por continuar a ressacar a bebedeira de então. Averiguem, que é para isso que vos pagam.

7.8.07

Já que não têm mais nada sobre o que falar, porque não querem ou porque não sabem, os tugas gostam de falar do tempo. Quando está calor, ai Jesus que querem frio. Quando arrefece, venha o sol que nos faz falta. E entram num círculo vicioso que só termina quando morrem porque aqui, bendito seja São Pedro, o clima muda a um ritmo assaz regular.
Ora, o que quero com isto dizer? Nada, absolutamente nada.
Apenas que pretendo juntar-me aos 9,9 milhões de tugas que hoje andaram o dia inteiro a protestar contra o vento e a clamar pelo regresso do calor. Amanhã será ao contrário.
E assim corre a espuma dos dias. O que eu gosto de expressões como esta. Sinto-me um Paulo Coelho em potência.
Toda a gente diz que estou mais magro.
Ou estou doente, ou então as caminhadas dão mesmo resultado.

6.8.07

Jorge Palma - A gente vai continuar

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar

Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
---------------------
Grande Jorge, és um senhor!

Revolta-me saber que há exactamente duas semanas encontrava-me a esta hora a emborcar umas belas cervejolas em Tallinn com duas agradáveis companhias e agora estou para aqui a escrever merdices depois de um dia de trabalho.... Ora bolas, férias para que vos quero.

Por falar nisso, hoje dei por mim a pensar se a Sonja já terá finalmente regressado à Croácia. "Será que ainda sabes bem onde moras, de que país és? Quando chegares a casa os teus pais já nem te vão reconhecer, vão pensar que és uma pedinte a mendigar esmola", disse-lhe eu tantas vezes (sim, que fico um bocado chato quando bebo mais que a conta) no nosso bar irlandês enquanto o Thomas, com aquele sorriso matreiro, acrescentava: "Desde que não vás parar à Suécia tudo bem... Fartos de eslavos estamos nós". "Não estou perdida, espero eu. Mas têm que me levar ao hotel porque acho que já nem sequer sei ir lá ter", respondia ela a sorrir, como sempre. E não sabia mesmo.
Foda-se que me bateram as saudades e já estou para aqui a emocionar-me. Culpa vossa, amigos.
Vou retirar-me e venho já. Peçam mais uma cerveja para mim, por favor. Preta, com muita espuma e gelada. Quando regressar, brindamos novamente a nós.
Depois de aturada reflexão, cheguei à conclusão que devo ser o único português que:

1 ) Nunca passou férias no Brasil
2 ) Continua a achar que é mais barato viajar para fora do que cá dentro
3 ) Recusa usar camisa por dentro das calças seja em que ocasião for
4 ) Jamais dedicou 30 segundos que fossem a jogar Sudoku
5 ) Gosta de leite frio com canela
6 ) Acha as mulheres portuguesas das mais feias do planeta
7 ) Considera o Scolari um oportunista
8 ) Não pode com os Da Weasel
9 ) Vomita só de ouvir falar em sushi (por acaso conheço mais uma pessoa assim)
10 ) Ri e faz humor sobre assuntos que dão vontade de chorar

Goldfrapp - Utopia

Lindo!!!!!

5.8.07

Olho para trás e parece que as férias foram lá longe no tempo. Incrível como o regresso ao meu canto fez tanta diferença. Acelerou a vontade de mandar isto tudo à merda e começar a vida do quase zero.
Há muito que penso mudar radicalmente uma série de coisas em mim e para mim. Mais para mim do que em mim, porque já não me sentia bem comigo próprio como sinto agora vai para bastantes anos.
Para já, porém, só sei exactamente aquilo que não quero fazer. Aceito sugestões para o futuro. Apenas coloco como condição que me sejam transmitidas partilhando um belo vinho tinto.


Eu não disse que os 30 anos iam provocar qualquer coisinha na minha pessoa? Disse, fartei-me de avisar. Agora aguentem....

4.8.07

Panis et Circences - Marisa Monte

Como sair de casa bem disposto para um fim de semana de trabalho? Ouvindo isto umas duas ou três vezes.

Está tanto calor que me apetece ir para o deserto do Sahara só para apanhar ar fresco.
Pronto, foi um pequeno apontamento de alguém que já não deve ter mais gotas de suor para escorrer pelo corpo e a quem água gelada parece chá quente.
Devo ter é o cerebro atrofiado, às tantas.

3.8.07

Isto há pontapés que custam mesmo levar, porra!
Como dizia o outro: olha em frente, que em frente é o caminho.
O pior é quando não se sabe muito que direcção tomar.
Obrigadinho...

2.8.07

Diz o comandante do avião com evidente paciência pela terceira vez:
"Peço novamente aos senhores passageiros que desliguem os telemóveis".

Responde um passageiro:
"Filho, agora vou desligar que o gajo está a mandar. Isto está atrasado e nem deixam a gente fazer uma chamada a avisar, já viste? Uma vergonha, é o que é".

Não foi num voo da Air Albânia ou da Congo Airlines que assisti a isto. Foi num da Lufthansa composto, maioritariamente, por portugueses.
A minha vontade de regressar ao trabalho é tanta que me apetece dar 47 pulos no escuro. Também daria 54 cabeçadas na parede, só que isso dói um bocado.
De maneiras, o que gosto de ouvir dizer de maneiras, que vou ligar o despertador, se ainda funcionar, dormir e esperar não me lembrar muitas vezes que ainda falta um ano (um ano!!!!) para voltar a ter férias como deve de ser. Já vi muita gente tentar o suicídio quando assaltada por tais pensamentos, aliás. Eu não chegaria a esse extremo, até porque se a coisa falhasse as sequelas poderiam ser aborrecidas. Cicatrizes nos pulsos não são agradáveis à vista, lavar o estômago não deve ser fascinante e ficar um vegetal por causa de uma bala mal espetada na cabeça é, igualmente, desagradável.
Ai, o que a vida custa a um assalariado...

31.7.07

30.7.07

O meu codigo genético deve ignorar que sou neto e bisneto de marinheiros de longo curso. Isto porquê, questiona o vasto auditório com pertinência e curiosidade aguçada, tanta como a que teria se estivessem prestes a ser reveladas as novas estatistícas economicas da Bolívia? Porque cada vez que faço uma viagem de barco que mete ondas com mais de metro e meio, começo a soluçar interiormente e só não vomito por, gaba-te Pedro, conseguir controlar o refluxo. Ora aqui esta uma bela tematica, digo eu. Merece ser aprofundada, mas agora o tempo é escasso e falar em vomitado é coisa que não me estimula o intelecto por aí além.
Ora bem, no passado sábado consegui finalmente ir a Helsínquia. A viagem para lá correu bem, fechei os olhos e só os abri já o ferry estava a acostar a capital finlandesa, a de regresso foi o cabo dos trabalhos. Ondulação, enjoo e quase duas horas de suplício. Posso dizer que aquilo abanava tanto que uma das vezes que me levantei parecia que tinha bebido uma garrafa de vodka. Tudo rodava à minha volta e os pés teimavam em querer sair do chão a toda a força.
De Helsínquia, cidade mais pequena do que supunha, posso dizer que fiquei sobretudo entusiasmado com a zona central, a chamada baixa. Alem de ordenada, de ter gente bonita e de ser estupidamente limpa, possuía actividades de rua para todos os gostos. Desde os inevitáveis mimos a saxofonistas, de dançarinos a uma mini-orquestra de musica clássica – composta por quatro violinistas e dois violencilistas – que durante meia hora conseguiu juntar uma plateia de umas cinquentas pessoas. De resto, Helsinquia tem zonas verdes amiúde e respira ares de país civilizado – já tinha tido essa sensação rara em Viena e na Bélgica. E é cara, muito cara. Mas eles ganham bem, que se lixem.
Ontem, domingo, despedi-me de Tallin. Fui aos sítios onde me senti melhor nos dias que ali passei e só tive pena de não poder beber mais uma cerveja na esplanada do Cafe Reval, frente à embaixada de Itália, porque o dito estava encerrado, para meu desgosto. Ainda estive para partir os vidros da montra em sinal de protesto, mas achei melhor nao arranjar complicações. Fui então para a praça que protege o edificio da Câmara e lá fiquei um bom bocado como que a dizer adeus. Emocionei-me, confesso.
Bom, vou acabar de arranjar as malas porque tenho que abandonar o hotel daqui a pouco. Tenho avião as 18h00, em Tallin, e depois as 21h45, em Frankfurt. Se tudo correr bem, pela meia-noite chegarei ao Porto. Caso contrario, se se repetir o cenario da viagem que me levou até Riga, estarei em casa terça-feira a tarde, o mais tardar.

29.7.07

As 10 músicas que vou ouvir mal coloque as patas em casa (sim, que isto de ter vindo de férias sem mp3 foi péssima ideia).

Beija eu - Marisa Monte (andei a trauteá-la durante dias a fio. Só parei quando um velho ficou especado a olhar pra mim no meio da rua)

Passe em casa - Tribalistas

Let´s make love and listen death from above - Cansei de Ser Sexy

Take me down - Smashing Pumpkins

Last goodbye - Jeff Buckley

Ode to divorce - Regina Spektor

It´s not up to you - Bjork

Patchwork - Tindersticks

Rented Rooms - Tindersticks

A gente vai continuar - Jorge Palma (Tira a mão do queixo, não penses mais nisso ; o que lá vai ja deu o que tinha a dar... Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar....)

Ordem aleatoria

27.7.07

Em Portugal, leio na internet, um rapazola matou o irmão por ciúmes e uma mãe atirou o filho pela janela. É bom saber que o meu país continua na mesma: esquizofrénico e estúpido.
Por isso é que se está tão bem longe dele.
Quinta e sexta-feira foram dois dias sem muita história. Andei por Tallin e arredores, não conheci ninguém particularmente interessante, nem descobri um local que fosse que me fizesse abrir a boca de espanto. Pode ser que amanhã, sábado, passe esta onda mais flat quando, finalmente, for a Helsínquia. Os bilhetes estão comprados - foram um bocado caros, mas férias são ferias e ainda não sou um Tio Patinhas - e falta apenas definir um roteiro. Será como eu gosto: em frente é que é caminho, o que surgir pelo meio será bom.

Acho que começo a ficar um bocado cansado. As minhas pernas parecem dois pesos mortos e já não tenho aquela pica que tinha há uns dias para partir à descoberta de sítios novos e surpreendentes. Sinto também saudades do meu cantinho, dos amigos, da família, de fazer festas no meu gato e ficar coberto de pelos dele - não necessariamente por esta ordem, claro. E de comer alguma coisa de jeito, sobretudo frango com caril, não sei porquê mas apetecia-me atirar-me a um frango com caril e a um vinho tinto do Douro bem frutado. No entanto, não me apetece regressar a Portugal. Sou Gémeos e basta, quem me compreender que me compre.

Aproveitei, entretanto, para fazer uma pequena reflexão pessoal sobre a minha vida. Quem quiser saber pormenores que me pergunte porque não vou estar a detalhar-me num blogue lido sabe-se lá por quem. Enfim, podia ter-me dado para pior...

Quanto a fotos, não se preocupe quem me pediu que as tirasse em quantidade suficiente para satisfazer a respectiva curiosidade. Chegarão umas 150?

Ah, e foi muito bom ouvir-te passado tanto tempo.

25.7.07

Devolvido que estou a condição de viajante by my own, a Sonja partiu hoje para a Lituania e o sueco maluco foi fazer um trabalho qualquer algures aqui na Estónia, resolvi dar um salto até Narva, cidade separada da Russia apenas por um fio de rio. Dar um salto como quem diz, foram mais três horas de viagem de camioneta - a Eurolines vai aumentar os lucros só à minha conta -, mas valeu a pena.
Narva é praticamente russa. Nas ruas, nas lojas, em todo lado, o alfabeto dominante é o cirílico. As pessoas são tambem mais frias, já tinha notado isso nos locais da Letonia onde a maioria da populacao é russa, e falam peva de ingles. Lá tive, portanto, de desenrascar a minha linguagem gestual, que é quase nula e aparentemente ridícula.
Valeu a visita ao castelo, completamente destruído na II Guerra Mundial e agora transformado num museu vivo de Narva. Após subir degraus infindáveis de escadas onde o meu pé tamanho 42 cabia à justa, consegui espreitar todos os espaços do local, bem aprazível, por sinal. E também deitar o olho na outra margem do rio Ivanograd, onde se situa uma cidade homónima que já faz parte das garras do senhor Putin. Aproveitei para ver o movimento da fronteira e deu para reparar que com os guardas fronteiriços russos ninguém brinca. Tudo passado a pente fino, nem que para isso uma viatura tenha que demorar mais de meia hora a preencher todas as formalidades burocráticas.
Antes de Narva, dei um pulinho a Sillullae, uma cidade secreta durante a ocupação da URSS, conhecida por ser um dos principais pontos de exploração de urânio durante os tempos do comunismo. Pouca gente, e triste, muitos velhos e algumas mães que não pareciam ter mais de 16 anos. Valeu uma longa avenida fechada pela copa das arvores para não dar o tempo por mal gasto e nao reclamar o facto de o museu local, que adoraria ter visitado, estar fechado.
Ontem, terca-feira, último dia em que o grupo esteve todo junto, a viagem a Helsinquia acabou por ser abortada. Achámos caro de mais pagar quarenta euros de passagem de barco para estarmos na capital finlandesa apenas duas ou três horas. Tivéssemos combinado para manhã cedo, pensamos todos, num raro exemplo de unidade europeia. Sim, mas não faz mal. Amanhã, sexta, estou a pensar lá ir sozinho.
As horas finais com os meus efémeros companheiros foram passadas no meio de muita cerveja, como não podia deixar de ser, conversas sobre amores e desamores, cada um com o seu caso de fazer chorar as pedras da calçada, perspectivas para o futuro e muita, mas mesmo muita, conversa non-sense sobre o que apeteceu.
Pena ter que me separar deles. Não houve lágrimas de ninguém na despedida e fotos só as tiramos pela metade porque o Thomas insistiu em nao querer aparecer em nenhuma. Esquisito, muito esquisito, o gajo.
No entanto, ficou prometido encontrarmo-nos quando cada um de nós visitar o país dos outros. Como o Thomas é alergico ao sol e eu não aprecio temperaturas estupidamente negativas, é pouco provável que o vá ver outra vez na vida. Com a Sonja é diferente. Ela está a pensar conhecer Portugal e Espanha no ano que vem e eu gostaria de me deslocar à Croacia, assim com à restante ex-Jugoslavia, o mais brevemente possível. Portanto, é bem provavel que partilhemos um copo juntos não tarda nada. Além disso, fiquei a dever-lhe uma cerveja e ela a mim um jantar. E eu nao gosto de ter contas por acertar durante muito tempo.

23.7.07

Bem, depois da despedida de Riga, no sábado, só não chorei porque continuo a ser homem, e de uma estafada viagem de camioneta durante cinco horas e meia ate Tallin, domingo, na qual tive a companhia de um curioso japonês, eis que me encontro instalado na belíssima capital da Estónia.
Fiquei um pouco decepccionado quando cheguei ao hotel, um bocado anárquico para meu gosto, mas já recuperei as forças e o ânimo. Hoje aventurei-me pelas ruas do centro, vá la que não me perdi uma vez que fosse, e encontrei duas excelentes companhias num barzito... irlandês: Sonja, uma croata que está em viagem vai para dois meses, e Thomas, um sueco que trabalha aqui mas que diz mal do país a toda a hora - "nao tenho nada que aprender a língua deles, que se fodam. Se quiserem que aprendam sueco", grita ele de cinco em cinco minutos. Ficamos umas horas valentes a falar sobre tudo (dos 45 graus negativos que se fazem sentir no norte da Suecia durante o Inverno, da II Guerra Mundial, de bolinha, claro, dos eslavos que estao a destruir a Suecia, segundo alega o Thomas, da Estonia, disto, daquilo e afins) e depois, embalados pela meia duzia de Guiness que emborcámos para não perder o ritmo da conversa, fomos jantar a uma pizzaria baratucha. Pelo meio, encontrei, pela primeira vez desde que comecei a viagem, um grupo de portugueses. Foi estranho ouvir falar a nossa lingua. Perguntei-lhes de onde eram, responderam que de Lisboa, e mostraram um entusiasmo tão parco por se cruzarem com um compatriota longe da terrinha que me apeteceu cuspir-lhes na cara. Só não o fiz porque sou bem educado e as ruas daqui são limpas de mais para merecerem um escarro que seja.
Eu, a Sonja e o Thomas vamos amanhã a Helsínquia, na Finlândia, duas horas de barco, mais ou menos. Combinamos encontrarmo-nos frente ao edificio da Câmara logo pela manhã. Mas da maneira que estavámos quando acertamos hora e local, duvido que alguém se vá lembrar. A ver vamos.
Beijinhos e abraços, a emissão continua dentro de momentos.

21.7.07

Hoje é o meu último dia em Riga, cidade que, desconfiadamente, comecei por olhar de lado e que de que fui gostando cada vez mais. Vou aproveitar a tarde para me despedir dela, percorrendo os cantos que irão deixar em mim mais saudade. Mais fotos, assim a máquina o permita, e, sobretudo, cheiros, rostos e olhares, algo que só a memoria conseguirá reproduzir no futuro.
Ontem, fui a Vilnius e acabei por dar por bem empregues as sete horas que passei dentro das camionetas da Eurolines que lá me levaram e de lá me transportaram ao poiso do costume. Antes de chegar, parei uma meia hora em Panevezys, considerada a capital do crime na Lituânia, sem dúvida um belo cartão de visita. Mas não dei por nada de especial, a não ser com um local que pouco mais tinha do que banal. Rimou e é verdade.
Vilnius é uma cidade branca, com uma zona histórica ampla e bem cuidada, muito luminosa, assemelhando-se a Lisboa em certos aspectos. Almocei num restaurante lindissimo, com bancos e mesas de madeira, um pequeno lago nas traseiras e um alpendre fresco que suavizou o calor que se fazia sentir. Ainda por cima foi barato.
Calcorreei depois as ruas de Vilnius durante quase três horas, parando em barzinhos minúsculos, em bancas de comércio ao livre, em esplanadas. O único senão foi ter dado cabo da máquina fotográfica, ainda estou para saber como. Fui a uma loja da especialidade, o que eu gosto de lojas da especialidade, onde uma solícita lituana que falava inglês bem e depressa me disse, com uma sinceridade questionável, que o melhor era mesmo comprar outro aparelho porque o que tenho está bom para ir para o lixo. "Esta bem grande cabra, belo conselho que me deste, foda-se". Sim, que eu falo mal para mim proprio quando fico furioso. Só não me espanco porque ainda mantenho os sinais de sanidade mental na média, ou acima dela. Acho eu.
Saí porta fora em direcção a estação de autocarros, onde me entretive a tentar consertar o que parecia irremediavelmente perdido. E não é que consegui? Quer dizer, aquilo tirar fotos até que tira, resta é saber como ficarão. Cá para mim será tipo as da Lomo, nunca se sabe muito bem o que vai sair dali.
Bom, agora vou almocar porque a manhã ja la vai... Talvez repita umas filetes de galinha com pimenta e vegetais, o prato que mais gostei no "kafejnica" de que me tornei cliente assíduo. E nao foi apenas por causa dos olhos azulíssimos da empregada ou do licor de ervas.
Obrigado e com licença, que vou ali e já venho.

PS: Acho que vou embora de Riga na altura certa. Chegou ao hotel um grupo considerável de israelitas, identifiquei-os pelo kippah e pelos jornais com caracteres hebraicos que traziam debaixo do braço, que quando se cruza comigo lança olhares desconfiados. Normal, se fosse judeu também ficaria de pé atras com um tipo que tem a barba ligeiramente grande e anda sempre com uma mochila atrás das costas. Por isso, adiós Riga enquanto é tempo e antes que um tipo da Mossad entre quarto dentro e me abata com uma pistola com silenciador. Eles são assim, atiram primeiro e só perguntam depois.

19.7.07

Isto de estar de férias tem dias que cansa, porra. Mas cansaço deste eu gosto. Devo ter as pernas pior que as de um futebolista depois de jogar dois prolongamentos num campo cheio de lama e ainda bem. Viva o masoquismo.
O dia de ontem passei-o na zona que antecede a parte velha de Riga. Foi bom porque fiquei a conhecer a Antonija, linda, refrescante, animada, simpatica, bem arrumada e civilizada. Não, não pensem que caí de amores por uma letã, Antonija é uma rua particularmente interessante aqui do sitio. Comprida, coberta de arvores dos dois lados do passeio, com esplanadas a perder de vista e bares porta sim, porta não. Desemboca num... estádio, o do Skonto, onde a selecção de Portugal jogou há pouco tempo uma partida, salvo erro, de qualficação para o Campeonato do Mundo. Nao me lembro do resultado, apenas que uma rapariga de seios desnudados entrou então em campo dentro só para beijar o Cristiano Ronaldo. Ontem não tive essa sorte, ninguém quis oscular em trajes menores este que se assina, mas espreitei o recinto e assisti a um pouco do treino do Dinamo de Minsk, equipa que hoje joga com o Skonto para a Taca UEFA. Aliás, tive à conversa com o Serguei, o fiel organizador do site do clube bielorrusso, e com uns quantos jornalistas vindos de Minsk, para alem do assessor de imprensa do Skonto, o qual mal soube que era portugues ficou a olhar para mim com cara de poucos amigos, culpa dos outros tugas que vieram para aqui roubar bandeiras e deixaram o nome do nosso pais na mais baixa consideração. Pelo sim, pelo não, a partir de agora vou apresentar-me a toda gente como espanhol. Pensei tambem em fazê-lo como sueco, mas estou longe de ter figura escandinava.
Percorrida, literalmente, que está boa parte de Riga, pelo menos a mais apelativa, decidi hoje, manhã cedo, ir para Ventspils, a uns 200 quilometros. É a terceira maior cidade da Letónia e demorei três horas de camioneta a lá chegar. Habitada maioritariamente por russos, não é preciso demorar muito a percebê-lo. São mais carrancudos, mais feios e têm uma forma ainda mais fria ainda de se exprimir que os letões.
Ventspils tem pouco de interessante e acabou por ser uma semi-desilusão. É velha, tem edifícios a cair e apenas o pequeno centro, vedado ao trânsito automóvel, pode considerar-se agradável. Além disso estava um vento particularmente incomodativo.
Como gosto de retirar o mais positivo entre o negativo, fica a boa recordação do almoço. Ou melhor, do quase lanche, eram quatro da tarde quando me sentei à mesa de uma esplanada para afagar o estomago depois de ter andado perdido tempos a fio pelas ruas da cidade. Tinha um mapa comigo, é certo, mas devia ser do tempo da II Guerra Mundial.
Pois que comi um creme de cogumelos como antes nunca tinha comido, o da Knorr que faço em casa fica a milhas de distância, e umas carnes frias acompanhadas por vegetais de toda a espécie e feitio, alguns deles desconhecidos para mim e execráveis, diga-se.
Agora vou dormir que amanhã cedo, pelas 8h00, tenho uma camioneta para apanhar ate Vilnius e quatro horas de viagem à espera. Além disso, ao lado do meu computador está sentada uma russa gordíssima que não para de me chatear porque não consegue aceder à internet.

18.7.07

Bom, não me alongando muito porque o tempo é escasso e isto não tem acentos e outras particularidades, cá vão as minhas primeiras impressoes das férias.
A viagem que me levou ate Riga durou qualquer coisa como dezoito horas. Podia ter ido até à outra ponta dos Estados Unidos, por exemplo, o que até nem teria sido mau. Só que não foi bem isso que aconteceu. Um atraso da TAP fez com quem pusesse aqui os pés após uma eternidade passada em filas para tentar resolver uma situacão que não foi provocada por mim. Resumindo, voei do Porto para Lisboa, até aqui tudo bem, de Lisboa para Frankurt, o tal atraso de quase uma hora que me foi fatal, e posteriormente tive de fazer mais um voo suplementar porque perdi o que teria de me levar de Frankfurt a Riga. Ou seja, lá tive que me desenrascar entre Frankfurt e Berlim, pelo menos deu para conhecer a capital alemã pelo ar, e daqui, finalmente, para Riga. Cheguei todo partido e todo partido continuo porque tenho andado a pé como um tolo a correr Riga, uma cidade classica qb, bem cuidada, relativamente barata e com varios pontos assaz interessantes. Sexta, vou a Vilnius, na Lituânia, e até lá espero continuar a beber tanta cerveja como ate aqui tenho bebido. Meio litro de cada vez, porque o calor é muito e o preço bastante em conta. E ficar desidratado é um risco que não pretendo correr.

16.7.07

É você - Tribalistas

Enquanto espero o táxi que me transportará ao aeroporto, ouço a música de que mais vou ter saudades nas próximas semanas. Vá se lá saber porquê. Quer dizer, há quem saiba. Mas é um segredo só nosso.

Amigos, companheiros, camaradas, palhaços, povo em geral. Serve a presente mensagem para informar que a partir deste momento estou de férias. Isso mesmo, moinice total, preguiça absoluta e tudo o que há de bom no reino do ócio.
Daqui a poucas horas parto para Riga, assim a TAP o permita.
Prometo dar notícias. Isto se me entender com os computadores do Báltico e os preços de acesso à internet me agradarem. E, pormenor importante, se não tiver um desastre aéreo que me corte as asas da vida, o que agora não me dava muito jeito até porque a viagem está mais que paga e seria dinheiro deitado ao lixo.
De qualquer forma, se me mantiver calado durante as próximas duas semanas é favor ligarem para os hospitais de Riga e/ou Tallin, os números de telefone podem ser encontrados na internet.
Obrigado, com licença e boas férias para mim que bem mereço, digo eu.

15.7.07

Tallinn - Estonia

As malas estão prontas, há qualquer coisa que me esqueci mas não quero saber o quê, há ansiedade, há nervoso do desconhecido e vontade de lhe abrir os braços também, há planos que vão sair completamente ao lado, há cenários antecipados. E há saudades tuas. Já.

Riga - Latvia

As malas estão prontas, há qualquer coisa que me esqueci mas não quero saber o quê, há ansiedade, há nervoso do desconhecido e vontade de lhe abrir os braços também, há planos que vão sair completamente ao lado, há cenários antecipados. E há saudades tuas. Já.

13.7.07

Por falar em Natália Correia, há um poema dela que eu aprecio e com o qual quase me identifico totalmente.
Chama-se "Creio nos anjos que andam pelo mundo" e consta do seguinte:

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio nos amores lunares com piano ao fundo
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes.

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas
Na ocupação do mundo pelas rosas
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.

Bonito, não é?
O tema de base de um estúpido programa de televisão era hoje o seguinte: "como vêem os portugueses as praias de nudismo?". Para mim, a resposta é muito simples: "de olhos arregalados, pois então". Mas não, durante uma hora, convidados em estúdio e telespectadores interessados em dar a sua opinião irrelevante discutiram o assunto com uma profundidade tal que parecia estar em causa o futuro do país e até da humanidade. Só faltou citarem Hegel e lerem um poema da Natália Correia para aquilo ficar ainda mais entusiasmante.

Isto é que é a globalização na sua forma mais simples e pura. As meninas são húngaras e cantam Mary Cristo, dos Tribalistas, num português com um sotaque delicioso. Aposto que não perceberam uma só palavra que soltaram da boca. Aliás, gostei quando disseram qualquer coisa como "passarinho jalabade, tassa nu toto ta no". Não entendi patavina, mas deu para ver que se divertiram à grande. E eu também.

Especialistas, pelo menos assumem-se como tal, dizem que os tímidos são mais propensos a sofrer ataques cardíacos. É bom saber que me querem tão mal. Sim, que mora em mim um homem que ruboresce com certa facilidade, portanto alguém a quem está prometido um enfarte um dia destes, segundo a douta opinião dos autores do estudo. Já não bastava fumar, embora cada vez menos, e comer bem pior do que devia e agora vêm estes senhores contribuir para que me transforme num candidato à morte certa por traição coronária só porque não sou um daqueles tipos que chega onde for e começa a falar com toda a gente como se não houvesse amanhã. Irra, que não há quem não me deixe em paz...

11.7.07

Reparei hoje que me nasceram mais uns três ou quatro cabelos brancos. Isolados, praticamente não se notam. Mas eu atribuo-lhes importância. Das duas uma, ou estou a ficar um velho decrépito ou a caminho de me assemelhar ao George Clooney.
Como tenho os pés assentes no chão, alinho pela primeira possibilidade.
Ainda pensei afogar-me numa garrafa de vodka ou atirar-me de uma ponte, só que não gosto de vodka e tenho vertigens. Por isso, prefiro encarar esta nova fase com um sorriso de naturalidade.
Para soltar mágoas escondidas, soltei a famigerada expressão "quando era novo" à primeira oportunidade. E senti-me verdadeiramente um trintão maduro.
Um bocadinho parvo, também. Mas vida sem parvoíce boa não é vida.

10.7.07

Daqui a uma semana, estarei em Riga a curtir a minha primeira madrugada de férias. A dormir, mais que provavelmente, porque terei que me levantar cedíssimo para apanhar a primeira das três ligações aéreas que me farão o favor de lá levar – ficou mais barato, sim, mas vai ser uma canseira.
Como duas delas serão asseguradas pela TAP, há qualquer coisa que me diz que as grandes emoções vão começar num abrir e fechar de olhos. Talvez percam as minhas malas ou os voos se atrasem. Ou então têm outra surpresa na manga que prefiro nem sequer pensar qual será. Mas qualquer coisa hão-de fazer para que me lembre deles quando um dia tiver que inventar umas estórias para contar aos netos.
Só peço é uma coisa: não sentem a meu lado uma velhinha com medo de voar que na descolagem agarre a minha mão enquanto reza o terço em voz alta.
Já agora, também gostaria que um tipo da Al-Qaeda não rebentasse no interior do aparelho. Se tiver que morrer que seja com dignidade e não desfeito em pedacinhos mais pequenos que areia.

8.7.07

Jorge Palma - Encosta-te a Mim

Tardou mas chegou. O GRANDE Jorge Palma está de regresso. Já não era sem tempo. São pedaços destes que me fazem feliz. As tais coisas simples da vida que sabem tão bem.

"Tudo o que vi, estou a partilhar contigo.
O que não vivi, hei-de inventar contigo".


Os locutores de rádio que apresentam programas depois da meia-noite devem padecer de algum distúrbio de personalidade. Só isso explica que debitem frases sem sentido num tom de voz que convida ao suicídio de alguém ligeiramente, mas apenas muito ligeiramente, depressivo. O que, felizmente, não é o meu caso, senão acho que já tinha cortado os pulsos ou engolido uma embalagem de Valium ao som de expressões inócuas como: "caminhe comigo nas profundezas das estrelas", "acompanhe-me nesta imensidão de negro"ou "só eu e o você no éter da noite".
Eles disseram mesmo isto, eu ouvi.
Ao mesmo tempo que tentava decifrar estes enigmas, lembrei-me a desoras que estava a passar na RTP2 o grandioso "Antes do Amanhecer". Já não fui a tempo de o apanhar. Por um lado, ainda bem. Corria o risco de me emocionar mais que o recomendável com a história bonita daqueles dois. Tenho andado muito vulnerável nos últimos tempos.

7.7.07

Radiohead - Fake Plastic Trees

Hoje foi o meu dia Radiohead. Em casa e no carro, sobretudo no carro. Isto é tão bom que até dei uma volta cinco vezes maior do que o costume no regresso do trabalho só para acabar de ouvir o "The Bends" até ao fim. Por falar nisso, amanhã tenho que meter gasolina. Enfim, sabem-me bem estes pequenos momentos em que a lucidez fica para trás. Apesar do preço do combustível.

Os benfiquistas têm boas razões para andarem preocupados. Se o clube for comprado pelos chineses não vai durar muito mais tempo. Basta uma inspecção da ASAE e era uma vez.

6.7.07

Marisa Monte

A primeira música do dia. Soube tão bem ouvi-la!





Falta pouco mais de uma semana para o início das minhas férias mais planeadas de sempre. Depois vai sair tudo ao contrário, mas isso agora não interessa nada. O que sei é que já começo a sentir aquele nervoso miudinho, aquela ansiedade, aquela sensação de que os dias passam mais lentamente do que gostaria. Até frio no estômago. Só que isso deve ser outra coisa.

Let''s come together, pede a UE. Bute!

Eu achei a ideia bem sacada. Não seria certamente com imagens de filmes do Manoel de Oliveira ou do João Botelho que a UE conseguiria chamar a atenção para o bom cinema que se faz na Europa. Por isso, let´s come together. E que se lixem os puristas e conservadores. O que eles querem sei eu...

5.7.07

Economia para aqui, economia para ali, economia para trás, economia para a frente, economia sempre. Foi esta a tónica dos discursos de Lula da Silva e José Sócrates durante a cimeira União Europeia/Brasil que se realizou em Lisboa.
Questões culturais, zero.
Reforço dos laços de irmandade, zero.
Divulgação da língua portuguesa, zero.
Elogios aos brasileiros que aqui se matam a trabalhar, zero.
Interessa é captar investimento. Para gerar mais postos de trabalho, admito que sim, mas também para engordar os bolsos dos ficam sempre a ganhar quando se lhes abre as portas de um país com mão-de-obra que pode ser facilmente explorada. E tanto faz ser no Brasil, na Índia ou no Uganda. Interessa é apostar onde o lucro foi mais tentador. No dia em que o deixar de ser, mais portas se abrirão noutras paragens onde há gente com fome e governos apenas interessados em atrair capital.
A globalização é isto. Para mal dos nossos pecados.
O pior imbecil é aquele que julga que todos os outros são imbecis. Não sei quem disse isto mas está de parabéns, acertou em cheio. Puta de vidinha medíocre que alguns têm e insistem em vender aos outros.
É assim tão difícil sorrir com as coisas simples da vida?

4.7.07

Ai, que sou uma jogadora tão maluca!



O Benfica conseguiu, finalmente, encontrar um equipamento tão másculo como o Nuno Gomes e o Simão Sabrosa. Os calções serão substituídos por lindas saias de folhos que farão corar de inveja qualquer travesti que se preze. Quanto às chuteiras, está a ser ponderado o uso de salto agulha. E o patrocínio será da Opus Gay ou da ILGA, assim a Liga o aprove.

3.7.07

Toquinho - Aquarela

Tinha uns 14 anos quando descobri este tesouro. Ainda hoje me toca fundo. Sinal que ainda tenho alguma coisa de bom do passado que começa a ser cada vez mais lá atrás.

Elis Regina e Tom Jobim - Águas de Março

São as águas de Março fechando o Verão;
É promessa de vida no teu coração.

2.7.07

Taxista: "Então, estamos no Verão ou no Inverno?"
Eu: "Não sei... Talvez no Outuno"
Taxista: "O 25 de Abril levou tudo. Até o tempo já não é o que era"
Olho para o homem de lado e calo-me. Nunca mais abri a boca durante a viagem.
Apetecia-me, contudo, ter-lhe dito qualquer coisa do género:
"O senhor cheira tanto a suor que parece um porco a caminho do matadouro. Aliás, os porcos, coitadinhos, emanam um odor corporal bem mais agradável que o seu. Mas compreendo-o. Depois do 25 de Abril, o sabão para arrancar sarro é bem mais difícil de encontrar no mercado. Maldito Salgueiro Maia".

1.7.07

Portugal estará à frente da União Europeia nos próximos seis meses.
Em 2000, durante a última presidência, cobri uma cimeira realizada em Santa Maria da Feira que, além das apertadíssimas medidas de segurança, ficou-me na memória por ter conhecido camaradas de outros países e com eles ter travado belas e longas conversas. Sobretudo com um luxemburguês com um nome estranhíssimo, amante de vinho e do futebol português. Sim, que de política europeia percebia quase nada.
Também apreciei quando um dinarmaquês com ar de avozinho sobressaltou o centro de imprensa ao entrar num site de gajas com o volume do computador no máximo. Gemidos altamente pornográficos inundaram sonoramente a sala enquanto o senhor, vermelho como um pimento, tentava encontrar maneira de desligar as colunas.
Ah, e também posso dizer que urinei ao lado do Romano Prodi. Ou melhor, ele é que deve andar por Itália a gabar-se de ter partilhado comigo os lavabos. Ainda estive para lhe sacar uma entrevista. Mas não costumo levar bloco e gravador quando me vou aliviar.

30.6.07

Confesso que o Verão me faz sentir feliz. Uma felcidade tal, que só não me atiro de uma ponte por pudor. Aprecio bastante o frio, o vento a bater nas costas, a chuva fininha a molhar o cabelo, os casacos de malha, as camisolas para o que der e vier, as noites fresquinhas, enfim... Mas, sobretudo, dá-me gozo ver as pessoas a curtirem a estação com o mesmo fulgor de sempre, o dos tempos em que Verão com temperaturas abaixo dos 30 graus não era Verão. Ou está tudo tolo, ou estou a necessitar de internamento psiquiátrico por ser o único que anda na rua a tiritar.

Estrella Morente

Eu via-a tocar isto ao vivo. E gostei. Muito. Dela e dos músicos. Pena ter durado pouco o concerto. Ainda pensei que depois da explosão da senhora no final, quando cantou o Volver quase no meio do público, ainda quisesse continuar mais um pouco. Mas compreendo-a. Estava frio. E a mim já me doíam as costas.

29.6.07

Djavan

Gosto daquela falsa tranquilidade em palco. Como quem cospe fogo com um sorriso de desculpa. Isto é tão... sei lá. Dá para gelar o estômago, é o que é.

PS: o moço podia regressar a Portugal em breve. Não era má ideia, não senhor.

28.6.07

Ive Mendes, que bom!

Encontrei finalmente no You Tube um vídeo com uma música da grande, e não estou a falar simplesmente do tamanho dos seios (!), Ive Mendes.
Cool, muito cool.
Nem parece brasileira.

Menos férias?
Mais horas de trabalho?
Critérios arbitrários para despedimentos?
E é o Governo socialista...
Tivesse a direita no poder e proporia o quê? A execução sumária dos trabalhadores que não cumprissem os critérios do patrão?
País de merda.
Não há ninguém que me queira tirar daqui e levar para onde se viva decentemente e haja respeito pelas pessoas? Ou isso não existe e eu é que sou muito ingénuo?