12.3.08

Antes do Amanhecer

Faith No More - Evidence

Hoje estou numa de marimbar para as músicas que só me trazem más recordações. Esta, por exemplo, leva-me para Tallin, onde vivi o meu pedacinho de "Antes de Amanhecer". Acho que já escrevi isto por aqui algures e não vai assim há muito tempo, se o Alzheimer não me trai.

Ena, ena...

... os senhores do Youtube já me deixam postar vídeos outra vez....
Grandes malucos, aqui a querer enervar uma pessoa durante dias a fio.
Se tivesse tido um enfarte ou um ataque de ansiedade gostaria de ver o que teriam feito por mim, gostaria.

Aimee Mann - You Do

Como ando sem paciência para escrever nada de nada, fica mais uma que sabe bem ouvir mais que de vez em quando. Sem vídeo, que não é necessário para nada, e da banda sonora de um dos meus filmes favoritos.

Daqui a uns tempos, dia 15 deste mês, faz nove anos que me iniciei nesta coisa do jornalismo. Parece que foi ontem (frase batida mas a mais adequada para o momento). Lembro-me perfeitamente do meu primeiro dia de trabalho, de como despachei uma página de Internacional com receio de estar a escrever merda a cada linha.

Sinto que ainda me falta aprender muito e orgulho-me de trabalhar, e de ter trabalhado, com profissionais que me ensinaram muito. Orgulho-me ainda mais por muitos serem meus amigos e aturarem a minha parovíce apesar de terem mais que idade para serem meus irmãos mais velhos ou até mesmo meus pais. Os outros, os que que me acompanharam nesta caminhada dentro e fora das redacções e marcam no BI mais ou menos o mesmo do que eu, souberam compreender aquele tolo que lança umas atoardas quando está stressado frente ao computador e atoardas idênticas em longas noites de copos (e foram tantas até hoje, ainda bem). E também me orgulho deles na mesma dose.

Engraçado que revejo as peças que fiz e me recordo de todas elas devido a pequenos ou grandes pormenores que as rodearam (sim, eu tenho um arquivo organizado com tudo o que escrevi até hoje).

Que isto é um vício bom, é. Que isto tenho a felicidade de fazer aquilo que realmente gosto de fazer, tenho. Que não quero deixar isto apesar de todos os dias pensar como seria bom ter horário de funcionário público, não quero. Se sou um bom profissional não sei, tenho a noção que ainda tenho muito caminho pela frente e que podia ser muito melhor.

Afinal, ainda gosto de acordar e não saber o que vou fazer durante o dia. De tanto poder passar um dia sentado frente ao computador como a centenas de quilómetros de casa. De não ter rotina, de ter gosto em sair em reportagem, do stresse de ter 400 coisas para fazer ao mesmo tempo, dos meus camaradas, de fazer rir e rir-me com eles, de repetir em voz alta "foda-se, caralho, merda" quando as coisas não me saem bem (e começar a cantar o fado do cigano, também), quando vou em serviço com a sensação de que nada vou conseguir e de lá sair com um sorriso de satisfação depois de me ter atirado para o chão para sacar tudo o que pretendo...

Enfim, de gabar-me de poder dizer que tudo o que sou profissionalmente o devo a com quem aprendi e também, modéstia à parte, à minha capacidade de ter a noção de nunca se sabe tudo e que cada há sempre algo a aprender. Porque no dia em que olhar para uma peça minha e achar que está perfeita, sei que qualquer está mal em mim.

Demência ou necessidade de férias?

- Quando confundo o código do multibanco com o de um dos meus e-mails e quase fico com o cartão retido na caixa do banco?

- Quando desato a buzinar a um anormal que me impede a passagem no trânsito e o gajo reage mostrando-me algo parecido com uma barra de ferro?

- Quando quero ao mesmo tempo estar sozinho e ter os amigos (apenas os melhores, os de circunstância dispenso) à volta?

- Quando me apercebo que não estou bem onde estou mas ainda não sei bem para onde ir?

- Quando insisto em massacrar-me apenas porque sim?

- Quando estou bem num dia e no dia seguinte me sinto a pior pessoa do mundo (isso deve ser por ser Gémeos, já devia estar habituado, eu sei)?

- Quando as memórias de coisas boas me parecem bem distantes?

- Quando quero explodir de raiva e só não o faço porque ainda tenho amor próprio?

- Quando o dinheiro que junto para o que quero das férias ainda não é suficiente para o que realmente pretendo?

- Quando me apetecia dizer a quem adoro que os realmente adoro e as palavras teimam em sair da boca?

- Quando sinto que não dou a devida atenção a quem genuinamente me quer bem?

- Quando me apetecia juntar meia dúzia de gente boa, os tais que realmente adoro, e com ela passar um fim-de-semana inteiro, ou mais tempo ainda, num sítio espectacular onde a palavra tristeza fosse proibida de entrar e apenas fossem permitidos copos, gargalhadas, non-sense e tudo, mas tudo mesmo, que pudesse fazer daquelas horas as mais perfeitas de sempre? (isto é um convite, não sei se perceberam... Podem colar-se que eu faço a selecção)

- Quando conto os dias para o concerto do Nick Cave como se fosse um tolinho?

- Quando tenho saudades dos copos que bebi nas últimas férias com quem nunca me sairá da memória (o meu pedacinho de Antes do Amanhecer, já morrerei feliz) e uns simples e-mails me fazem sentir vontade de sair daqui para fora (greets from Porto, anyway).

- Quando acho que tenho que ver um concerto dos Xutos só para matar saudades de tempos bons? (E uma vontade de rir nasce do fundo do ser. E uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder...)

- Quando ouço músicas só para me lembrar de pessoas e memórias específicas e elimino outras porque não quero recordar-me de outras situações que gostaria de apagar mas ainda não consigo?

- Quando acho que foi na adolescência que vivi os tempos mais felizes da minha vida com a pessoa a quem associo a palavra ternura , apesar de não a ver faz tempo, e temo que isso não volte acontecer com mais ninguém?

- Quando me sinto bem com o que tenho e ao mesmo tempo incompleto?

- Quando olho para a felicidade dos outros e sinto inveja boa, que a há?

- Quando continuo acreditar em algo que só me faz mal?

- Quando desato a escrever tudo o que me vai na alma sem me preocupar com quem me lê?

11.3.08

Serei normal? *

Bem, já que não posso postar músicas (como mais abaixo poderão verificar), deixem-me dizer, se é que isto interessa, que estou a ouvir Arcade Fire vai para duas horas seguidas e não me apetece parar. Faz-me bem. Como certas pessoas que eu cá sei.

Já agora, alguma sugestão para a primeira música do dia de amanhã, é favor deixá-la aqui, se tal não custar por aí além. Arcade Fire é que não, please.

* eu sei que não, mas é sempre bom perguntar para ver se alguém me afaga o ego consoante a resposta

Revivalismo ou falta de orçamento?

Os ZZ Top e os Crowded House vão participar na próxima edição do festival Super Bock Super Rock do Porto. Será curioso ver em palco bandas cujos membros têm, no mínimo, 72 anos. Quanto mais não seja para tentar acertar qual será o primeiro a morrer durante o concerto.
A minha semana começou com mais de 300 quilómetros de percurso entre o Porto, Monção, Viana do Castelo e novamente o Porto. (ver Espanha do outro lado do rio só serviu para aumentar a minha raiva de ter nascido aqui, do lado errado da margem)

Amanhã espera-me uma viagem, outra, até Amarante.

Tendo em conta que ainda vou trabalhar mais sete dias depois disso, temo acabar a fazer um serviço algures entre os Himalaias e a Austrália.

Uma ajudinha, por favor

O que devo fazer agora que o Youtube não me deixa postar vídeos?

- Queixar-me à professora?
- Saltar de um 12º andar?
- Ler António Lobo Antunes até ao suicídio?
- Punir-me com 45 cabeçadas numa parede?
- Atirar uma velhinha para o meio da rua para aliviar o stress?
- Atacar o site do Youtube?
- Lançar impropérios à primeira pessoa que me apareça à frente mesmo que se trate da minha mãe?
- Ter relações sexuais com um homem para perceber que há coisas bem piores do que não inserir vídeos neste blog?
- Descer a Rua Santa Catarina apenas com uma tanga a cobrir as partes íntimas?
- Despedir-me do jornal e começar uma dignificante carreira na área da restauração de móveis de talha?
- Dedicar-me à bricolage ou a artes marciais com nomes esquisitos?
- Deixar de ouvir música?
- Eliminar este blog?
- Comprar a discografia completa do Demis Roussos?
- Ouvir Roberto Carlos até à exaustão?
- Comer iscas de fígado durante dia e meio?
- Algemar-me à cama e atirar a chave janela fora?
- Fazer uma peregrinação a Santiago de Compostela de joelhos?
- Cortar o dedo mindinho da mão direita?
- Assassinar o meu gato à pedrada?
- Dizer aos meus pais que tenho dois dias de vida?
- Lançar um boato qualquer sobre a minha pessoa?
- Votar no CDS-PP nas próximas eleições?
- Passar férias sozinho no extremo da Europa longe de tudo e todos? (isto já fiz e não correu lá muito mal)
- Apaixonar-me por alguém de longe, muito longe, e depois sofrer com isso? (também já sei o que isso é, estou ainda de ressaca para perceber se feliz ou infelizmente)
- Ou simplesmente perguntar a quem perceba da coisa o que está mal?

9.3.08

A uma rapariga *

Abre os olhos e encara a vida! A sina
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com tuas mãos preciosas de menina.

Nessa estrada de vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!

Trata por tu a mais longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!

Que as mãos da terra façam, com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste de uma flor!...

* poema de Florbela Espanca

Humm... que isto faz-me lembrar sorrisos claros dos lados do Adriático. Cafés, cervejas e cigarros por entre olhares doces e sorrisos tímidos. Conversas de horas que não queríamos terminar. Longos passeios numa cidade desconhecida para os dois mas que parecia nossa. Jantares à chuva condimentados com muita, mas mesmo muita, ternura. Noites de copos, partilhas e tristeza bonita, que também a há. Cumplicidade de anos entre alguém que se conhecera há dias.

Tanta coisa boa que nunca se vai repetir. Porque há pessoas, cenários e circunstâncias que se cruzam connosco apenas uma vez na vida.
Permanece uma amizade que preservamos apesar da distância – e ainda bem.

8.3.08

Professores, essa nefasta corporação

“Portugal é, há muito, um país mental e estruturalmente corporativo e qualquer reforma que qualquer governo intente esbarra sempre contra uma feroz resistência da corporação atingida. E para que serve uma corporação? Para proteger os medíocres, não os bons”.

Tudo o que eu penso sobre as reivindicações dos professores está bem resumido neste excerto do artigo de opinião de Miguel Sousa Tavares escrito para a edição do Expresso desta semana.

Os quase 100 mil docentes que se manifestaram em Lisboa, em suma, o que foram lá fazer foi defender a sua coutada, independentemente da validade das propostas da Ministra da Educação. Não interessa quais são, interessa que mexem com hábitos instalados há muitos anos que premeiam não o mérito mas o facilitismo. Ou algum foi lá agradecer que Maria Lurdes Rodrigues tenha, por exemplo, acabado com o drama da colocação dos professores, impondo contratos de permanência na mesma área durante três anos?

Já agora, Mário Nogueira, líder da FENPROF e putativo sucessor de Carvalho da Silva à frente da CGTP, é professor do Ensino Básico mas não dá aulas vai para 18 anos. Sintomático, não é?
Olha, voltou-me a 'buntade' mais depressa do que estava à espera.



Ainda bem, digo eu, marimbando-me para opiniões contrárias.



Com licença que vou a isto.

7.3.08

Aviso

Por manifesta falta de vontade, por vários motivos que agora não vêm ao caso e não são do interesse de quem por aqui passa (ou da maioria), venho por este motivo comunicar que a minha vontade de escrever neste humilde e absurdo blogue é, ou tem sido, praticamente nula.

Até que regresse o impulso da escrita que permite alimentar este antro de estupidez, permitam-me que me retire. Baterei a porta devagar, prometo.

A gerência agradece
Eu que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te, sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa de um café devasso,
Ao avistar-te, há pouco fraca e loura,
Nesta babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.

E, quando socorrestes um miserável,
Eu, que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, sudável.

«Ela aí vem!» disse eu para os demais;
E pus me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, - talvez que não o suspeites!
-Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada....Soberbo dia!

Impunha-me respeito
A limpidez do teu semblante grego;
E uma família, um ninho de sossego,
Desejava beijar o teu peito.

Com elegância e sem ostentação,
Atravessavas branca, esbelta e fina,
Uma chusma de padres de batina,
E de altos funcionários da nação.

«Mas se a atropela o povo turbulento!
Se fosse, por acaso, ali pisada!»
De repente, parastes embaraçada
Ao pé de um numeroso ajuntamento,

E eu, que urdia estes frágeis esbocetos,
Julguei ver, com a vista de poeta,
Uma pombinha tímida e quieta
Num bando ameaçador de corvos pretos.

E foi, então que eu, homem varonil,
Quis dedicar-te a minha pobre vida,
A ti, que és ténue, dócil, recolhida,
Eu, que sou hábil, prático, viril.

Cesário Verde

5.3.08

Regina Spektor - Somedays

Somedays aren't yours at all
They come and go as if they're someone elses days
They come and leave you behind some elses face
And it's harsher than yours
And colder than yours

They come in all quiet sweep up and then they leave
And you don't hear a single floor board creak
They're so much stronger than the friends you try to keep by your side

Downtown, downtown
I'm not here, not anymore
I've gone away
Don't call me don't write

I'm in love with your daughter
I want to have her baby I'm in love with your daughter
So can I please

Downtown, downtown
I'm not here
Not anymore
I've gone away don't call me don't write
I've gone away don't call me don't write

Somedays aren't yours at all
They come and go as if they're someone elses days
They come and leave you behind some elses face
And it's harsher than yours

Os anjos que conheço são de erva e de silêncio
nalgum jardim de tarde. Mas quais os mais ardentes?
Feitos de mar e sol, elevam-se nas ondas,
entre as mulheres de coxas tão fortes como touros

O meu luto é de mesas e de bandeiras sem paz
É estar sem corpo à espera, inconsolada boca,
o fogo ateia o peito, a cabeça perde a fronte,
o vazio rodopia, é o celeste inferno.

Desço ainda um degrau com o anjo infernal,
um turbilhão de ervas, um redemoinho de sangue
Quem me vale agora se perdi o meu cavalo?


António Ramos Rosa

E deu-me para recordar isto também

Jesus and Mary Chain - Some Candy Talking

4.3.08

Um dia de merda é...

- Quando se acorda para trabalhar com uma ressaca arreliadora e pouquíssimas horas de sono.

- Quando se perde uma manhã a fazer dezenas de telefonemas infrutíferos.

- Quando se leva mais que duas horas a escrever um texto que em dias normais demoraria metade do tempo a fazer.

- Quando se tem que desembolsar 50 euros porque a Polícia Municipal se lembrou de rebocar o nosso carro.

- Quando se chega à dita da viatura e se verifica que o rádio deixou de funcionar sabe-se lá porquê.

- Quando se questiona se tudo o que se anda para aqui a fazer tem algum tipo de sentido.

- Quando ponderamos se vale ainda a pena lutar por algo depois de levar tanto pontapé no rabo.

- Quando nos sentimos a pessoa mais sozinha do mundo mesmo tendo à volta montes de gente à volta (raio de frase tão batida e lamechas, mas não consigo encontrar melhor).

Obs: Vou ali engolir uma caixa de antidpressivos e já venho. Ou então dormir. Talvez dormir, que morrer não me dá lá muito jeito agora e ainda gosto de andar por aqui. Apesar da perspectiva masoquista da coisa.

Ainda vale a pena confiar nos amigos

Fil, só por isto fica aqui prometido que te pago não uma mas duas ou três vodkas com melão. Apesar de, e sabes disso, achar que tal bebida é um bocado amaricada. Mas desde que não me apareças à frente de leggings ou com salto tipo agulha continuarei a confiar nos teus predicados masculinos. Além de que tal indumentária certamente não combinaria com a tua barba.

Obrigado. Já sabes: se for o feliz contemplado deixarei que me acompanhes e possas partilhar comigo a doçura das covinhas das bochechas da menina.

Abraço mais que retribuído.

E toca a combinar uma noite de copos para o mais brevemente possível. Para daqui a cinco minutos, se não tiveres nada de extraordinário para fazer.

E deu-me para isto...

I was dreaming in my dreaming
Of an aspect bright and fair
And my sleeping it was broken
But my dream it lingered near
In the form of shining valleys
Where the pure air recognized
And my senses newly opened
I awakened to the cry
That the people / have the power
To redeem / the work of fools
Upon the meek / the graces shower
Its decreed / the people rule

The people have the power
The people have the power
The people have the power
The people have the power

Vengeful aspects became suspect
And bending low as if to hear
And the armies ceased advancing
Because the people had their ear
And the shepherds and the soldiers
Lay beneath the stars
Exchanging visions
And laying arms
To waste / in the dust
In the form of / shining valleys
Where the pure air / recognized
And my senses / newly opened
I awakened / to the cry

Refrain

Where there were deserts
I saw fountains
Like cream the waters rise
And we strolled there together
With none to laugh or criticize
And the leopard
And the lamb
Lay together truly bound
I was hoping in my hoping
To recall what I had found
I was dreaming in my dreaming
God knows / a purer view
As I surrender to my sleeping
I commit my dream to you

Refrain

The power to dream / to rule
To wrestle the world from fools
Its decreed the people rule
Its decreed the people rule
Listen
I believe everything we dream
Can come to pass through our union
We can turn the world around
We can turn the earths revolution
We have the power
People have the power ...

Juro, mas juro mesmo, que nunca mais vou jantar a um restaurante turco e depois enfrascar licor de tangerina até altas horas na véspera de um dia em que me levanto cedo.
A conversa foi mais que boa. Mas estou podre e só me apetece beber água com gás ao pequeno almoço.

Interessante, não é? Nota-se...

2.3.08

The Pogues - If I Should Fall from Grace with God

É o que dá regressar às Guinness. Depois fica-se com vontade ouvir isto pela 15453ª vez.

1.3.08

Ora portantos...

Não houve rum nem bolachas integrais, mas vodka com laranja e pints de Guinness (ou, melhor dizendo, houve pint de Guinness porque o outro lembrei-me de o entornar em cima de ti num gesto técnico de elevada perfeição e delicadeza).

Não houve sacos cama nem tendas, mas houve um belo de um caixote do lixo verde (ou, melhor dizendo, berde, berdinho).

Não houve má disposição, apenas desabafos sobre o que nos correu mal sem que isso nos estragasse a noite (com muitos falecidos, e falecidas, pelo meio. E camelos, ou a falta deles, também).

Houve música, copos, fotos e afins.

Houve análises atentas a certos estrangeiros com indumentárias esquisitas.

Houve planos de viagens traçados em papel pequeno em tamanho mas grande em sonhos.

Houve sorrisos, muitos, que adorei partilhar contigo.

E houve a confirmação de que me fazes mais do que bem.

A repetir, sem dúvida.

PS: E não roas as unhas que isso faz mal à saúde e estraga-te as mãos

Faith No More - From out of Nowhere

Olha os meus amigos de há montes de anos, olha. Olha as lembranças daquele concerto louco no Estádio do Bessa, olha. Olha os recuerdos das últmas férias, olha. Olha tanta coisa boa, olha.

29.2.08

Dúvida filosófica, daquelas que me surgem uns cinco minutos e meio antes de adormecer: bolachas integrais combinarão com rum?
Dúvida palerma, eu sei. Ou de palerma.

Sem título...

... apenas boas memórias. Apesar do 'Bitter End'.

Desde o início da semana que é pública a intenção de aumentar o preço do pão em 50 por cento (50 por cento!!!!!). Só agora, quatro ou cinco dias depois, é que vai ser investigada por um organismo do Estado uma possível irregularidade por parte da indústria panificadora no que à concertação de preços diz respeito.
Quem diria... Cartelização? Oh, não é nada... O que os desgraçados dos empresários querem é aumentar desmesuradamente o produto para amplificarem os seus lucros mais do que amplificaram na última década? Nãaaao... Por favor... Quem diria... Parece impossível vindo de quem vem.

Já agora, é certo que o preço dos cereais aumentou. Mas o peso desse aumento no custo final de produção das panificadoras é de apenas cinco por cento. E elas querem subir a parada para 50 por cento... Espertos os senhores, muito espertos.

É nestes casos que o Estado deve intervir na economia, quando o cidadão está a ser literalmente roubado por um bando de enegúmenos que apenas pensa em engordar os bolsos à custa dos outros. De todos, dos mais ricos aos que não têm onde cair mortos.

Bem diz o meu pai: num país decente já as pessoas tinham saído à rua para fazer valer os seus direitos. Por falar nisso, é bom ver que estás a recuperar o sorriso. E vamos passar um fim-de-semana ao Alentejo, sim. O mais depressa possível, digo eu. Tenho tantas saudades daquilo tudo como tu, mas tenho sobretudo saudades de passar mais tempo contigo. De bebermos um bom vinho juntos, de falarmos até altas horas, de ti.

28.2.08

Ora portanto...

Stock Off, sexta-feira, copos, saco cama, tenda (sem telhados de vidro), bolachas integrais, vinho, paquistaneses, ácaros, boa disposição, parvoíce ilimitada, boa música e paciência para me aturar. Pode ser ou faço um requerimento por escrito?

Smashing Pumpkins - Bodies

Cast the pearls aside, of a simple life of need
Come into my life forever
The crumbled cities stand as known
Of the sights you have been shown
Of the hurt you call your own
Love is suicide

The empty bodies stand at rest
Casualties of their own flesh
Afflicted by their dispossession
But no bodies ever knew
Nobodys
No bodies felt like you
Nobodys
Love is suicide

Now we drive the night, to the ironies of peace
You can't help deny forever
The tragedies reside in you
The secret sights hide in you
The lonely nights divide you in two
All my blisters now revealed
In the darkness of my dreams
In the spaces in between us
But no bodies ever knew
Nobodys
No bodies felt like you
Nobodys
Love is suicide

(E agora com licença que vou dormir como um animal. Se alguém tiver a ousadia de tentar entrar em contacto comigo antes das 13h00 corre sérios riscos de ser insultado)

27.2.08

Frase do dia

Vamos à vida que a morte é certa.

Bem, agora que o pior já passou, ou vai passando, estou a precisar rapidamente de várias noites de copos e muita parvoíce boa. Se alguém estiver disposto a ajudar esta alma caridosa é só apitar. Já sabem o meu contacto por isso não há desculpas...

26.2.08

Posso parecer cínico, mas só quando alguém que me é querido desaparece é que acredito no outro lado. Num lugar de paz e tranqulidade. Não o faço por mim, não o desejo para mim. Desejo-o para os outros. Eu só vou querer as minhas cinzas lançadas ao mar e deixar-me levar pelas ondas um dia que parta. Mais nada, o resto virá por acréscimo, se vier.

Posso parecer cínico outra vez, mas é na dor que se revelam os melhores sentimentos, mesmo que para isso não seja preciso expressar palavra alguma. Por isso é que aquele abraço que hoje demos valeu mais do que tudo, pai. Chorámos juntos mas fez-nos bem. Queríamos dizer tanta coisa um ao outro e também não valia a pena. Estava lá tudo. Expressámos os nossos sentimentos à nossa maneira, longe dos olhares dos outros, sem dizeres desnecessários. Afinal, somos iguaizinhos, não é o que a mãe não se cansa de repetir a toda a hora?

Sabes, hoje jurei a mim a mesmo que irás envelhecer com toda a dignidade do mundo. Se é que isso ainda era preciso. Porque tenho orgulho de ti. Da força e serenidade que passas aos outros em horas tão complicadas. Só com o olhar. O teu olhar, que conheço tão bem e tenho o orgulho de dizer que é meu também.

25.2.08

Adeus, avó

Afinal, não demoraste assim tanto tempo a despedir-te. Já estás lá, onde um dia nos encontraremos e eu quererei novamente receber o teu beijo e ouvir-te perguntar como estão as coisas.
Dá um abraço ao avô por mim.
E obrigado por tudo.
Até já.

Johnny Cash - Hurt

Tinhas razão: irredutivelmente belo, irreparavelmente sofrido, insustentavelmente honesto.

24.2.08

Parece que hoje decidiste adormecer e que dificilmente acordarás desse sono. Serena e calmamente fechaste os olhos e começaste a dizer adeus a quem te rodeia. Um adeus sem prazo definido. Mas isso não importa, avó. O que importa é que sintas paz contigo própria e que demores o tempo que desejares a despedir-te. Porque quem cá fica sabe que partirás tranquilamente, sem sofrimento, que é o que mais importa no meio disto tudo.
Ainda me lembro bem quando te fui ver pela primeira vez e disse que não tardaria muito e sairias daquela cama de hospital daí a poucos dias. Sorriste e disseste "oxalá". Já lá vai mais de um mês e está visto que não acertei. Parece que o destino se atreveu a traçar-te outro caminho, talvez eterno. Talvez não, eterno de certeza absoluta. Mas enquanto por aqui estiveres, sabes que nunca estarás sozinha.
Sabes uma coisa? Cá dentro ainda acredito que vais chegar aos 100 anos. Prefiro esquecer o que os médicos disseram ao pai e concentrar-me nisso. Acreditar que vais despertar e sorrir. Acreditar, sobretudo isso.
Até já.

23.2.08

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill
(e um belíssimo fado da Mariza, também)

Beth Gibbons

Com a vossa permissão, vou adormecer com esta senhora colada aos ouvidos. Muito obrigado pela compreensão. Isto de trabalhar há muitos dias seguidos está a dar-me cabo do corpinho e já não tenho 20 anos.

Foi com espanto que vi nos noticiários televisivos que a célebre manifestação dos professores convocada por SMS juntou no Porto centenas de pessoas. E com espanto porquê, questionam os milhões de leitores deste blog – meia dúzia, para ser realista? Porque passei pela Avenida dos Aliados enquanto decorria o protesto e não vi lá mais de cinquenta pobres manifestantes. E estou a ser razoável.
Como não havia câmaras por perto quando com eles me cruzei, estavam quedos e mudos, em pequenos grupos, como se de um funeral se tratasse. Palavras de ordem nem ouvi-las, cartazes apenas para proteger da chuva miudinha. Mas depois, quando assisti à reportagem, era vê-los aos berros, apitos na boca e indignados para lá de bastante.
Habituado a isto estou, acreditem. Há gente que não consegue ceder ao apelo do pequeno ecrã, mesmo que para isso se sujeite a figuras ridículas e transmita uma mensagem falsa sobre o que realmente se passa no terreno.
Julgava é que os professores não desciam tão baixo na palhaçada. Já a sabem toda, é o que é. Infelizmente.

Boa noite (e com licença)

I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end
You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of shit
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end

You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way

* Nine Inch Nails (este vídeo vale mais que a pena)

22.2.08

Bom dia! *

In the middle of nowhere
when we're looking for something
then we raise our heads for the colour red
I am too a spirit and a walker
and I welcomed the dew as much as you did

* The Knife (É favor não olhar para o vídeo. Aliás, é uma ordem)

Pixies

Give me help
Give me help
You can... levitate me

Anda toda a gente entusiasmada porque Fidel Castro resignou e se abrem perspectivas de mudança. Bullshit. Fidel vai continuar a mandar em Cuba mesmo não sendo presidente e quem lhe suceder, seja agora o irmão e depois os delfins já há muito em fila para o poder, jamais irá abrir mão da soberania socialista do Estado.
Aliás, as alternativas não são muitas: ou Cuba fica uma espécie de China das Caraíbas – comunista em teoria, capitalista na prática –, ou se vende totalmente aos Estados Unidos, o que não me parece que possa acontecer- Da última vez que tal sucedeu, subiu à presidência através de um golpe de Estado patrocionado por Washington Fulgencio Batista. Corrupto, ignorou as necessidades básicas do povo e motivou, directa e indirectamente, a formação de um grupo rebelde que o derrubaria anos depois. Liderado por quem? Fidel Castro, claro está.
Curiosamente, Fulgencio acabou os dias na Madeira. Talvez Alberto João Jardim tenha aprendido alguma coisa com ele quando era novo. Se não aprendeu, pelo menos parece.
Mas o que a mim mais me impressiona é ver os cubanos em Miami festejarem a resignação de Fidel como se tivessem ganho a lotaria. Irão eles regressar à ilha se um dia o regime se democratizar? Hipócritas...

Agora, se me perguntarem o que acho da Cuba socialista e tal e coisa, respondo sinceramente: o ideal não é mau, a conquista do poder é sonho de qualquer romântico que se preze, a aplicação dos princípios básicos do socialismo não foi mal feita. O povo passa necessidades? Passa, embora tenha acesso a sistemas de saúde e educação gratuitos, algo que na Europa tende gradualmente a acabar.
E ainda ninguém me conseguiu convencer que a democracia é o sistema político mais perfeito, sobretudo quando, e basta ver o exemplo da grande maioria dos países europeus, apenas dois partidos com ligeiras, ligeríssimas, diferenças ideológicas têm reais possibilidades de lutar pelo poder e assumi-lo. Isto embora o sistema de partido único também não seja o ideal, claro que não é, estúpido era que alguém que teve familiares por um regime fascista assim o pensasse. A questão está, digo, eu no possibilitar de as pessoas, o povo, poderem ter mais influência nas decisões políticas e não serem apenas consoladas com um simples voto de quatro em quatro anos. Mas também é preciso quererem, o que numa sociedade amorfa como a nossa parece pouco plausível.

21.2.08

Hoje acordei assim *

* Smashing Pumpkins - Landslide

Ou seja, para lá de muito bem. Obrigado por tudo.

Às vezes apetecia-me desaparecer daqui e ir para o meio da serra, sentar-me num banco de madeira e olhar o horizonte pensando em nada e tudo ao mesmo tempo.

Às vezes apetecia-me rasgar certas coisas do passado. Mas só olhando para elas é que chego à conclusão daquilo que sou hoje.

Às vezes apetecia-me adivinhar o futuro para não levar tanta cabeçada dolorosa.

Às vezes apetecia-me apagar certas gavetas da memória. Esvaziá-las e queimá-las para que nunca mais me importunem.

Às vezes apetecia-me deixar de ser eu para ser alguém completamente diferente.

Às vezes apetecia-me não me arrepender de nada do que fiz e prometer a mim mesmo não repetir erros de ontem.

Às vezes apetecia-me deixar de pensar naquilo que estou para aqui a pensar.

Às vezes....

A sorte é que ainda vou tendo quem me vá dando a mão e o ombro para poder soltar estes e outros desabafos . É bom, faz bem e recomenda-se. Obrigado (apesar de aqui ninguém ter de agradecer nada a ninguém, apenas aproveitar estes gestos mútuos de altruísmo e pensar que merecemos mais um bocadinho do que a vida nos ofereceu até agora. E sorrirmos. Sempre).

20.2.08

Assim de repente, e sem pensar muito, eis que me vieram à cabeça uns 30 (28, vá) destinos para as próximas férias. Como por exemplo:

- Fazer a costa do Adritático de carro, da Eslovénia até Dubrovnik, na Croácia

- Visitar Itália de Norte a Sul com paragens obrigatórias em Florença, Roma e Nápoles por mais que um dia.

- Regressar a Praga (a cidade mais bonita que até hoje tive o privilégio de visitar) e depois rumar à Hungria e, talvez, à Eslováquia (Inês, lembras-te das conversas em alemão com o velho Martin e aquelas cervejas poderosas nas esplanadas de Bratislava?)

- Até regressava à Finlândia e depois daria um salto à Suécia e Noruega não fossem os preços asusstadoramente caros.

- Londres (a minha maior falha até hoje)

- Explorar a Islândia inteirinha, da costa até aquele interior gelado, misterioso e belíssimo

- Varsóvia e o gueto judeu. Além de Gdansk e outras cidades mais esquistas por puro egoísmo histórico.

- Percorrer o legado português no Uruguai e atravessar a fronteira para a Argentina.

- Bazaruto, em Moçambique. E aproveitar para visitar a Beira, cidade onde a minha mãe nasceu e sonha ir desde que me lembro.


Daqui a uns meses veremos se acertei algum destino. A julgar pelo ano passado, ainda vou é passar férias à Bielorrússia ou à Arábia Saudita. Só que desta vez quero é a companhia certa. Ir sozinho foi bom mas chegou para exemplo.

Nick Cave - Far from me

For you dear, I was born
For you I was raised up
For you I've lived and for you I will die
For you I am dying now
You were my mad little lover
In a world where everybody fucks everybody else over
You who are so far from me
Far from me
So far from me
Way across some cold neurotic sea
Far from me

I would talk to you of all matter of things
With a smile you would reply
Then the sun would leave your pretty face
And you'd retreat from the front of your eyes
I keep hearing that you're doing best
I hope your heart beats happy in your infant breast
You are so far from me
Far from me
Far from me

There is no knowledge but i know it
There's nothing to learn from that vacant voice
That sails to me across the line
From the ridiculous to the sublime
It's good to hear you're doing so well
But really can't you find somebody else that you can ring and tell
Did you ever
Care for me?
Were you ever
There for me?
So far from me

You told me you'd stick by me
Through the thick and through the thin
Those were your very words
My fair-weather friend
You were my brave-hearted lover
At the first taste of trouble went running back to mother
So far from me
Far from me
Suspended in your bleak and fishless sea
Far from me
Far from me

(Já disse que vou ver Nick Cave ao vivo em Abril? Graças a uma certa pessoa que teve a paciência e a generosidade de me comprar o bilhete. Devo-te um jantar. Apenas no caso de decidires não vender o meu bilhete no mercado negro, claro)

E por falar em Eugénio de Andrade

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


(Acrescento eu: estás a ver como é tão fácil? Está aqui tudo)
Então cá vão mais uns excertos do grande António Botto (sabias que foi ele que incentivou o Eugénio de Andrade a continuar a escrever?)


Se, para possuir o que me é dado,
Tudo perdi e eu própio andei perdido,
Se, para ver o que hoje é realizado,
Cheguei a ser negado e combatido.
Se, para estar agora apaixonado,
Foi necessário andar desiludido,
Alegra-me sentir que fui odiado
Na certeza imortal de ter vencido!

Porque, depois de tantas cicatrizes,
Só se encontra sabor apetecido
Àquilo que nos fez ser infelizes!

E assim cheguei à luz de um pensamento
De que afinal um roseiral florido
Vive de um triste e oculto movimento

-------------------------------------

Ouve, meu anjo;
Se eu beijasse a tua pele?
Se eu beijasse a tua boca
Onde a saliva é mel?

Tentou, severo, afastar-se
Num sorriso desdenhoso
Mas aí!,
A carne do assassino
É como a do virtuoso.

Numa atitude elegante,
Misterioso, gentil,
Deu-me o corpo doirado
Que eu beijei quase febril.

Na vidraça da janela
A chuva, leve, tinia...

Ele apertou-me cerrando
Os olhos para sonhar -
E eu lentamente morria
Como um perfume no ar!




E eu não te tenho aturado, bem pelo contrário. Tu é que o tens. Ou melhor, estamos os dois defronte daquela janela de que falamos tantas vezes. Só aproveitamos a claridade que por lá entra, mais nada. O que interessa é que temos feito bem um ao outro num momento particularmente complicado das nossas vidas. É ou não verdade?

19.2.08

Adoro isto *

I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

And I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candlew burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore

Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

* Nick Cave - Into My Arms

Confesso que apreciei a prestação de José Sócrates na entrevista à SIC. Porque conseguiu condicionar os temas da entrevista, apenas quatro, que bem condensados como foram permitiram que o primeiro-ministro passasse quase uma hora a falar sem nada dizer. O que é de mestre. Sim, que conseguir discursar durante 48 minutos mandando para o ar frases feitas e números bem decorados tem da sua mestria. Mestria dos espertos, mas mestria. Ou uma boa assessoria de imprensa.
Faz-me lembrar algo delicioso que li sobre Adelino Amaro da Costa, o dirigente do CDS que morreu no mesmo desastre de aviação que vitimou Sá Carneiro, o qual, num convívio com colegas da Faculdade de Direito, conseguiu perorar duas horas sobre botões de camisas e casacos. Além de um excelente apelo à capacidade de argumentação, que o é, revelou inteligência. Neste caso inteligência, que o nível intelectual de Sócrates e Amaro da Costa não me parece comparável, apesar de estar nos antípodas das respectivas opções políticas e ideológicas.

Obs: Perorar é bonito, não é?

18.2.08

Morphine...

... o vídeo é mauzinho, mas o que interessa mesmo é a música

"last night I told a stranger all about you
they smiled patienty with disbelief
I' always knew you would succeed
no matter what you tried
and I know you did it all
in spite of me

still I'm proud to have known you
for the short time that I did
proud to have been a step up on your way
proud to be a part of your illustrious career
and I know you did it all
in spite of me
in spite of me

late last night
I saw you in my living room
you seemed so close but yet so cool
for a long time I thought that you'd be coming back to me
those kind of thoughts can be so cruel
so cruel

and I know you did it all
in spite of me
in spite of me"

16.2.08

Madrugada - Majesty

É bom começar o fim-de-semana assim. Muito bom, mesmo. Para lá de muito bom. Obrigado.

15.2.08

E ela aí está...

... a pessoa em quem mais confio;
com quem mais posso contar (e ela comigo);
com quem mais sorrisos partilhei na vida;
com quem realizei a viagem mais fantástica (ai aqueles dias em Praga e Viena...);
a quem quero ver sempre feliz;
a quem tudo o que desejar será sempre pouco;
a quem tudo o que disser será menos ainda.


Inês, adoro-te! Se não fosses minha irmã, até que gostava de ser pai do teu filho. Só que devia ser chato ao miúdo crescer, olhar para mim e não saber se me trataria por papá ou tio.


O grunho ao lado sou eu, confirma...

14.2.08

Goldfrapp - Hairy Trees

Gostava de me sentir assim tão idílico. Mas ainda não consigo. Vá lá que vou recuperando o sorriso. Mal seria.

Excesso de zelo policial?

Não. Apenas muita estupidez.
Para quem não se quiser dar ao trabalho de ver o vídeo, eis que se passou o seguinte: um polícia atirou um paraplégico cadeira de rodas abaixo para que o homem não resistisse a uma revista.
Onde? Nos Estados Unidos, lá podia ser noutro lado?

Coincidência do catano...

... é o Dia dos Namorados ser comemorado exactamente no Dia Europeu da Disfunção Eréctil.
Quem assim o definiu merece um prémio pela ironia fina.

Coincidência do catano também é o Dia dos Namorados surgir no calendário exactamente numa altura em que tal conceito – casalinhos abraçados aos beijos, coisa e tal e qualquer coisa, muito tresandar a felicidade, etc – faz-me doer por dentro. Não de inveja, apenas de desilusão. Porque esta coisa do amor e da paixão tem tanto de bonito e perfeito como de doloroso e extremamente sofredor.
Felizmente há sempre pessoas com quem vale a pena sorrir outra vez e pensar que a vida nos oferece as mais inesperadas surpresas quando menos esperamos. Por isso é que é engraçado andar por aqui a passar os dias.

Bjork

A primeira. Para começar bem o dia. E agora com licença que tenho muito que fazer logo manhã cedo. Beijinhos, abraços, carinhos no rosto e festinhas no braço.

13.2.08

Gostei (e muito)

Amiga, obrigado pelo miminho. Acretaste em cheio. A letra é perfeita para definir o que estou a sentir.
Obrigado, mais uma vez.

12.2.08

Ensinaram-me a não sentir raiva de ninguém. E não tenho. Nem raiva, nem desprezo, muito menos ódio. Nada disso.
Sinto-me apenas ludibriado por um sonho. Que bateu à porta, entrou e depois saiu sem aviso prévio.
Agora não há volta a dar. Porque há oportunidades, e sonhos, que se agarram na mão com força para que não fujam. Para que se lute por eles. Para que se não percam.
Há barcos que só se cruzam no nosso mar uma vez na vida. Ou aproveitamos para o apanhar e fazemos tudo para o conseguir ou simplesmente desistimos de lutar por ele. Seja por falta de vontade, de entusiasmo, por alguma razão ainda assim válida. Tudo, mesmo tudo, que for feito para o destruir voluntariamente sabendo que se erra deita tudo a perder. Para sempre.
Um dia, pode ser que pares para pensar e te surja o arrependimento. Mas já será tarde. Aliás, hoje, agora, já é tarde. Porque o barco, esse, passou por ti e não o quiseste apanhar por culpa própria. Não o mereceste.
É pena. Podia ter sido uma viagem bonita.

Clash

Mal regressam os dias de calor, mesmo que tímidos, lembro-me sempre disto. Train in Vain, de seu nome. A razão nem eu sei. Ou melhor, fica cá para mim. Como eles dizem:
"But you don't understand my point of view. I suppose there's nothing I can do".

11.2.08

Em Timor, tentou-se assassinar o Presidente da República e o primeiro-ministro, isto depois de repetidas insurreições militares e levantamentos civis. E é o país mais recente do mundo....

Em Angola, terminou uma guerra civil que durou mais de vinte anos, causou milhares de mortos e transformou um país próspero numa manta de sangue. Hoje, espera-se a realização das primeiras eleições democráticas desde há 16 anos – em 1992, as presidenciais foram canceladas devido ao rebentar de novo conflito entre UNITA e Forças Armadas.

Na Guiné-Bissau, está na presidência um homem que regressou ao poder após governar o país com mão de ferro durante duas décadas. Foi apenas intercalado por meia dúzia de golpes de Estado patéticos e sangrentos. E por uma curta guerra civil.

Em São Tomé e Príncipe, houve tentativas de usurpação do poder conquistado nas urnas, algumas mortes e existe corrupção qb. E também comandantes da polícia sequestrados no próprio posto de trabalho.

Cabo Verde está bem e recomenda-se.

Macau é um caso à parte.

O Brasil deixou de ser nosso há mais de um século mas continua um dos países mais corruptos do mundo.

Não há dúvida que o legado colonial de Portugal é um excelente exemplo de como o filho segue sempre os maus exemplos do pai.

7.2.08

Beirut (again)

Porra, gosto tanto disto. Mas tanto. Quase tanto como de geleia de mirtilo.


Está escolhido, escolhido está. Cesária Évora irá desfilar em biquini na próxima edição do Carnaval de Salvaterra de Magos. Falta é convencer a senhora.

Confesso que me sinto ansioso, não consigo conter a ansiedade de ver tamanha musa roliça em cima do palanque a mostrar o corpinho de sereia. Ou de leão marinho. Talvez de rinoceronte bebé.

Mas foram vocês que pediram, não tenho nada a ver com isso.

Sôdade....

6.2.08

É a notícia que abre a coluna de breves da última página do jornal 'A Bola' de hoje. Debaixo do título "Telma passa a dizer: até já", desenvolvem-se pouco mais de uma dúzia de linhas que dão conta da assinatura de um contrato entre Telma Monteiro e a operadora TMN. Entre outras coisas, ficamos a saber que Telma irá passar a usufruir de todas e mais algumas regalias em termos de oferta de material por parte da empresa.
Serei eu muito conservador nesta matéria, ou isto não passa de pura propaganda? De um favor do jornal à TMN, que assim viu divulgada, ainda por cima gratuitamente, a aquisição de uma estrela do desporto nacional como cara de campanha publicitária?
Basicamente, e usando jargão da classe, isto cheira a broche dos maiores. Uma punheta das enormes. Um nojo.

Beirut

Foi como amor à primeira vista. Adoro isto. Tão bom. Estou é arrependido de não conhecer há mais tempo. Mas que ando apaixonado, ando.

5.2.08

Radiohead - Nice Dream

A primeira do dia. Das boas.

Pena é a cabra da gripe não me deixar em paz.

Um dia que tenha um filho, vou sentá-lo no colo e contar-lhe o quão emocionante foi a noite de Carnaval do pai em 2008.
Será qualquer coisa assim:

"Ora bem, isto tem muito que se lhe diga. Ou não. Nessa noite, tinha o teu pai 30 anos e estava numa fase da vida que tinha tanto de excelente como de intrigante, trabalhei como um tolo até altas horas e vim para casa com um princípio de gripe que faz favor de ver. Entrei em casa, afaguei o gato e corri para a banheira para encharcar o corpo em água quente. Estava cheio de febre e, como deves calcular, gripe não combina lá muito com Carnaval. Por isso, em vez de cerveja, bebi montes de chá de limão e fui deitar-me na cama para ver se os arrepios passavam. Só que em vez de adormecer logo, pus-me a pensar num monte de coisas. E sabes como eu sou quando penso em algo mais que a conta. Se a minha cabeça fervilha imagina em dias normais, imagina como será quando tenho o corpo com pouco mais de 38 graus. Pensei sabes em quê? Que complico o que parece fácil e que em vez de seguir as estradas mais simples, opto pelas mais sinuosas. Não sabia se seria masoquismo ou o simples prazer de tentar conquistar o mais díficil, que é o que dá mais gozo. Pensei se outros querem o mesmo o quanto eu quero, pensei o quanto me custa não me arrepender por algo de que me deveria sentir culpado, imaginei onde estarei e com quem daqui a um ano, tentei antecipar cenários de futuro. Mas não cheguei a conclusão alguma. Apenas que a vida se justifica vivendo-a um dia de cada vez sem nada forçar. É isso que te aconselho também. Nunca faças planos mirabolantes de nada. Apenas sonha. É o melhor. E agora vai lá escovar os dentes e deitar-te. Não te esqueças de dar um beijo de boa noite à mãe."

4.2.08

Cat Power

Eis a versão mais espectacular que alguma vez ouvi da "New York, New York", de Frank Sinatra.

A actuação foi no programa da BBC "Later with Jools Holland", que em tempos passou na RTP2. Isto sim, verdadeiro serviço público. Na Grã-Bretanha, que aqui retiraram-no sem aviso prévio ainda estou para perceber porquê.

Na minha Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar
Balouço à beira dum poço,
Bem difícil de montar...
E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar
Se a corda se parte um dia
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada...
Cá por mim não mudo a corda,
Seria grande estopada...
Se o indez morre, deixá-lo...
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca... Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive...
Mudar a corda era fácil...
Tal ideia nunca tive...
Mário de Sá-Carneiro

U2 - Miss Sarajevo

Dici che il fiume
Trova la via al mare
E come il fiume
Giungerai a me
Oltre i confini
E le terre assetate
Dici che come il fiume
Come il fiume...
L'amore giungerà
L'amore...
E non so più pregare
E nell'amore non so più sperare
E quell'amore non so più aspettare

(E é bem verdade. Pena que por vezes o rio tome caminhos mais longos e tortuosos que o aceitável)

3.2.08

A banda sonora a caminho de casa...

... a rezar para que a polícia não se cruzasse no meu caminho.

E o meu Carnaval foi mais ou menos assim...

"Não será melhor chamar o INEM? Ou então, pelo menos, colocar um espelho à frente do nariz para ver se ainda respira".

"Não queria dizer nada, nem tornar-me chato, mas o João encostou a cabeça ao sofá e não se levanta. Acho que já disse isto. Eu sei que sou chato, mas pronto, cá vai".

"Ai... que isto dói tanto sr. doutor. Clisteres e tal.....".

"Portantos, dedinho no gato, que está no cio e coisa e tal, e muito Feno de Portugal, aroma da natureza. Depois diz que é o amarelo é do tabaco, diz. E a Mariza a surgir do nada a cantar a Gente da Minha Terra".

Já para não falar de perucas louras, chapéus de bobo, ou boba, e bigodes de arménio.

Ai, ai... Festas de Carnaval são fodidas. O que vale é que é o calendário é amigo e só as assinala uma vez por ano.

Enfim, vou dormir que amanhã é dia de trabalho. Ainda por cima...

E ressaca de vinho tinto e capirinhas é complicada. Se amanhã me doer o corpo qual mulher a parir quadrigémeos, já sei quem vou culpar. Juro que não peço indemnização, apenas chá de cidreira.

No meio disto tudo, de tanta parvoíce e loucura, foi muito bom falar contigo. Sentir a tua voz doce no meu ouvido soube tão bem que não imaginas. Só faltou estares ao meu lado. Adoro-te.

2.2.08

Céu do Porto visto da janela do trabalho




A foto é de minha autoria. Está engraçadita, não está?

1.2.08

Ele está de volta

O grande Nick Cave (ajoelhem-se, por favor) regressou. Aleluia! A primeira amostra chama-se "Dig, Lazarus, Dig". Como alguém hoje me dizia, há aqui um cheirinho a David Byrne. Também me parece, um ligeiro odor, vá.
E a partir de agora só conto os dias para o concerto que ele vai dar no Coliseu do Porto, em Abril. Já o vi ao vivo há uns anitos, talvez uns quinze, mas na altura a panca não era tão grande como agora. A minha, claro. A dele deve continuar na mesma.

30.1.08

É assim que me sinto:

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Fernando Pessoa
Hora de despedida do trabalho. Beijinhos a abraços a todos, amanhã há mais.
O oitavo andar do costume. Pára o elevador. Lá dentro, apenas uma colega de outro sector com a qual troco cumprimentos de circunstância quando com ela me cruzo.
- Boa noite, tudo bem?
- Tudo.
- Vai para baixo?.
- Vou
- Então vamos.

Dois andares descidos, eis que o elevador decide interromper a marcha.
Segundos de longo silêncio. Olho para ela, ela para mim. E tento quebrar o gelo, antes que me desate de rir. De nervoso e ridículo, como muitas vezes tenho vontade quando ando de elevador com pessoas que não conheço e nada tenho, nem elas a mim, para dizer.
- Parece que tem vontade própria.
- Estou a ver que sim.

Um solavanco e lá avança. Pouco, que volta a parar logo depois.
- Está bom, está. (desta vez é ela que começa a conversa)
- É. Parece que vamos passar aqui a noite. Trouxe saco-cama?
E sorriu.

Um minuto de indecisão, pego no telemóvel para ligar a alguém que nos salve e eis que o elevador decide arrancar de novo.
- Está a gozar...
- Parece que sim. Já pode guardar o saco-cama.

As portas abrem-se no rés-do-chão. Finalmente. Dou-lhe passagem.
- Obrigada.
- De nada.
- Até amanhã.
- Qualquer coisa encontramo-nos no elevador.
- Mas desta vez traz você o saco-cama. [detesto que me tratem por você]
- Combinado.

E assim terminou mais um dia de labuta.
Toca o despertador, ligo o rádio, ouço as primeiras notícias da manhã. "Há dois tigres à solta numa Estrada Nacional". Fantástico, gosto tanto de viver na Ásia, pensei.
Mas não, foi mesmo por cá. Pelos vistos, os bichos escaparam da caravana de um circo. Vou ali comprar tabaco e já venho. Apeteceu-lhes apanhar ar fresco. E foram.

- Alfredo, está aqui um tigre a pedir um maço de Marlboro. Posso vender ou peço o bilhete de identidade não vá ele ser menor?
- Está um quê?
- Um tigre. Não, espera, afinal são dois.
- Dois?
- Parece que sim. O outro acho que só veio fazer companhia, não vai consumir nada.
- Serão mesmo tigres?
- Parecem.
- Não será dos medicamentos para a vesícula que andas a tomar?
- Espera aí que eu pergunto-lhes.
- Pergunta lá.
- Os senhores são tigres?
- ...
- Não respondem. Quer dizer, assim à segunda até que parecem marmotas.
- Devem ser babuínos.
- Os babuínos não fumam.
- Pois não.
- Vendo-lhes os cigarros ou não?
- Vende, mas obriga-os a fumar lá fora que não quero problemas com a ASAE.
- São os do circo?

O melhor de tudo foi o excelente comentário do dono do circo quando instado pela comunicação social a comentar o insólito sucedido: "A culpa não é minha". Pois não, eu é que não devia ter deixado a varanda do quarto aberta quando ontem adormeci. Assim como há mosquitos que gostam de me invadir a casa, há tigres que podem ter vontade de fazer o caminho inverso. Os grandes malucos.

Desta é mesmo humor. Do melhor

Humanos - Quero é Viver (ora aí está, acrescento eu)

Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver

Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar, vou fugir ou repetir

vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã
eacredito que será mais um prazer

a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com idade
interessa-me o que está para vir
a vida, em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar vou fugir ou repetir

vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer

28.1.08

A primeira parte de uma longa comédia...

... que seria para rir não fosse realidade.
A explicação está no post de baixo. E a continuação desta saga também.

Brilhante (só não sei se para rir ou para chorar)

Não é humor, é Portugal, o verdadeiro Portugal que se diz europeu. O vídeo tem nove minutos mas vale a pena. E muito. Dá para perceber três coisas: o povo que temos, os serviços de saúde que temos e o que nos espera se um dia tivermos a infelicidade de precisarmos de assistência rápida rápida (?).
Brilhante, mais uma vez. Vale bem a pena.

PS: Isto aconteceu mesmo. E há bem pouco tempo.

25.1.08

Avó, hoje fazes 80 anos e chego à conclusão que tenho muito por te dizer.

Um dia que partas, espero que daqui a muito tempo, vou recordar a forma como olhas para mim. Com um sorriso que sem ser exuberante denuncia o carinho que tens por mim. Que só eu compreendo e só eu sei como me reconfortou ao longo destes anos. Por vezes nem precisas de dizer nada, basta olhares para mim para eu perceber que estás comigo. E nunca me vou esquecer do que me segredaste no dia em que me casei. Chorámos os dois, baixinho que somos discretos, e o beijo que me deste depois, e que te retribui, selou tudo o que não precisava de ser acrecentado. O casamento já era faz tempo, mas garanto que jamais irei apagar da memória tais palavras.

Mais do que reconhecimento do que fizeste por mim, tenho admiração por ti. E olha que se contam pelos dedos de uma mão as pessoas por quem nutro tal sentimento. Elogio-te pela forma como soubeste educar os teus cinco filhos depois de cedo teres perdido o marido – e o que eu gostaria de ter conhecido o meu avô –, como depois soubeste abraçar e cuidar dos netos sem que se te ouvisse da boca uma palavra de lamúria ou descontentamento, sequer de cansaço.

Tive a sorte e o privilégio de ser o primeiro deles. De sentir nos teus braços todo o calor do mundo, de te ouvir palavras sábias que me educavam no bom sentido da vida, de seres cúmplice das minhas traquinices de criança – que não contavas a ninguém –, de escutar os teus ralhetes naquele tom baixo mas que não precisava de mais entoação porque estava lá tudo. Soubeste, tu e o resto da família, mimar-me sem me tornar um idota inútil. Soubeste transmitir-me responsabilidade, a começar pelas coisas mais pequenas.

Nem imaginas as memórias que guardo daquela casa grande, cheia de gente, onde passei boa parte dos meus primeiros dez anos. Como eu adorava dormir lá, os teus cozinhados, brincar naquele quintal enorme, os meus amigos, a vizinhança. A escola primária, os cães, os gatos, os pássaros. E esfolar os joelhos nas árvores, arranhar as mãos naquele chão de cimento duro que me parecia veludo. A família junta, que tanto de bom me transmitiu nesses tempos e ainda hoje guardo bem guardado dentro de mim. Também não imaginas o quanto chorei sozinho quando decidiste vendê-la e tive que deixar aquele meu mundo. Ficou tudo tão diferente desde então. Só mais tarde percebi que a vida é feita de etapas e o que quiseste foi apenas encerrar uma delas. Mas ninguém me tira da cabeça que aquela casa há-de ser minha. Jurei-o no dia em que a deixei e estou longe de desistir da ideia.

De então para cá, e já se passaram vinte anos, habituei-me a sentar-me ao teu lado, muito menos vezes do que gostaria, confesso, e ouvir-te contar aquelas estórias dos tempos de África e de Lisboa. São tantas, tão fantásticas, ficam tão bem na tua boca. De partilhar contigo os altos e baixos da vida. E a continuar a saborear os pratos que te saem das mãos como se fossem obra de arte. Nunca provei um bolo de laranja tão bom como o teu. Nem nunca percebi como fazes aqueles molhos divinos.

Se nunca vou ter oportunidade de dizer o quanto gosto de ti, seja por falta de coragem – desculpa estúpida, eu sei – ou pelo que for, que fique aqui claro que o que nutro por ti é Amor. Assim, com letra maiúscula. Por muito tempo que viva, nada, mesmo nada, será suficiente para te expressar a gratidão e honra que tenho por ser teu neto.

Confesso que me caíram pelo rosto algumas lágrimas enquanto escrevi isto. Foram de saudade. Do passado e, principalmente, do futuro. Que ainda quero ver o teu sorriso muitas mais vezes.

23.1.08

Pulp Fiction II

E a belíssima Uma Thurman a dançar ao som de "Girl You'll Be a Woman Soon" dos Urge Overkill
Boas memórias...

Por falar em Pulp Fiction...

And you fuckin pricks move, and I'll execute every motherfucking last one of you...

Chama-lhe um doce, chama

Fil, resolveste complicar a coisa mas até que não será muito difícil responder-te à letra devido à minha paixão complusiva pelo Ennio Morricone.
As minhas cinco bandas sonoras de eleição são as seguintes (a ordem é aleatória):

Era uma vez na América - Ennio Morricone
Cinema Paraíso - Ennio Morricone
Era uma vez no Oeste - Ennio Morricone
Pulp Fiction - Vários
Magonlia - Aimee Mann (e mais alguns, mas sobretudo ela)


E agora, caro Filinto, o prometido é devido. Desafio-te para as seguintes correntes: quais as cinco posições sexuais favoritas entre as 23h26 e as 2h15; quais as cinco bebidas com licor de ameixa que mais te deliciam e quais os cinco livros de autores do hemisfério norte de África editados entre 1954 e 1962 que te caíram no goto até agora.

Quem quiser juntar-se não paga nada.

E fico por aqui para não me tornar chato.
Em Lisboa, toda a gente ficou em pânico ao aperceber-se de uma encomenda embrulhada com um lenço árabe abandonada junto a uma estação de metropolitano. "Ai, que andam aí os terroristas", gritou a multidão. E toca a chamar a polícia, alertada desde domingo sobre uma possível investida da Al-Qaeda em Portugal. Resultado: o pacote foi rebentado, não havia nada de anormal, foi tudo uma "brincadeira de mau gosto".
Meus amigos, terrorista a sério não deixaria algo mal amanhado no meio da rua, explodiria em plena carruagem do metro. Com honra, eficácia e sentido de dever. Espero é que sem mim lá dentro.

21.1.08

Mafalda Arnauth - Para Maria

Eu via-a cantar isto ao vivo e adorei. Isto e muito mais. Foi dos poucos concertos a que assisti em que me apeteceu ficar noite fora com quem estava em palco. Com ela e com os músicos, fantásticos. Duas horas que podiam ser quatro, seis, enfim. Surpreendente.

E as costas do vestido eram bem bonitas, eram. As costas, o vestido nem por isso.

A vida é um bocadinho como o tetris, jogo que muitos dão como repugnante mas a que acho uma certa piada. As peças estão sempre a cair-nos direitinhas no caminho, nós é que nos encarregamos de as desviar por burrice ou falta de destreza.

Pensamento estúpido, eu sei... Mas hoje deu-me para isto.

E isto já está reactivado, sim. A pedido de muitas famílias. De algumas, vá, que não quero parecer presunçoso.

12.1.08

O amor acontece

Ora aqui está a minha primeira surpresa de 2008. Tão simples, tão bonitinho. E conta com a Lúcia Moniz, que não se safa nada mal, não senhor.
O mais fantástico foi ter descoberto que, por razões desconhecidas do destino, foi visto quase ao mesmo tempo por duas pessoas a quem as histórias do filme dizem muito sem ambas terem combinado absolutamente nada. Por isso é que isto é engraçado. Pequenas coisas, pequenos detalhes que trazem muito atrás.

11.1.08

O facto de ter 30 anos (como isto passa depressa, porra), um casamento que se foi e um conjunto de atribulações que me levam a estar numa posição diferente daquela que o código de conduta da sociedade me impõe, mas que não faço tenção de seguir porque aprendi que a vida se vive dia a dia como se quer e não como os outros pretendem que ela seja vivida, fazem-me pensar que há projectos que há muito podiam estar arrumados numa gaveta e só não estão porque, simplesmente, não surgiu o momento perfeito para aparecerem.
Quer isto dizer o quê? Nada de especial. Apenas que me apetece continuar assim, sem problemas de consciência, com a noção de que há muita coisa ainda por conquistar aos bocados e mais ainda para conhecer. Além disso, e não menos importante, sinto-me bem, tão bem que me arrisco a dizer que com esta idade vejo as coisas com olhos mais de descoberta do que de pressa de chegar a algo que já devia ter alcançado há algum tempo.
Apetece-me ser feliz, conceito abstracto, é certo, mas útil para isto correr bem.

9.1.08

Agora que está confirmada a ida dos Gato Fedorento para a SIC, consuma-se a vingança há muito pensada pela televisão de Balsemão. Desde que a RTP roubou Guilherme Leite, o grande criador dos Malucos do Riso, que não havia em Carnaxide quem sossegasse enquanto não pregasse tamanha rasteira à estação pública. Fica ela por ela. Ou quase. Os Gato têm um bocadinho mais de piada, vá. Assim como a diferença entre os seios da Monica Belucci e da Luciana Abreu.
Anda meio mundo histérico com a possibilidade de os Estados Unidos virem a ser presididos pela primeira vez ou por uma mulher ou por um negro. Não percebo tamanho espanto. Afinal, a Casa Branca não foi ocupada por um atrasado mental nos últimos oito anos? Irreverência democrática difícil de superar, digo eu.

8.1.08

Smells like teen spirit...

... versão Tori Amos.

Reparem só naqueles olhos. Há muita droga ali, é certo, mas também uma sensualidade difícil de explicar. E garra. Bastante.

Californication

Ando tão desligado do que se passa nas nossas televisões que nem sei se esta excelente série já por cá rola. Acho que não, mas....
Do que tenho visto na net isto é muito bom, foda mesmo, diria. Literalmente. E o David Duchovny deixa aquele ar de polícia meio totó que fez com que cedo achasse os Ficheiros Secretos uma bela bosta. Ou então um excelente soporífero.

7.1.08

Não sei o que custa mais. Se pisar terreno desconhecido à espera de encontrar uma porta aberta sabe-se lá quando e onde, se imaginar que tudo isto não passa de uma ilusão estúpida para a qual só vou acordar quando for tarde.
Pedro, Pedro... Quem te conhecer que te espanque.

6.1.08

Primeiras conclusões sobre a Lei do Tabaco

- Cafés e restaurantes deixaram de cheirar a fumo e passaram a destilar um mais desagradável odor a gordura e a suor dos clientes e empregados. Nos shoppings, por seu lado, o perfume barato salta à sensibilidade das narinas como nunca.

- Os fundamentalistas anti-tabaco estão mais activos e idiotas. Os pró-tabaco também.

- A cultura dos bufos voltou a atacar em nome do Estado quase 35 anos após o 25 de Abril. Ainda não temos um Salazar em cada esquina, mas há um candidato a agente da Pide à mesa de um qualquer estabelecimento de restauração.

- Como era de calcular, junto dos locais onde é proibido sacar do cigarro amontoam-se no chão montes de beatas. Era bom que fossem as de igreja, mas ainda não chegamos a tanto, infelizmente. No Verão passado estive nos países bálticos, onde lei idêntica está em vigor há cerca de dois anos. Em cada duzentos metros de rua era possível ver um cinzeiro. Diferenças entre um país que se julga europeu e não faz nada para o ser e outros que o querem ser à força e se esforçam para tal (a Estónia vai ultrapassar-nos no próximo ano, por falar nisso).

- Ando a fumar menos, é verdade. Mas sinto-me um anormal quando sou obrigado a matar o vício durante as horas de trabalho na varanda de um oitavo andar onde mal cabem as minhas pernas.

- E porque tudo nem tudo são más notícias, é bom referir que no Porto é permitido fumar em bares como o Labirinto e o Mercedes.

2.1.08

Pixies

Boa semana de trabalho para mim. Obrigado e com licença.

1.1.08

Socorro, dei por mim a dizer que gosto de David Fonseca!
O ano começa bem, começa.
Vou ali colocar um Xanax debaixo da língua e enfiar a cabeça no forno, volto já.