31.7.07
30.7.07
O meu codigo genético deve ignorar que sou neto e bisneto de marinheiros de longo curso. Isto porquê, questiona o vasto auditório com pertinência e curiosidade aguçada, tanta como a que teria se estivessem prestes a ser reveladas as novas estatistícas economicas da Bolívia? Porque cada vez que faço uma viagem de barco que mete ondas com mais de metro e meio, começo a soluçar interiormente e só não vomito por, gaba-te Pedro, conseguir controlar o refluxo. Ora aqui esta uma bela tematica, digo eu. Merece ser aprofundada, mas agora o tempo é escasso e falar em vomitado é coisa que não me estimula o intelecto por aí além.
Ora bem, no passado sábado consegui finalmente ir a Helsínquia. A viagem para lá correu bem, fechei os olhos e só os abri já o ferry estava a acostar a capital finlandesa, a de regresso foi o cabo dos trabalhos. Ondulação, enjoo e quase duas horas de suplício. Posso dizer que aquilo abanava tanto que uma das vezes que me levantei parecia que tinha bebido uma garrafa de vodka. Tudo rodava à minha volta e os pés teimavam em querer sair do chão a toda a força.
De Helsínquia, cidade mais pequena do que supunha, posso dizer que fiquei sobretudo entusiasmado com a zona central, a chamada baixa. Alem de ordenada, de ter gente bonita e de ser estupidamente limpa, possuía actividades de rua para todos os gostos. Desde os inevitáveis mimos a saxofonistas, de dançarinos a uma mini-orquestra de musica clássica – composta por quatro violinistas e dois violencilistas – que durante meia hora conseguiu juntar uma plateia de umas cinquentas pessoas. De resto, Helsinquia tem zonas verdes amiúde e respira ares de país civilizado – já tinha tido essa sensação rara em Viena e na Bélgica. E é cara, muito cara. Mas eles ganham bem, que se lixem.
Ontem, domingo, despedi-me de Tallin. Fui aos sítios onde me senti melhor nos dias que ali passei e só tive pena de não poder beber mais uma cerveja na esplanada do Cafe Reval, frente à embaixada de Itália, porque o dito estava encerrado, para meu desgosto. Ainda estive para partir os vidros da montra em sinal de protesto, mas achei melhor nao arranjar complicações. Fui então para a praça que protege o edificio da Câmara e lá fiquei um bom bocado como que a dizer adeus. Emocionei-me, confesso.
Bom, vou acabar de arranjar as malas porque tenho que abandonar o hotel daqui a pouco. Tenho avião as 18h00, em Tallin, e depois as 21h45, em Frankfurt. Se tudo correr bem, pela meia-noite chegarei ao Porto. Caso contrario, se se repetir o cenario da viagem que me levou até Riga, estarei em casa terça-feira a tarde, o mais tardar.
Ora bem, no passado sábado consegui finalmente ir a Helsínquia. A viagem para lá correu bem, fechei os olhos e só os abri já o ferry estava a acostar a capital finlandesa, a de regresso foi o cabo dos trabalhos. Ondulação, enjoo e quase duas horas de suplício. Posso dizer que aquilo abanava tanto que uma das vezes que me levantei parecia que tinha bebido uma garrafa de vodka. Tudo rodava à minha volta e os pés teimavam em querer sair do chão a toda a força.
De Helsínquia, cidade mais pequena do que supunha, posso dizer que fiquei sobretudo entusiasmado com a zona central, a chamada baixa. Alem de ordenada, de ter gente bonita e de ser estupidamente limpa, possuía actividades de rua para todos os gostos. Desde os inevitáveis mimos a saxofonistas, de dançarinos a uma mini-orquestra de musica clássica – composta por quatro violinistas e dois violencilistas – que durante meia hora conseguiu juntar uma plateia de umas cinquentas pessoas. De resto, Helsinquia tem zonas verdes amiúde e respira ares de país civilizado – já tinha tido essa sensação rara em Viena e na Bélgica. E é cara, muito cara. Mas eles ganham bem, que se lixem.
Ontem, domingo, despedi-me de Tallin. Fui aos sítios onde me senti melhor nos dias que ali passei e só tive pena de não poder beber mais uma cerveja na esplanada do Cafe Reval, frente à embaixada de Itália, porque o dito estava encerrado, para meu desgosto. Ainda estive para partir os vidros da montra em sinal de protesto, mas achei melhor nao arranjar complicações. Fui então para a praça que protege o edificio da Câmara e lá fiquei um bom bocado como que a dizer adeus. Emocionei-me, confesso.
Bom, vou acabar de arranjar as malas porque tenho que abandonar o hotel daqui a pouco. Tenho avião as 18h00, em Tallin, e depois as 21h45, em Frankfurt. Se tudo correr bem, pela meia-noite chegarei ao Porto. Caso contrario, se se repetir o cenario da viagem que me levou até Riga, estarei em casa terça-feira a tarde, o mais tardar.
29.7.07
As 10 músicas que vou ouvir mal coloque as patas em casa (sim, que isto de ter vindo de férias sem mp3 foi péssima ideia).
Beija eu - Marisa Monte (andei a trauteá-la durante dias a fio. Só parei quando um velho ficou especado a olhar pra mim no meio da rua)
Passe em casa - Tribalistas
Let´s make love and listen death from above - Cansei de Ser Sexy
Take me down - Smashing Pumpkins
Last goodbye - Jeff Buckley
Ode to divorce - Regina Spektor
It´s not up to you - Bjork
Patchwork - Tindersticks
Rented Rooms - Tindersticks
A gente vai continuar - Jorge Palma (Tira a mão do queixo, não penses mais nisso ; o que lá vai ja deu o que tinha a dar... Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar....)
Ordem aleatoria
Beija eu - Marisa Monte (andei a trauteá-la durante dias a fio. Só parei quando um velho ficou especado a olhar pra mim no meio da rua)
Passe em casa - Tribalistas
Let´s make love and listen death from above - Cansei de Ser Sexy
Take me down - Smashing Pumpkins
Last goodbye - Jeff Buckley
Ode to divorce - Regina Spektor
It´s not up to you - Bjork
Patchwork - Tindersticks
Rented Rooms - Tindersticks
A gente vai continuar - Jorge Palma (Tira a mão do queixo, não penses mais nisso ; o que lá vai ja deu o que tinha a dar... Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar....)
Ordem aleatoria
27.7.07
Quinta e sexta-feira foram dois dias sem muita história. Andei por Tallin e arredores, não conheci ninguém particularmente interessante, nem descobri um local que fosse que me fizesse abrir a boca de espanto. Pode ser que amanhã, sábado, passe esta onda mais flat quando, finalmente, for a Helsínquia. Os bilhetes estão comprados - foram um bocado caros, mas férias são ferias e ainda não sou um Tio Patinhas - e falta apenas definir um roteiro. Será como eu gosto: em frente é que é caminho, o que surgir pelo meio será bom.
Acho que começo a ficar um bocado cansado. As minhas pernas parecem dois pesos mortos e já não tenho aquela pica que tinha há uns dias para partir à descoberta de sítios novos e surpreendentes. Sinto também saudades do meu cantinho, dos amigos, da família, de fazer festas no meu gato e ficar coberto de pelos dele - não necessariamente por esta ordem, claro. E de comer alguma coisa de jeito, sobretudo frango com caril, não sei porquê mas apetecia-me atirar-me a um frango com caril e a um vinho tinto do Douro bem frutado. No entanto, não me apetece regressar a Portugal. Sou Gémeos e basta, quem me compreender que me compre.
Aproveitei, entretanto, para fazer uma pequena reflexão pessoal sobre a minha vida. Quem quiser saber pormenores que me pergunte porque não vou estar a detalhar-me num blogue lido sabe-se lá por quem. Enfim, podia ter-me dado para pior...
Quanto a fotos, não se preocupe quem me pediu que as tirasse em quantidade suficiente para satisfazer a respectiva curiosidade. Chegarão umas 150?
Ah, e foi muito bom ouvir-te passado tanto tempo.
Acho que começo a ficar um bocado cansado. As minhas pernas parecem dois pesos mortos e já não tenho aquela pica que tinha há uns dias para partir à descoberta de sítios novos e surpreendentes. Sinto também saudades do meu cantinho, dos amigos, da família, de fazer festas no meu gato e ficar coberto de pelos dele - não necessariamente por esta ordem, claro. E de comer alguma coisa de jeito, sobretudo frango com caril, não sei porquê mas apetecia-me atirar-me a um frango com caril e a um vinho tinto do Douro bem frutado. No entanto, não me apetece regressar a Portugal. Sou Gémeos e basta, quem me compreender que me compre.
Aproveitei, entretanto, para fazer uma pequena reflexão pessoal sobre a minha vida. Quem quiser saber pormenores que me pergunte porque não vou estar a detalhar-me num blogue lido sabe-se lá por quem. Enfim, podia ter-me dado para pior...
Quanto a fotos, não se preocupe quem me pediu que as tirasse em quantidade suficiente para satisfazer a respectiva curiosidade. Chegarão umas 150?
Ah, e foi muito bom ouvir-te passado tanto tempo.
25.7.07
Devolvido que estou a condição de viajante by my own, a Sonja partiu hoje para a Lituania e o sueco maluco foi fazer um trabalho qualquer algures aqui na Estónia, resolvi dar um salto até Narva, cidade separada da Russia apenas por um fio de rio. Dar um salto como quem diz, foram mais três horas de viagem de camioneta - a Eurolines vai aumentar os lucros só à minha conta -, mas valeu a pena.
Narva é praticamente russa. Nas ruas, nas lojas, em todo lado, o alfabeto dominante é o cirílico. As pessoas são tambem mais frias, já tinha notado isso nos locais da Letonia onde a maioria da populacao é russa, e falam peva de ingles. Lá tive, portanto, de desenrascar a minha linguagem gestual, que é quase nula e aparentemente ridícula.
Valeu a visita ao castelo, completamente destruído na II Guerra Mundial e agora transformado num museu vivo de Narva. Após subir degraus infindáveis de escadas onde o meu pé tamanho 42 cabia à justa, consegui espreitar todos os espaços do local, bem aprazível, por sinal. E também deitar o olho na outra margem do rio Ivanograd, onde se situa uma cidade homónima que já faz parte das garras do senhor Putin. Aproveitei para ver o movimento da fronteira e deu para reparar que com os guardas fronteiriços russos ninguém brinca. Tudo passado a pente fino, nem que para isso uma viatura tenha que demorar mais de meia hora a preencher todas as formalidades burocráticas.
Antes de Narva, dei um pulinho a Sillullae, uma cidade secreta durante a ocupação da URSS, conhecida por ser um dos principais pontos de exploração de urânio durante os tempos do comunismo. Pouca gente, e triste, muitos velhos e algumas mães que não pareciam ter mais de 16 anos. Valeu uma longa avenida fechada pela copa das arvores para não dar o tempo por mal gasto e nao reclamar o facto de o museu local, que adoraria ter visitado, estar fechado.
Ontem, terca-feira, último dia em que o grupo esteve todo junto, a viagem a Helsinquia acabou por ser abortada. Achámos caro de mais pagar quarenta euros de passagem de barco para estarmos na capital finlandesa apenas duas ou três horas. Tivéssemos combinado para manhã cedo, pensamos todos, num raro exemplo de unidade europeia. Sim, mas não faz mal. Amanhã, sexta, estou a pensar lá ir sozinho.
As horas finais com os meus efémeros companheiros foram passadas no meio de muita cerveja, como não podia deixar de ser, conversas sobre amores e desamores, cada um com o seu caso de fazer chorar as pedras da calçada, perspectivas para o futuro e muita, mas mesmo muita, conversa non-sense sobre o que apeteceu.
Pena ter que me separar deles. Não houve lágrimas de ninguém na despedida e fotos só as tiramos pela metade porque o Thomas insistiu em nao querer aparecer em nenhuma. Esquisito, muito esquisito, o gajo.
No entanto, ficou prometido encontrarmo-nos quando cada um de nós visitar o país dos outros. Como o Thomas é alergico ao sol e eu não aprecio temperaturas estupidamente negativas, é pouco provável que o vá ver outra vez na vida. Com a Sonja é diferente. Ela está a pensar conhecer Portugal e Espanha no ano que vem e eu gostaria de me deslocar à Croacia, assim com à restante ex-Jugoslavia, o mais brevemente possível. Portanto, é bem provavel que partilhemos um copo juntos não tarda nada. Além disso, fiquei a dever-lhe uma cerveja e ela a mim um jantar. E eu nao gosto de ter contas por acertar durante muito tempo.
Narva é praticamente russa. Nas ruas, nas lojas, em todo lado, o alfabeto dominante é o cirílico. As pessoas são tambem mais frias, já tinha notado isso nos locais da Letonia onde a maioria da populacao é russa, e falam peva de ingles. Lá tive, portanto, de desenrascar a minha linguagem gestual, que é quase nula e aparentemente ridícula.
Valeu a visita ao castelo, completamente destruído na II Guerra Mundial e agora transformado num museu vivo de Narva. Após subir degraus infindáveis de escadas onde o meu pé tamanho 42 cabia à justa, consegui espreitar todos os espaços do local, bem aprazível, por sinal. E também deitar o olho na outra margem do rio Ivanograd, onde se situa uma cidade homónima que já faz parte das garras do senhor Putin. Aproveitei para ver o movimento da fronteira e deu para reparar que com os guardas fronteiriços russos ninguém brinca. Tudo passado a pente fino, nem que para isso uma viatura tenha que demorar mais de meia hora a preencher todas as formalidades burocráticas.
Antes de Narva, dei um pulinho a Sillullae, uma cidade secreta durante a ocupação da URSS, conhecida por ser um dos principais pontos de exploração de urânio durante os tempos do comunismo. Pouca gente, e triste, muitos velhos e algumas mães que não pareciam ter mais de 16 anos. Valeu uma longa avenida fechada pela copa das arvores para não dar o tempo por mal gasto e nao reclamar o facto de o museu local, que adoraria ter visitado, estar fechado.
Ontem, terca-feira, último dia em que o grupo esteve todo junto, a viagem a Helsinquia acabou por ser abortada. Achámos caro de mais pagar quarenta euros de passagem de barco para estarmos na capital finlandesa apenas duas ou três horas. Tivéssemos combinado para manhã cedo, pensamos todos, num raro exemplo de unidade europeia. Sim, mas não faz mal. Amanhã, sexta, estou a pensar lá ir sozinho.
As horas finais com os meus efémeros companheiros foram passadas no meio de muita cerveja, como não podia deixar de ser, conversas sobre amores e desamores, cada um com o seu caso de fazer chorar as pedras da calçada, perspectivas para o futuro e muita, mas mesmo muita, conversa non-sense sobre o que apeteceu.
Pena ter que me separar deles. Não houve lágrimas de ninguém na despedida e fotos só as tiramos pela metade porque o Thomas insistiu em nao querer aparecer em nenhuma. Esquisito, muito esquisito, o gajo.
No entanto, ficou prometido encontrarmo-nos quando cada um de nós visitar o país dos outros. Como o Thomas é alergico ao sol e eu não aprecio temperaturas estupidamente negativas, é pouco provável que o vá ver outra vez na vida. Com a Sonja é diferente. Ela está a pensar conhecer Portugal e Espanha no ano que vem e eu gostaria de me deslocar à Croacia, assim com à restante ex-Jugoslavia, o mais brevemente possível. Portanto, é bem provavel que partilhemos um copo juntos não tarda nada. Além disso, fiquei a dever-lhe uma cerveja e ela a mim um jantar. E eu nao gosto de ter contas por acertar durante muito tempo.
23.7.07
Bem, depois da despedida de Riga, no sábado, só não chorei porque continuo a ser homem, e de uma estafada viagem de camioneta durante cinco horas e meia ate Tallin, domingo, na qual tive a companhia de um curioso japonês, eis que me encontro instalado na belíssima capital da Estónia.
Fiquei um pouco decepccionado quando cheguei ao hotel, um bocado anárquico para meu gosto, mas já recuperei as forças e o ânimo. Hoje aventurei-me pelas ruas do centro, vá la que não me perdi uma vez que fosse, e encontrei duas excelentes companhias num barzito... irlandês: Sonja, uma croata que está em viagem vai para dois meses, e Thomas, um sueco que trabalha aqui mas que diz mal do país a toda a hora - "nao tenho nada que aprender a língua deles, que se fodam. Se quiserem que aprendam sueco", grita ele de cinco em cinco minutos. Ficamos umas horas valentes a falar sobre tudo (dos 45 graus negativos que se fazem sentir no norte da Suecia durante o Inverno, da II Guerra Mundial, de bolinha, claro, dos eslavos que estao a destruir a Suecia, segundo alega o Thomas, da Estonia, disto, daquilo e afins) e depois, embalados pela meia duzia de Guiness que emborcámos para não perder o ritmo da conversa, fomos jantar a uma pizzaria baratucha. Pelo meio, encontrei, pela primeira vez desde que comecei a viagem, um grupo de portugueses. Foi estranho ouvir falar a nossa lingua. Perguntei-lhes de onde eram, responderam que de Lisboa, e mostraram um entusiasmo tão parco por se cruzarem com um compatriota longe da terrinha que me apeteceu cuspir-lhes na cara. Só não o fiz porque sou bem educado e as ruas daqui são limpas de mais para merecerem um escarro que seja.
Eu, a Sonja e o Thomas vamos amanhã a Helsínquia, na Finlândia, duas horas de barco, mais ou menos. Combinamos encontrarmo-nos frente ao edificio da Câmara logo pela manhã. Mas da maneira que estavámos quando acertamos hora e local, duvido que alguém se vá lembrar. A ver vamos.
Beijinhos e abraços, a emissão continua dentro de momentos.
Fiquei um pouco decepccionado quando cheguei ao hotel, um bocado anárquico para meu gosto, mas já recuperei as forças e o ânimo. Hoje aventurei-me pelas ruas do centro, vá la que não me perdi uma vez que fosse, e encontrei duas excelentes companhias num barzito... irlandês: Sonja, uma croata que está em viagem vai para dois meses, e Thomas, um sueco que trabalha aqui mas que diz mal do país a toda a hora - "nao tenho nada que aprender a língua deles, que se fodam. Se quiserem que aprendam sueco", grita ele de cinco em cinco minutos. Ficamos umas horas valentes a falar sobre tudo (dos 45 graus negativos que se fazem sentir no norte da Suecia durante o Inverno, da II Guerra Mundial, de bolinha, claro, dos eslavos que estao a destruir a Suecia, segundo alega o Thomas, da Estonia, disto, daquilo e afins) e depois, embalados pela meia duzia de Guiness que emborcámos para não perder o ritmo da conversa, fomos jantar a uma pizzaria baratucha. Pelo meio, encontrei, pela primeira vez desde que comecei a viagem, um grupo de portugueses. Foi estranho ouvir falar a nossa lingua. Perguntei-lhes de onde eram, responderam que de Lisboa, e mostraram um entusiasmo tão parco por se cruzarem com um compatriota longe da terrinha que me apeteceu cuspir-lhes na cara. Só não o fiz porque sou bem educado e as ruas daqui são limpas de mais para merecerem um escarro que seja.
Eu, a Sonja e o Thomas vamos amanhã a Helsínquia, na Finlândia, duas horas de barco, mais ou menos. Combinamos encontrarmo-nos frente ao edificio da Câmara logo pela manhã. Mas da maneira que estavámos quando acertamos hora e local, duvido que alguém se vá lembrar. A ver vamos.
Beijinhos e abraços, a emissão continua dentro de momentos.
21.7.07
Hoje é o meu último dia em Riga, cidade que, desconfiadamente, comecei por olhar de lado e que de que fui gostando cada vez mais. Vou aproveitar a tarde para me despedir dela, percorrendo os cantos que irão deixar em mim mais saudade. Mais fotos, assim a máquina o permita, e, sobretudo, cheiros, rostos e olhares, algo que só a memoria conseguirá reproduzir no futuro.
Ontem, fui a Vilnius e acabei por dar por bem empregues as sete horas que passei dentro das camionetas da Eurolines que lá me levaram e de lá me transportaram ao poiso do costume. Antes de chegar, parei uma meia hora em Panevezys, considerada a capital do crime na Lituânia, sem dúvida um belo cartão de visita. Mas não dei por nada de especial, a não ser com um local que pouco mais tinha do que banal. Rimou e é verdade.
Vilnius é uma cidade branca, com uma zona histórica ampla e bem cuidada, muito luminosa, assemelhando-se a Lisboa em certos aspectos. Almocei num restaurante lindissimo, com bancos e mesas de madeira, um pequeno lago nas traseiras e um alpendre fresco que suavizou o calor que se fazia sentir. Ainda por cima foi barato.
Calcorreei depois as ruas de Vilnius durante quase três horas, parando em barzinhos minúsculos, em bancas de comércio ao livre, em esplanadas. O único senão foi ter dado cabo da máquina fotográfica, ainda estou para saber como. Fui a uma loja da especialidade, o que eu gosto de lojas da especialidade, onde uma solícita lituana que falava inglês bem e depressa me disse, com uma sinceridade questionável, que o melhor era mesmo comprar outro aparelho porque o que tenho está bom para ir para o lixo. "Esta bem grande cabra, belo conselho que me deste, foda-se". Sim, que eu falo mal para mim proprio quando fico furioso. Só não me espanco porque ainda mantenho os sinais de sanidade mental na média, ou acima dela. Acho eu.
Saí porta fora em direcção a estação de autocarros, onde me entretive a tentar consertar o que parecia irremediavelmente perdido. E não é que consegui? Quer dizer, aquilo tirar fotos até que tira, resta é saber como ficarão. Cá para mim será tipo as da Lomo, nunca se sabe muito bem o que vai sair dali.
Bom, agora vou almocar porque a manhã ja la vai... Talvez repita umas filetes de galinha com pimenta e vegetais, o prato que mais gostei no "kafejnica" de que me tornei cliente assíduo. E nao foi apenas por causa dos olhos azulíssimos da empregada ou do licor de ervas.
Obrigado e com licença, que vou ali e já venho.
PS: Acho que vou embora de Riga na altura certa. Chegou ao hotel um grupo considerável de israelitas, identifiquei-os pelo kippah e pelos jornais com caracteres hebraicos que traziam debaixo do braço, que quando se cruza comigo lança olhares desconfiados. Normal, se fosse judeu também ficaria de pé atras com um tipo que tem a barba ligeiramente grande e anda sempre com uma mochila atrás das costas. Por isso, adiós Riga enquanto é tempo e antes que um tipo da Mossad entre quarto dentro e me abata com uma pistola com silenciador. Eles são assim, atiram primeiro e só perguntam depois.
Ontem, fui a Vilnius e acabei por dar por bem empregues as sete horas que passei dentro das camionetas da Eurolines que lá me levaram e de lá me transportaram ao poiso do costume. Antes de chegar, parei uma meia hora em Panevezys, considerada a capital do crime na Lituânia, sem dúvida um belo cartão de visita. Mas não dei por nada de especial, a não ser com um local que pouco mais tinha do que banal. Rimou e é verdade.
Vilnius é uma cidade branca, com uma zona histórica ampla e bem cuidada, muito luminosa, assemelhando-se a Lisboa em certos aspectos. Almocei num restaurante lindissimo, com bancos e mesas de madeira, um pequeno lago nas traseiras e um alpendre fresco que suavizou o calor que se fazia sentir. Ainda por cima foi barato.
Calcorreei depois as ruas de Vilnius durante quase três horas, parando em barzinhos minúsculos, em bancas de comércio ao livre, em esplanadas. O único senão foi ter dado cabo da máquina fotográfica, ainda estou para saber como. Fui a uma loja da especialidade, o que eu gosto de lojas da especialidade, onde uma solícita lituana que falava inglês bem e depressa me disse, com uma sinceridade questionável, que o melhor era mesmo comprar outro aparelho porque o que tenho está bom para ir para o lixo. "Esta bem grande cabra, belo conselho que me deste, foda-se". Sim, que eu falo mal para mim proprio quando fico furioso. Só não me espanco porque ainda mantenho os sinais de sanidade mental na média, ou acima dela. Acho eu.
Saí porta fora em direcção a estação de autocarros, onde me entretive a tentar consertar o que parecia irremediavelmente perdido. E não é que consegui? Quer dizer, aquilo tirar fotos até que tira, resta é saber como ficarão. Cá para mim será tipo as da Lomo, nunca se sabe muito bem o que vai sair dali.
Bom, agora vou almocar porque a manhã ja la vai... Talvez repita umas filetes de galinha com pimenta e vegetais, o prato que mais gostei no "kafejnica" de que me tornei cliente assíduo. E nao foi apenas por causa dos olhos azulíssimos da empregada ou do licor de ervas.
Obrigado e com licença, que vou ali e já venho.
PS: Acho que vou embora de Riga na altura certa. Chegou ao hotel um grupo considerável de israelitas, identifiquei-os pelo kippah e pelos jornais com caracteres hebraicos que traziam debaixo do braço, que quando se cruza comigo lança olhares desconfiados. Normal, se fosse judeu também ficaria de pé atras com um tipo que tem a barba ligeiramente grande e anda sempre com uma mochila atrás das costas. Por isso, adiós Riga enquanto é tempo e antes que um tipo da Mossad entre quarto dentro e me abata com uma pistola com silenciador. Eles são assim, atiram primeiro e só perguntam depois.
Subscrever:
Mensagens (Atom)