1.11.09
31.10.09
22.10.09
A pessoa que mais sentido dá para que isto continue a ter piada para mim, sem dúvida o melhor raio de luz que a vida me reservou, prepara-se para enfrentar a mesa de operações na semana que vem.
Eu estou desempregado há meio ano – mais do que isso, as perspectivas e a esperança de encontrar um trabalho decente são praticamente nenhumas.
No meio disto tudo há quem me venha falar em Deus e me peça para acreditar e ter fé em algo superior. Para quê e porquê? Como diria o outro, só se para piorar ainda mais as coisas Ele (ou deverei escrever apenas ele?) me despentear.
12.10.09
Balanço eleitoral das autárquicas (e o vídeo em que Fátima Felgueiras chora a derrota)
O PS ganhou. Mais câmaras, mais mandatos, mais confiança. Estamos perante um PRI em potência. Que mexicanos já somos após, pela primeira vez desde o 25 de Abril, uma pessoa ter sido barbaramente assassinada durante um acto eleitoral.
O PSD afundou-se e ameaça entregar a direita ao CDS/PP nos próximos quatro anos se não tirar conclusões claras sobre o que foi a sua vida interna nos últimos quatro.
O CDS/PP é um partido em crescendo mas apenas a nível nacional. No poder local, é uma vergonha quando comparado com o que já foi em tempos idos. Hoje é apenas uma âncora envergonhada de um suposto grande partido.
A CDU continua o caminho cego para o abismo . E o Alentejo deixou, oficialmente, de ser vermelho.
O Bloco de Esquerda confirmou o que vale em matéria autárquica: zero.
Os independentes corruptos continuam no poder. Pelo menos até a Justiça os arrancar das câmaras que lideram e lhes guiar o caminho para a cadeia.
A boa notícia da noite foi a não reeleição de Fátima Felgueiras. A reacção da senhora ao inesperado resultado está descrita no vídeo aqui disponível.
22.9.09
Summer's Gone (Placebo)
Daqui a uns dias juro que explico a razão de este antro andar tão abandonado de há uns tempos para cá. Até lá vou preparar-me para o Outono. E continuar a espantar-me com a força de querer agarrar a vida de uma das pessoas a quem mais devo, das ínfimas que verdadeiramente adoro e por quem era capaz de fazer tudo e tudo o que fizesse seria sempre pouquíssimo. Um Pai, resumidamente.
3.9.09
Cheira-me...
O novo filme de Giuseppe Tornatore, Baaria, ainda não estreou em Portugal. No entanto, os críticos do Público não perderam tempo e começaram já a desancá-lo.
Temos obra-prima.
2.9.09
O (meu) País Basco
Para começar, quase ninguém fala basco. Apesar de ser uma língua ensinada nas escolas, difundida nos media (há três canais de televisão que transmitem exclusivamente em basco) e espalhada por tudo o que é indicação oficial (ruas, monumentos, edifícios, etc), o certo é que basta andar na rua e perceber que as conversas são em castelhano. Seja no centro de Bilbau (supostamente a cidade onde os fervores nacionalistas mais se fazem sentir), seja numa pequena aldeia encravada na montanha. E a língua é um dos principais factores de identidade de um povo, basta ver que na Catalunha toda a gente se expressa em catalão e na Galiza em galego.
Os sinais de apoio à linha radical da ETA são praticamente inexpressivos. Cartazes de apoio aos separatistas bascos (e corri Alava, Guipuzkoa e Biskaia, as três províncias bascas), não os vi. Murais do género vi-os poucos (uns três ou quatro e todos em locais isolados) e bandeiras de apoio aos presos etarras penduradas nas janelas só as vi duas (uma na zona antiga de Bilbau, a outra numa pequena aldeia na estrada que corre a costa até San Sebastian). San Sebastian onde estive um dia depois de uma manifestação de supostos apoiantes da ETA cujo impacto foi mínimo (quase tantos polícias como manifestantes) e ao qual a comunicação social (pública e privada, anti e pró-nacionalista) deu relevância menor.
O Athletic Bilbau, um dos maiores clubes de Espanha e o maior catalisador desportivo das ambições nacionalistas bascas, possui uma forte identidade nacionalista, é certo, mas apenas isso. Os adeptos (sim, eu estive no mítico San Mamés), comunicam-se em castelhano e não aproveitam os jogos para ensaiar protestos pró-independência. Os poucos que o tentam são assobiados pelos restantes.
Resumindo, o que o País Basco representa é uma região com forte identidade nacionalista. Confundir isso com o desejo independentista de uma pequena minoria é pura ilusão – ou querer falsear a realidade. E confundir nacionalismo com tendências independentistas é completamente absurdo, para não dizer ignorante.
Agora só espero que a ETA não se lembre de ler isto e depois colocar uma bomba lapa debaixo do meu carro.