28.9.07

Os Xutos não são a melhor banda portugues. Eles são A banda. Os maiores, grandes. E então ao vivo metem nojo de tão bons.

A minha vontade de escrever neste blog tem sido tanta como a que tenho de me lançar numa aventura homossexual nos próximos cinquenta anos. Quase nenhuma, portanto, não vão mentes maldosas pensar que estão perante uma confissão apaneleirada da minha parte. Mas hoje resolvi abrir uma excepção. Não para um caso gay, mas apenas para comentar o que se tem passado no PSD, esse ilustre partido que, para nossa desgraça, já nos governou anos a fio e agora lidera a oposição, ou diz que o faz. Uma coisa é certa: qualquer que seja o vencedor das eleições directas de hoje, adivinho tempos difíceis para os sociais-democratas e, por arrasto, para os portugueses. Não vou falar da baixa estatura de Marques Mendes e da sua gritante falta de ideias e critérios ou das dificuldades de Luís Filipe Menezes dizer duas frases seguidas sem indirectas maldosas e de gosto duvidoso. Prefiro antes assinalar que um dos maiores partidos nacionais passará a ser liderado por um indivíduo que faz afastar da política e das mesas de voto um milhão de cidadãos cada vez que abre a boca. Ambos os candidatos são tão fracos, tão fracos, que me sinto envergonhado. E nunca votei PSD uma vez que fosse na vida. Acho que preferia gostar de homens, aliás.

26.9.07

Rute, cá vai mais um post plagiado do teu estaminé, com devida autorização prévia, claro está. Da próxima vez que nos virmos, lá para 2010, ofereço-te uma garrafa de vinho. Ou um belo de um pontapé na rótula esquerda, depois escolhes o que achares melhor para ti. Entretanto vamos falando, nem que seja para dizer absurdos conscientes, como de costume. Sabe bem. Ah, e assino por baixo o que escreveste. Porque, como já te comentei, o pior do casamento é a sensação de eternidade que deita a perder tanta coisa e faz desaparecer muito do bom que há numa relação bonita a dois se a coisa não for alimentada convenientemente. Digo eu, que já me casei, descasei e não quero ouvir falar em casamento tão cedo. O resto tu explicas bem. Obrigado, tiraste-me as palavras da boca.

Cá vai:

O «Correio da Manhã» revela hoje que a alemã Gabriele Pauli, militante da União Social-Cristã defende que o casamento deveria ser um contrato temporário prorrogável, ou seja, deveria terminar automaticamente ao fim de sete anos, podendo o casal renovar os votos se quisesse. Eu acho bem. Acho bem porque se acabariam as temíveis crises dos sete anos. Acho bem porque se acabariam – sem grandes dores de cabeça – os casamentos falhados. Acho bem porque haveria festa de sete em sete anos. E, sobretudo, acho bem porque o casamento a prazo iria obrigar a mais esforços, tal como os fazem os namorados. A possibilidade/o perigo de o outro não querer renovar os votos ao fim de sete anos poderia obrigar-nos a mais trabalho de casa, a menos discussões, a mais cinemas, a mais jantares, a mais flores, a mais cuidados. A mais sexo. A mais. Acho bem. Olho para mim, olho à minha volta e creio ainda mais nessa teoria. O casamento deveria ter prazo. Pelo nosso bem.
Serve o presente post para anunciar oficialmente que o meu Inverno começou hoje quando, pela primeira vez em muitos meses, cheguei a casa e vesti umas magníficas calças de pijama bem cardadas. E não, não tenho pantufas com patinhos ou outros animais ridículos.
Uma merda, é o que é. Estava a gostar tanto do calor e agora vem o frio lembrar-se que também é gente só para me chatear um bocadinho, o porco.

24.9.07

Para começar bem a semana II

Para começar bem a semana I

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Florbela Espanca

23.9.07

A principal descoberta que fiz no IKEA foi... geleia de mirtilo. Quais móveis, camas, estantes e afins, o melhor mesmo foi esta pérola dos deuses que agora está disponível ao preço da chuva na bem gizada mega-loja do senhor sueco com um nome esquisito. Devo dizer que comprei uma embalagem na sexta-feira e já a empaturrei quase toda. Aconselho vivamente.
Enquanto escrevo este post, chego é à conclusão que a bela da compota deixa o teclado pegajoso, o que é uma porra.
Assisti a uma reportagem na RTP1 sobre o lançamento do filme "Fado" e fiquei com uma dúvida: o realizador é o Carlos Saura ou a Rosa Veloso? Digo isto porque tantas vezes apareceu na imagem um como o outro. O que é, aliás, normal quando se trata de uma peça da correspondente da estação pública em Espanha. Só lamento que a mulher nunca tenha tido a sorte de ser filmada em cheio durante um atentado da ETA. "Com imagem de Michael Gore, Rosa Veloso, a RTP no País Basco. Quer dizer, o tronco no País Basco, o resto do corpo espalhado algures por aí". Seria épico. E merecido.

21.9.07

Se os piropos agora não fossem quase ilegais, atrevia-me a dizer que a Julie Delpy é um doce que me apetecia saborear uma noite inteira. Mas além disto soar compleatamente estúpido e parolo, ela deve ter mais com quem partilhar serões.
Serve tal de prelúdio idiota para referir o seguinte: a menina resolveu lançar-se na aventura de dirigir um filme. Coincidência, ou talvez não, a fita chama-se "Dois Dias em Paris", o que me deixou logo desconfiado de que seria uma tentativa de chegar aos calcanhares dos brilhantes e absurdamente belos "Antes do Amanhecer" e "Antes do Anoitecer".
Ainda não vi o filme, por isso não posso dizer se é bom ou mau. Aquilo que me apetece para aqui desabafar é que se ela conseguir chegar aos calcanhares da cena que se segue, basta apenas isso, tiro-lhe o meu chapéu e ajoelho-me numa cama de pregos. É, simplesmente, um dos diálogos mais ternos e deliciosos que já vi. Como eu gosto: simples mas muito, mesmo muito, bem feito.
Diria lindo, mas depois acusam-me de andar lamechas.

19.9.07

Nine Inch Nails - The Hand That Feeds

Ah, e aprecio bastante estes senhores também. Agora chega que por hoje exagerei.

Pixies - Monkey gone to heaven

Não sei se já disse, acho que sim, mas gosto muito disto. Não sei se já disse, acho que sim, que vibro ao ouvir esta coisa boa já lá vão mais de 15 anos. Não sei já disse, acho que sim, que isto é mesmo delirante. Não sei se já disse... É melhor ficar por aqui. Depois acusam-me de ser chato.

Planos para as quatro folgas consecutivas que amanhã, quinta-feira, se iniciam e que se seguem a dez intermináveis dias de trabalho (dez!!!).

1 . Dormir, muito e profundamente.
2. Jantares, jantares, jantares, copos, copos, copos e gargalhadas, bastantes.
3. Uma ida àquele restaurante a que pretendo ir novamente já lá vai quase um ano.
4. Um ou dois passeios na marginal acrescidos da indispensável leitura de jornais frente ao mar.
5. Fazer compras para a casa qual fada do lar.
6. Continuar a escrever coisas estúpidas neste humilde blog
7. Mais uns copos e uma dose exagerada de humor non-sense.
8. Olhar para o Porto durante a noite do lado de Gaia, de preferência sem cair ao rio.
9. Dormir mais um bocado.
10. Pastar, preguiçar e outras coisas tão boas que se fazem quando o ócio aperta.

Segunda-feira vou chegar à conclusão que não fiz metade. Mas fica a boa intenção. Ao menos que durma.
Agora que os piropos obscenos podem ser punidos com um ano de cadeia, adivinho uma grande crise de mão-de-obra no sector da construção civil nos próximos 72 anos. Depois disso não é preciso preocupar-nos porque ao ritmo a que o mar tem avançado Portugal já não fará parte do mapa nessa altura.

18.9.07

Goldfrapp

João, vê lá se gostas disto. Se não te agradar posso mandar para trás e peço um prato de carne ou peixe à tua escolha. Só não pago a conta que este mês isto anda tremido.

Obs: o vídeo não é oficial mas as imagens de Paris até que são porreiras, diz lá que não são.

Juro que no dia em que conseguir não adormecer num tribunal vou abrir uma garrafa de vinho e bebê-la com um bom grupo de amigos.
Ia propôr uma orgia, mas não gosto de confusões.

17.9.07

Estes moços apanharam mais de 100 da Nova Zelândia, mas só pela forma como cantam e sentem o hino nacional mereciam ganhar o mundial de râguebi. Eu, que até nem sou patriota, fiquei impressionado.

16.9.07

Pulp - Common People

Gosto destes tipos, em particular do Jarvis Cocker. Olho para ele e recordo-me como era na adolescência: alto, desengonçado, magro e com um penteado que só mais tarde concluí que era um bocadito ridículo. E parvo, característica que ainda hoje mantenho com um certo prazer.


Fico todo orgulhoso cada vez que a Vanessa Fernandes conquista mais um título internacional no triatlo. É reconfortante perceber que ainda há homens em condições no desporto português.

15.9.07

Bom, já que certas pessoas adivinharam que uma seta atravessou a minha pessoa, não há como mentir mesmo. É verdade, declaro-me culpado. E é tão bom sentir o que sinto depois de tanto tempo em que tal sentimento andou arredado de mim. Ainda por cima alguém como ela, com um sorriso misterioso e belo como nunca vi, um sentido de humor contagiante, uma alegria admirável e linda, sobretudo linda. Uma pessoa que me deu vontade de fazer alguém feliz de novo. Que está longe, é certo, mas que um dia vai (vamos) estar bem perto. E ela tem nome, chama-se Patrícia, prefere que a tratem por Paty e a responsável por eu estar a sentir esta coisa esquisita e boa que se chama paixão. Obrigado linda, és um amor!

Lá terá que ser...

... diz que é uma corrente. E eu dessas coisas tenho medo, muito medo. Tanto que enquanto escrevo estas curtas linhas estou a urinar-me pernas abaixo.

14.9.07

E este é um dos melhores beijos que vi até hoje. Cinema Paraíso, claro... Lindo!

Mar Adentro

Confesso que chorei quando vi esta cena pela primeira vez...

13.9.07

Praga, Praha, Prague

Senhoras e senhores, eis a cidade mais bonita que tive o privilégio de visitar. Percorri aqueles cantinhos todos com a melhor companhia do mundo. Obrigado, mana: foste o melhor que podia ter tido numa fase bem complicada da minha vida!

Pergunta inocente: a novela da Maddie vai durar tanto como o 'Anjo Selvagem'? Não valerá a pena acabar com isto de uma vez e revelar que o mordomo é o verdadeiro pai da miúda e que Gerry, num acto de desespero brutal, matou-a e escondeu o corpo no armário do quarto do Ocean Club, onde acabou por descobrir uns seis ou sete outros amantes da mulher? E, já agora, que o mordomo é um queniano que vendia estátuas de madeira em Lagos e está a actualmente a destruir mais casamentos algures entre Benidorm e Torremolinos? Quanto a Kate, está grávida de um menino a quem pensa baptizar como Madeleine, futuro travesti de sucesso em Leicester. Estou é ansioso para saber o final dos agentes da Polícia Judiciária envolvidos na investigação do caso. Parece que vai sair dali um casamento a realizar no Canadá.

12.9.07

Mas isto sim: é a cena final perfeita, de um filme perfeito, com uma banda sonora perfeita. Quem nunca viu isto merece o inferno. Quem viu e não se emocionou é porque não tem sangue a correr nas veias. Quem nunca chorou é porque não é sensível o suficiente para apreciar a beleza. De tudo.

Magnolia - Wise Up

Eis a (quase) cena final de um dos meus filmes favoritos. A banda sonora, da menina Aimee Mann, é ainda melhor. Grandioso. Que saudades de ver isto outra vez. Espera lá, acho que tenho o filme ali em DVD, foi uma das melhores prendas do meu 30º aniversário, ainda por cima oferecida por um grupo de GRANDES amigos que decidiu encher-me as medidas com um monte de filmes me fazem babar de satisfação. Só faltou o Cinema Paraíso, mas estão perdoados. Obrigado camaradas! Por vossa causa lá vou eu deitar-me outra vez madrugada dentro com uma manhã de trabalho à minha espera...

11.9.07

Portishead - Glory Box

Se fosse mulher, esta era a canção que exemplificaria de forma perfeita o que esperaria do homem que desejasse amar da forma mais intensa do mundo. Como sou homem, limito-me a esperar que alguma me diga um dia uma coisa do género.

10.9.07

A 11 de Setembro de 2001 cheguei ao jornal onde trabalhava na altura e ao olhar para a televisão vi um avião embater numa das torres do World Trade Center. Ao lado, um colega cujo nome me abstenho de escrever mas que posso afirmar que é dos tipos mais broncos que conheci até hoje, garantia-me que se tratava um aparelho da polícia que estava em perseguição a um pequeno Cessna que tinha chocado contra a outra torre do WTC.
Confesso que achei aquilo muito estranho e não demorei muito tempo a percerber que aquela teoria era completamente absurda, assim como as 500 que se seguiram aos atentados – um pouco ao ritmo do que hoje se vai passando com o caso Maddie. O coração dos Estados Unidos tinha sido atacado e pensei de imediato que estava em marcha o início da III Guerra Mundial. Por breves instantes imaginei-me no meio de um cenário de conflito qualquer, mas enfiei um pacote de açúcar na boca e desci à Terra em dois tempos.
Pouco depois de as torres caírem, literalmente, algo a que assisti com a boca aberta de espanto (o que eu gosto de bocas abertas de espanto) mandaram-me realmente para o World Trade Center. Estive para responder que não valia a pena porque já não havia World Trade Center e o jornal não comportaria uma viagem de urgência para Nova Iorque – o máximo que estive para fazer no estrangeiro foi um trabalho em Omã, adiado precisamente por causa do 11 de Setembro – mas o que a chefia pretendia era que fosse para o World Trade Center do Porto, onde havia uma bela de uma ameaça de bomba.
Lá chegado, deparei-me com uma cena verdadeiramente portuga: o edifício fora evacuado por razões óbvias mas perímetro de segurança nem vê-lo. Resultado, uma multidão concentrava-se à porta e esperava pacientemente que a bomba explodisse. O que seria bom para mim em termos jornalísticos porque assistiria ao vivo e a cores a um pequeno massacre que arrastaria para a morte uns cem pacatos cidadãos que apenas queriam divertir-se a ver uns engenhos fazer um prédio ir pelos ares.
Tal não aconteceu mas mesmo assim deu para fazer umas coisas no local, não me lembro exactamente o quê. O que sei é que, regressado à redacção, tive ainda trabalhinho de sobra até às três da manhã (isso mesmo, três da manhã!). Eu e o resto dos camaradas, verdade seja dita. Valeu um rápido mas agradável jantar pelo meio, em Leça da Palmeira, onde ouvi uma das melhores da noite: uma senhora que se queixava do cancelamento da emissão do Big Brother 'só' por causa do que acontecera em Nova Iorque. Ainda por cima em noite de expulsão, lamentava ela...
Resumindo, foi um dos dias mais trabalhosos que tive até hoje mas que me deu um prazer do caraças. Até porque no meio da anarquia a coisa correu bem graças à inteligência e cabeça fria de meia dúzia – eu apenas me limitei a embarcar na onda. Quem dera mais dias do género, garanto que são coisas destas que me dão verdadeira pica.


PS: A 11 de Setembro de 2007 vou fazer um julgamento de uma senhora que decidiu simular uma gravidez e raptar uma bebé de um hospital. Levarei um rádio pequeno para ficar colado ao ouvido não vá o Bin Laden lembrar-se de derrubar outras torres quaisquer, o malandro.

9.9.07

The Clash - Should I stay or should I go

E como se esquecem tristezas futebolísticas e outras que não vêm ao caso, como é? Ouvindo isto. Outros que são grandes, muito grandes, bastante grandes, enormes. Não é que seja intolerante, mas quem não gosta dos Clash merece ser colocado numa jaula de tigres com o cio.

8.9.07


Pensava que Octávio Machado era o único treinador que colocava um jogador com pouco mais de 1,65 metros como ponta de lança. Enganei-me, Luiz Felipe Scolari é igualmente burro a esse ponto. O homem pode ser muito bom a nível psicológico com as injecções de confiança dadas aos jogadores através de bilhetinhos e outros mimos. Agora, a nível táctico é um desastre. E comprovou-o bastas vezes, as suficientes para já ter levado um pontapé no cu e ir chular outra federação ou clube quaisquer.

Além disso, nunca lhe vou perdoar a humilhante derrota com a Grécia na final do Euro 2004 e outras patetices, como a incapacidade de virar o jogo contra a França na meia-final do último Mundial – parecia que estava em pânico no banco. Porque não sou dos que me contento com vitórias morais. É o que dá ser adepto de um clube que já foi duas vezes campeão da Europa e do Mundo e soma títulos atrás de títulos a nível interno: fica-se mal habituado.

Pixies - Vamos

Eles são os maiores. Os maiores não, dos maiores. São grandes, loucos, deliciosos. E já me acompanham desde há tanto tempo que merecem aparecer aqui mais do que a conta. Ai Pixies, Pixies, o que muito curti à vossa custa... E continuo a curtir, o que é interessante. Tenho um amigo que diz que até dar uma queca ao som deles sabe melhor. Mas da minha vida sexual não falo, por isso ficam por saber se prefiro ouvir Pixies ou música de fazer meninos enquanto me dedico a prazeres carnais. Se bem que música melosa me faz adormecer em qualquer circunstância.
Pixies forever!

Um soco bem dado no estômago, um pontapé que estale perónio e tíbia ao mesmo tempo, uma cabeçada que estraçalhe a cana do nariz em pedaços mais finos que vidro, dois dedos olhos acima, outro murro no meio das pernas até rebentar com túbaros ou trompas de falópio e muito mais coisas violentas que agora não me ocorrem. É isso que me apetece fazer à próxima pessoa que a mim se dirija e fale da Maddie.
Puta que pariu a miúda e todos os que não aguentam estar dez minutos seguidos sem atirar para o ar teorias estúpidas sobre o seu desparecimento.

7.9.07

Pavarotti - Nessun Dorma

Que ele era grande, era. E isso acho que é inegável. Mas, quanto a mim, o maior mérito de Luciano Pavarotti foi o de te ter tornado a ópera e a música clássica acessíveis a todos sem receio de chocar as mentes mais eruditas e fechadas do meio. Só por isso merece toda a minha consideração.
E o Nessun Dorma arrepia. Muito.

Às vezes que acho que sou parvo de mais e que gostaria de ser mais sério um bocadinho. Outras penso que se vivesse a vida sem tanto sorriso tonto isto seria uma grande chatice. E nos entretantos vou procurando o equilíbrio sem, no entanto, o encontrar. Por esses caminhos vou-me cruzando com gente que me atura e pensando se o fazem porque fica sempre bem dar bola a um maluco ou porque têm realmente consideração por mim.
Alguém me recomenda um bom psiquiatra ou acham que se mudar muito deixo de ser quem sou e passo a ser alguém que não se conhece?
Agora tem-me dado para encontrar as pessoas mais improváveis, nos locais mais improváveis a horas mais improváveis ainda.
Ou o destino me está a querer dizer qualquer coisa que ainda não entendi o que é, ou então são mesmo coincidências.
Prefiro acreditar nesta última possibilidade.

5.9.07


Um calor de mais de trinta graus, roupa colada ao corpo, uma auto-estrada a ferver quase no meio da montanha, rotundas a perder de vista e sem sentido que provocam irritação e ligeiros enjoos, caminhos de terra batida feitos num belo de um Fiat Punto, inversões de marcha e manobras arriscadas em terreno no meio do nada, textos enviados de um tasco onde o volume da televisão era superior ao das colunas de uma discoteca, estradas municipais em que o mato entrava pavimento dentro, um carro cheio de moscas, cães que o perseguem e pessoas que só dizem aquilo que não queremos ouvir.
Vida de camionista tem destas coisas...
Quem me dera ser escriba.

3.9.07

U2 - One

Dei por mim a ouvir a ‘One’ de novo ao fim de tanto tempo. E não que até cheguei a arrepiar-me como me arrepiava dantes? Pensava eu que já não sabia a letra e cantei-a do princípio ao fim. Para mim, claro, que não passo vergonhas em público. Gosto particularmente deste videoclip gravado em Berlim, com os velhinhos Trabant em plano de destaque. E eu que estive quase a conduzir um e só não o fiz porque sou mais desconfiado que o pior dos desconfiados. Agora arrependo-me...
Mas que isto é bonito é, não venham cá dizer-me que ando lamechas.

2.9.07

Radiohead - Bullet Proof ... I Wish I Was

Mais outra que me deixa para lá de mim. Do mesmo álbum, The Bends, da fabulosa Fake Plastic Trees. Esta não lhe fica atrás, pelo contrário, anda uns passinhos à frente na minha escala de preferência (escala de preferência é bom e nunca tinha escrito).

Obs: o vídeo não é o oficial porque, vá lá saber-se porquê, o respectivo proprietário não o deixa blogar (mais uma virgem para mim, isto hoje está a correr bem).

Devo ter sido o único portuense que não assistiu ao vivo à corrida de aviões organizada, ou patrocinada, pela Red Bull. Para passar uma tarde rodeado de multidão a um fim-de-semana mais valia ter ido para a praia ou tomar café junto ao mar. Ou então a um centro comercial. Mas ainda tenho amor próprio. Por isso, fiquei em casa a preguiçar. Não leventei encontrões, evitei uma insolação, ouvi música, dormi, espreguicei-me bastante, cuidei do gato, bebi uma cerveja ou outra, joguei Football Manager, falei tranquilamente ao telemóvel com uns amigos, passei pela internet, revi um filme que adoro (Malena), pensei em ti e ainda me dei ao trabalho de cozinhar aquilo que deveria ter sido uma bela massa com cogumelos e atum, que por acaso não saiu lá muito bem – o que vale é tenho sempre fruta em casa para compensar tragédias culinárias.
Um dia bem mais produtivo.