31.10.09

Há quem ande por aí frenético a comemorar o Dia das Bruxas e não se dê conta que em Portugal a efeméride (ou whatever) se devia assinalar todos os dias. Basta sair à rua e contemplar a fronha de 90 por cento das mulheres portuguesas. Há abóboras com muito melhor aspecto...

22.10.09

Duas das pessoas que mais prezo – que amo, melhor dizendo, porque não há que ter medo e preconceito de colocar as palavras certas no lugar que lhe são devidas – estão neste momento naquele limbo que separa este do outro lado. Admiro-lhes a luta diária que dignamente mantêm, a força com que se agarram à esperança de viver, o prazer doloroso mas inigualavelmente saboroso com que vencem o sofrimento. Desabo por dentro quando obstáculos inesperados lhes complicam ainda mais a árdua tarefa e o legítimo direito de conquistar o prémio que merecem: a Vida.

A pessoa que mais sentido dá para que isto continue a ter piada para mim, sem dúvida o melhor raio de luz que a vida me reservou, prepara-se para enfrentar a mesa de operações na semana que vem.

Eu estou desempregado há meio ano – mais do que isso, as perspectivas e a esperança de encontrar um trabalho decente são praticamente nenhumas.

No meio disto tudo há quem me venha falar em Deus e me peça para acreditar e ter fé em algo superior. Para quê e porquê? Como diria o outro, só se para piorar ainda mais as coisas Ele (ou deverei escrever apenas ele?) me despentear.

12.10.09

Balanço eleitoral das autárquicas (e o vídeo em que Fátima Felgueiras chora a derrota)

O PS ganhou. Mais câmaras, mais mandatos, mais confiança. Estamos perante um PRI em potência. Que mexicanos já somos após, pela primeira vez desde o 25 de Abril, uma pessoa ter sido barbaramente assassinada durante um acto eleitoral.

O PSD afundou-se e ameaça entregar a direita ao CDS/PP nos próximos quatro anos se não tirar conclusões claras sobre o que foi a sua vida interna nos últimos quatro.

O CDS/PP é um partido em crescendo mas apenas a nível nacional. No poder local, é uma vergonha quando comparado com o que já foi em tempos idos. Hoje é apenas uma âncora envergonhada de um suposto grande partido.

A CDU continua o caminho cego para o abismo . E o Alentejo deixou, oficialmente, de ser vermelho.

O Bloco de Esquerda confirmou o que vale em matéria autárquica: zero.

Os independentes corruptos continuam no poder. Pelo menos até a Justiça os arrancar das câmaras que lideram e lhes guiar o caminho para a cadeia.

A boa notícia da noite foi a não reeleição de Fátima Felgueiras. A reacção da senhora ao inesperado resultado está descrita no vídeo aqui disponível.

22.9.09

Summer's Gone (Placebo)

Daqui a uns dias juro que explico a razão de este antro andar tão abandonado de há uns tempos para cá. Até lá vou preparar-me para o Outono. E continuar a espantar-me com a força de querer agarrar a vida de uma das pessoas a quem mais devo, das ínfimas que verdadeiramente adoro e por quem era capaz de fazer tudo e tudo o que fizesse seria sempre pouquíssimo. Um Pai, resumidamente.

3.9.09

Cheira-me...

O novo filme de Giuseppe Tornatore, Baaria, ainda não estreou em Portugal. No entanto, os críticos do Público não perderam tempo e começaram já a desancá-lo.
Temos obra-prima.

Tem a sua piada, tem

2.9.09

O (meu) País Basco


Estive recentemente no País Basco e desmontei quase todas as ideias que tinha sobre o que na realidade lá se passa e quais as reais ambições nacionalistas/independentistas da região.

Para começar, quase ninguém fala basco. Apesar de ser uma língua ensinada nas escolas, difundida nos media (há três canais de televisão que transmitem exclusivamente em basco) e espalhada por tudo o que é indicação oficial (ruas, monumentos, edifícios, etc), o certo é que basta andar na rua e perceber que as conversas são em castelhano. Seja no centro de Bilbau (supostamente a cidade onde os fervores nacionalistas mais se fazem sentir), seja numa pequena aldeia encravada na montanha. E a língua é um dos principais factores de identidade de um povo, basta ver que na Catalunha toda a gente se expressa em catalão e na Galiza em galego.

Os sinais de apoio à linha radical da ETA são praticamente inexpressivos. Cartazes de apoio aos separatistas bascos (e corri Alava, Guipuzkoa e Biskaia, as três províncias bascas), não os vi. Murais do género vi-os poucos (uns três ou quatro e todos em locais isolados) e bandeiras de apoio aos presos etarras penduradas nas janelas só as vi duas (uma na zona antiga de Bilbau, a outra numa pequena aldeia na estrada que corre a costa até San Sebastian). San Sebastian onde estive um dia depois de uma manifestação de supostos apoiantes da ETA cujo impacto foi mínimo (quase tantos polícias como manifestantes) e ao qual a comunicação social (pública e privada, anti e pró-nacionalista) deu relevância menor.

O Athletic Bilbau, um dos maiores clubes de Espanha e o maior catalisador desportivo das ambições nacionalistas bascas, possui uma forte identidade nacionalista, é certo, mas apenas isso. Os adeptos (sim, eu estive no mítico San Mamés), comunicam-se em castelhano e não aproveitam os jogos para ensaiar protestos pró-independência. Os poucos que o tentam são assobiados pelos restantes.

Resumindo, o que o País Basco representa é uma região com forte identidade nacionalista. Confundir isso com o desejo independentista de uma pequena minoria é pura ilusão – ou querer falsear a realidade. E confundir nacionalismo com tendências independentistas é completamente absurdo, para não dizer ignorante.
Duvido que a ínfima parte dos que um dia desejam um País Basco independente concorde com os métodos terroristas da ETA. O que todos pretendem é uma autonomia forte, que em parte já existe mas ainda pode ser reforçada, que lhes reconheça as suas características históricas e culturais. E com isso concordo em absoluto.

Agora só espero que a ETA não se lembre de ler isto e depois colocar uma bomba lapa debaixo do meu carro.

1.9.09

Ponderações

Estou cada vez mais decidido a sair daqui para fora.
Antes olhar a merda de longe do que senti-la na boca.

Fridas


Não resisto a contar um episódio que tive o privilégio de vivenciar na FNAC aqui há uns meses, poucos, talvez em Julho (também precisões destas não são aqui necessárias que isto não é nenhuma acta oficial).
Andava em busca de bilhetes para o concerto que Frida Hyvönen deu em Braga (que acabei por não ir ver) quando me dirigi à bela da bilheteira da FNAC do Norteshopping e auscultei sobre a disponibilidade dos ditos.
- De quem?!
- Frida Hyvönen.
- Não sei se há, um momento que vou verificar no computador.
- ....
- Como é que disse que se chamava a cantora?
- Frida Hyvönen.
- Só um momento que estou a analisar.
- Ok.
- É, realmente não temos. Aliás, tem a certeza que ela se chama Frida Hy... como é que disse que era?
- Hyvönen.
- Não será Frida Kahlo? É que a outra não conheço.
Pago, em média, 7,5 euros mensais de conta de água.

Ou a água realmente é barata no concelho onde moro (Matosinhos), ou então tomo tão poucos banhos que ainda não me dei conta que ando a descuidar os hábitos de higiene.

20.8.09

Crónica de um recém-desempregado XII

Porra que ainda agora regressei ao marasmo e já tenho que tomar decisões que podem fazer a minha vidinha dar uma volta nos próximos tempos. Mais do que as tomar, o que mais me custa é ter que o fazer sabendo que nada será como dantes.

Mas o que tem que ser tem muita força, lá diz o povo. E com toda a razão.

19.8.09

On the road VII


Palácio projectado por Gaudi, León, Espanha

On the road VI


Ciudad Rodrigo, Espanha

On the road V


Pirinéus, França

On the road IV




Anoitecer nas imediações de Segóvia, Espanha

On the road III


Andorra

On the road II


Museu Guggenheim, Bilbau, País Basco, Espanha

On the road I


Algures por Espanha

8.8.09

Boas férias para mim *

Durante uns dez dias não vou andar por aqui. Irei desligar-me de tudo, esquecer as confusões que tenho vivido nos últimos tempos e concentrar-me somente na única razão que dá sentido à minha vida. Sem destino. Apenas eu, tu e um pedacinho da Europa como companhia. On the road, como o sr. Kerouac. Embora com menos droga no corpo.

* sim, que um desempregado também tem direito a tal

É aproveitar

Há quem veja janelas de oportunidade em tudo o que é situação, mesmo que a mais funesta. Por isso mesmo, Alexandra Solnado tem previsto um novo best-seller. Mais uns meses, talvez pelo Natal, lançará no mercado a obra "Conversas com o meu pai".



(Era o mestre do melhor humor que se faz por cá, é apenas o que tenho a dizer de Raul Solnado)