4.2.09

Crónica de um recém-desempregado IV

Tamanho é o buraco em que estou enfiado que o fundo do dito é difícil de descortinar.

Pensar em desparecer é coisa que me passa pela cabeça frequentemente, mas que logo se esvai por ser racional o suficiente para perceber que não adianta de nada. Além disso, sempre fui ensinado a olhar os problemas de frente e nunca a fugir deles.

O que mais me aflige é ter a noção que estou a deixar de ser eu mesmo e que me transformo diariamente em algo que não sei bem o que será mas que receio.

Valem-me muitas coisas. O conforto da família, os amigos, os colegas. E, mais do que tudo, poder pegar na tua mão e sentir que ao pé de ti nada mais importa do que ver-te verdadeiramente feliz. É essa a razão principal que ainda me faz sentir uma ponta de optimismo e afasta de vez a palavra desistir do meu dicionário mental. Porque nada irá estragar um bem precioso que me caiu na vida de forma tão incrível. Como que a dizer que a vida tem sentido. E tem. Contigo tem. Bastante.

5 comentários:

Dylan disse...

Não o conheço pessoalmente mas tenho a dizer que a minha mulher tambem passou pelo mesmo pois tem a mesma profissão.
Só me resta dizer que melhores dias virão mas é importante manter um espírito de luta, de procura, de amor próprio.
Abraço.

Anónimo disse...

Tu foste literalmente a melhor coisa que me podia ter acontecido por entre toda a neblina e incerteza sobre as nossas vidas...estou ao teu lado para o que for preciso...tens muito valor e sei que vais dar a volta por cima desta situação...

O resto tu já sabes...
Um beijo

Sónia

Maryposa disse...

cada vez que leio os teus relatos, ou ouço as estórias que se vão contando enquanto se espera por mais um ministro/juiz/conferência/whatever fico em estado de estupor e a pensar quem serão as próximas vítimas. começou no janeiro (ainda sem ser a propósito da 'crise'), continuou pela controlinveste, e agr? seguir-se-á a cofina? o grupo lena? os gratuitos? a lusa?
resta emigrar ou repensar todo um percurso criado, trilhado e suado.
ou então esperar para ver se a onda passa..

filinto disse...

Se a porta da frente está fechada, tentemos a dos fundos. É um dos meus lemas. Tem a ver contigo, connosco, com a profissão. E se alguém que te quer diz para não desistires vais ouvir quem? Ouve esse alguém, sempre

m.paula disse...

Pedro, quando nos fecham uma porta, há sempre alguém que vai abrir uma janela.
E tu irás sorrir em seu redor.

Bjs
Fica bem