23.6.08

São João

Há duas coisas que me deixam a modos que intrigado com coisa do São João. Não que me vá suicidar por não aguentar viver com tamanhas dúvidas, é simplesmente espécie. Gosto tanto de espécie. Sobretudo pronunciado por alguém com um forte sotaque do norte. Sai qualquer coisa como 'espéce', o que equivale a dizer que a pessoa em causa parece que tem os lábios deformados ou não aprendeu a falar como deve de ser. Pode dar-se o caso de ser mongolóide, mas não me apetece colocar isso em questão.

Bom, o São João é fascinante no sentido curioso do termo porque ainda não consegui entender em que consiste a piada de levar marteladas – de plástico, é certo – na cabeça durante uma noite inteira. Ou seja, e falo por experiência própria, é chegar a casa com o crânio literalmente massacrado umas centenas de vezes. Se juntarmos a isto que já se está bem bebido, é bom de dizer que o dia seguinte é ideal para ficar em casa deitado na cama a recuparar do masoquismo.

Outra coisa é o fogo de artifício, ritual onde se gastam milhares de contos, em moeda antiga, e o proveito é pouco. São quinze minutos em que se fica de pescoço inclinado a olhar para o ar a ver os foguetes estourar a bom ritmo. Acresce o tal teor etílico do corpo e a estupidez de estar à mercê dos carteiristas. Por acaso, verdade seja dita, nunca fui roubado, mas já dei por mim com o estômago às voltas depois de quinze minutos a ver cores sucederem-se umas às outras no ar e um barulho ensurdecedor a azucrinar os ouvidos.

Agora, do que tenho saudades é daquelas festas de São João que terminavam madrugada dentro na praia. Não digo é a fazer o quê porque descobri recentemente que a minha mãe também lê este blogue.

7 comentários:

Anónimo disse...

Dealer...

Escolhe: Um espectáculo pirotécnico...ou a maior exposição de caniches de sempre?

ahahahahahahah

Bjs. :)
Cat.

Pedro disse...

Antes um espectáculo pirotécnico de cinco horas seguidas que um caniche perto de mim dois minutos. Nem são cães nem são nada. São ridículos, simplesmente ridículos.
Beijocas e abraços again

Hoje sou dealer de quê, já agora?

Anónimo disse...

Hoje...dealer de, "pedaços de lua de açucar"...

(Sempre gostei desta expressão...obrigado livrinho, obrigado) :)

Pedro disse...

Que caraças são "pedaços de lua de açúcar"? Se andas a ler Paulo Coelho, juro que deixo de falar contigo...

Anónimo disse...

Seu "insensível"...:)
E se te disser que colhi a expressão deste poema de Al Berto...

quando te escavaram o ventre

"quando te escavaram o ventre encontraram traços adormecidos doutros povos
enigmáticos colares, pérolas corroídas, aços imutáveis, escritas duma outra idade, vestígios de insones navegações

da terra sobe um murmúrio de húmido coração
os vermes vão tecendo a recordação dos mortos para que possamos sobreviver ao estrondo da pólvora e da dinamite
as máquinas quase destruíam as torres duma cidade imaginada, submersa, inacessível, que eu suspeito ter sido construída com vento-suão
mas, é o negro ouro que atravessa os teus metálicos instestinos
com ele vais refinando a morte das aves e esquecendo a vida dos peixes
digo, das águas enfurecidas irromperá o desastre

se por qualquer razão te esfaquearem de novo, nada mais encontrarão que pequeníssimos cadáveres de saudade
ouço o resfolgar de remotos náufragos...lembro-me das pedras mortas dos teus pulsos
o peito rasga-se-me, uma lata de óleo trabalha o sangue

no céu terei sempre um pedaço de lua de açúcar, e uma estrela para iluminar o teu rosto de árabe antigo"

Al Berto

...Sabes o que merecias agora, não sabes?...

Pedro disse...

É o que se diz acabar com uma pessoa por KO qualificado. Considera-te redimida. Escrevres um poema do Al Berto é o melhor que podias fazer para subires 4578 pontos na minha consideração.
Viva os caniches e os pedaços de lua de açúcar.

Anónimo disse...

Amanhã, serás, conforme acordado por unanimidade, dealer de "arrepios de vertigem"... :)

Bjs.