24.2.08

Parece que hoje decidiste adormecer e que dificilmente acordarás desse sono. Serena e calmamente fechaste os olhos e começaste a dizer adeus a quem te rodeia. Um adeus sem prazo definido. Mas isso não importa, avó. O que importa é que sintas paz contigo própria e que demores o tempo que desejares a despedir-te. Porque quem cá fica sabe que partirás tranquilamente, sem sofrimento, que é o que mais importa no meio disto tudo.
Ainda me lembro bem quando te fui ver pela primeira vez e disse que não tardaria muito e sairias daquela cama de hospital daí a poucos dias. Sorriste e disseste "oxalá". Já lá vai mais de um mês e está visto que não acertei. Parece que o destino se atreveu a traçar-te outro caminho, talvez eterno. Talvez não, eterno de certeza absoluta. Mas enquanto por aqui estiveres, sabes que nunca estarás sozinha.
Sabes uma coisa? Cá dentro ainda acredito que vais chegar aos 100 anos. Prefiro esquecer o que os médicos disseram ao pai e concentrar-me nisso. Acreditar que vais despertar e sorrir. Acreditar, sobretudo isso.
Até já.

1 comentário:

EU disse...

Um beijo cheio de força!