19.4.07

Está bem que sou distraído por natureza, mas nunca me tinha acontecido deixar as portas do carro por trancar. Pois assim ficaram durante um dia inteiro numa zona do Porto onde abundam prostitutas, travestis e chulos – não estacionei lá por gosto, apenas porque foi o único lugar disponível que encontrei após perder quase meia-hora à procura de onde encaixar a viatura. Espantoso foi ninguém ter aproveitado para assaltar o belo do automóvel. Andam os ladrões a partir vidros e a estroncar canhões das fechaduras para gamar auto-rádios e quando têm à mão de semear um alvo tão fácil assobiam para o lado. Se fosse gatuno agiria exactamente da mesma forma. É que roubar assim seria como roubar um chupa-chupa a uma criancinha. Também foi agradável constatar que as duas senhoras meretrizes, ou seriam senhores?, que estavam pacientemente encostadas a um poste mesmo em frente ao meu carro foram decentes o suficiente para não fazer o servicinho dentro dele. Subiram dois pontos na minha consideração. Mas não julguem elas que da próxima vez que me cravarem um cigarro como argumento para me convidarem para subir para o quarto vão ter sucesso. Cigarros ainda arranjo, doenças infecto-contagiosas não me apetecia muito apanhar.

18.4.07

Enquanto o país inteiro discutia a aventura universitária de José Sócrates, o primeiro-ministro passou um par de dias em Marrocos. Conversações bilaterais, dizia a agenda oficial. Cá para mim foi tirar um mestrado rápido em engenharia civil e ainda trouxe uns tapetes como prémio pelo bom aproveitamento.

15.4.07

Agora deu-me para ter insónias. Antes isso que gases, é certo. Mas é chato, sobretudo porque nunca sei o que fazer para ocupar os minutos que deviam ser há muito estar preenchidos com sono profundo. Já tentei ler Lobo Antunes mas não resultou. Ouvir Madredeus idem. Enquanto estou a teclar estas linhas estúpidas a vontade de dormir também não aparece. Depois talvez vá lavar louça. E organizar os meus DVD. Pode ser que adormeça no chão da sala. O tapete que lá tenho é bem aconchegante.

14.4.07

Não deixa de ser curioso que o homem que lançou a mais insidiosa campanha anti-imigração em França seja familiar de húngaros que fugiram do país de origem para tentarem encontrar melhores condições de vida numa nação livre e aberta, porque então necessitada, de mão de obra estrangeira. A memória é curta para Sarkozy. Mas os franceses, pelos vistos, conceder-lhe-ão a mesma recompensa que os portugueses concederam a quem desbaratou a excelente oportunidade de nos aproximar do pelotão da frente da Europa, desperdiçando fundos europeus sem o mínimo de visão a longo prazo. São assim os dois povos, têm ambos um coração de manteiga. Sobretudo para com quem lhes lixa o futuro.

13.4.07

O Governo devia exigir a retirada imediata dos outdoors que apresentam a Cláudia Vieira a publicitar lingerie da Triumph. Aquilo pode provocar acidentes rodoviários com consequências imprevisíveis se continuar exposto. Falo por mim. Já por duas vezes que ia batendo no carro da frente por ter ficado hipnotizado com tão simpática figura.

12.4.07

Acho que os militantes masculinos do PNR são uma cambada de gays. Como é que é possível que sejam contra a imigração com tanta ucraniana boazona que por aí anda?
Os rituais matinais de fim-de-semana dos tugas intrigam-me. Não sei qual é o prazer de levantar cedíssimo da cama e ir para a rua de fato de treino e sapato de sola lavar o carro. Ou aspirar a casa com música do Tony Carreira como banda sonora e, ainda por cima, num volume que viola claramente a lei do ruído. Também acho piada, ou não, aos que enchem os hipermercados e desatam a apalpar tudo o que é produto comestível para depois o voltar a colocar na prateleira, aos que vão dar passeios de carro a 10 à hora e aos que aproveitam para conversar aos berros nos corredores do prédio, queixando-se do gestor de condomínio, do porteiro e do vizinho do 3º frente, que por acaso não sou eu. Será que não há pessoas normais que prefiram dormir?
A frequência universitária dos nossos últimos primeiro-ministros dá que pensar. Sócrates é engenheiro não se sabe muito bem como, Santana Lopes fez o curso de direito aos pedaços e nunca deve ter defendido um cliente na vida e Durão Barroso passou o tempo de estudante a partir cadeiras e mobliliário afim em nome das nobres causas do MRPP. Se gajos destes acabam à frente de um Governo, começo a suspeitar que daqui a uns anos vamos ter a mandar em nós um daqueles moços que mostraram o rabo para protestar contra as propinas.

8.4.07



O que gostava de enfiar um cacto pelo traseiro deste senhor. Ou um pinheiro. Soltar-lhe uma matilha de cadelas pittbull com o cio também não seria má ideia. Mas o melhor, e mais seguro, era cuspir-lhe na cara. O tipo ainda podia gostar do resto e quem ficava mal era eu. E aquela pêra a escorrer gosma deve dar uma imagem bonita. Atrasado mental...
Se Jesus realmente levou a carga de porrada relatada pelo Mel Gibson na "Paixão de Cristo", eu acho que os cristãos não adoram o homem, são é masoquistas. Ou do Sporting.
Pronto, não chora, o papá já chegou... E pimba, uma carga de vomitado em cima do casaco. Que belo cenário. E eu a olhar de lado e a agradecer o não ter tido filhos no meu curto consulado martimonial. Dasse...

3.4.07

Urge Overkill

Quando uma canção parece particularmente composta para UMA grande actriz

1.4.07

Bósnia

Foi há pouco mais de 10 anos. Aqui ao lado.

29.3.07

Um estudo de uma universidade britânica indica que os homens altos são mais agressivos que os baixos. Posso dizer por experiência própria que os senhores que fizeram a experiência estão completamente errados. Pelo menos no que à minha parte diz respeito. Apesar do meu 1,85 metros nunca agredi ninguém. Minto, espetei um valente soco na cara a um colega de escola que me acusou de lhe estragar o iôiô – questão de honra quando se tem pouco mais de 12 anos. De resto, nada. Nem um sopapo, nem um pontapé, muito menos pensei em atirar alguém para a frente de um camião TIR em andamento. Quer dizer, pensar até pensei, mas faltou-me coragem. Tirando este pequeno laivo de agressividade imaginada sou um paz de alma. Daí alguns amigos chamarem-me São Bernardo. E tal não acontece porque ando com um pequeno pipo ao pescoço, por me babar estupidamente ou por me deitar pachorrentamente nos seus colos. Acho...

28.3.07

Para o caso de algum membro de uma associação de defesa de animais ter lido o post anterior, quero deixar bem expresso que estava a brincar, ok? Preocupem-se lá com o que se têm de preocupar. Com os coitadinhos dos pittbull e dos rottweiler que andam por aí a matar pessoas porque os maus dos donos só lhes fazem maldades. E outras coisas do género. Já agora, se quiserem seguir um conselho meu façam o seguinte: nas próximas festas de San Fermín, em Pamplona, tentem aproximar-se dos touros que descem as ruas a grande velocidade até à arena e dêem-lhes assim como que um carinho fofinho na testa. Se não tiverem essa sorte e forem atropelados pelo bicho, talvez depois possam reflectir nas posições idiotas que assumem a maior parte das vezes enquanto recuperam na cama do hospital.
Depois de há alguns dias ter constatado que o meu gato anda com uns olhares estranhos, fiquei agora consternado quando o vi deleitado no meio da minha roupa com ar de tarado sexual. Chamei-o à atenção e obtive como resposta um sorriso malicioso seguido de um miar de engate. Porco. Anda um gajo a dar-lhe atenção e recebe traições destas como recompensa. Quer dizer, agora vou andar traumatizado porque tenho um felino gay à solta no meu próprio apartamento? Era o que mais faltava... Talvez o ofereça à Sociedade Protectora dos Animais. Quando ele se vir rodeado de mais três gatos com o cio apurado a tentarem saltar-lhe em cima talvez mude de ideias em relação às suas supostas preferências sexuais. Ou então ofereço-o a um restaurante chinês. Agora que a ASAE anda em cima deles, devem andar com falta de ingredientes. Mas antes disso faço o teste final. Solto-lhe uma gata e observo a reacção. Se se perder de amores por ela, é sinal que merece a minha consideração. Caso contrário, é certo que vai enfeitar muitos pratos de galinha com amêndoa ou de chop soy de vaca. Com um pouco de molho de soja a mais é bem capaz de ninguém dar pela diferença.

27.3.07

Salazar foi eleito o melhor português de sempre e eu acho muito bem. Realmente só um homem com uma inteligência superior como a dele tem a capacidade de transformar um país num manto de gente tacanha, amorfa e resignada e faz prevalecer tais características em sucessivas gerações. Como estas que o colocaram em primeiro lugar no concurso da RTP.

É por isso que eu digo que somos um país engraçado. Para não chorar e corar de vergonha.

26.3.07

Arcade Fire - Une Annee Sans Lumiere

Os moços parece que também são bons ao vivo. Pena que este ano apenas vão tocar a Lisboa. Até estes pequenos prazeres a capital nos rouba.

25.3.07


Estes senhores não são maus, muito pelo contrário. Ainda por cima têm um certo ar negro a rodeá-los que me agrada. Pena só os ter descoberto agora, mas acho que não vou tarde.
Ainda bem que a hora mudou num dia em que estava de folga. Caso contrário teria chegado uma hora atrasado ao trabalho.
Irrita-me todo o histerismo que assalta a maioria dos portugueses quando joga a Selecção. A cobertura do jogo com a Bélgica foi mais um exemplo disso mesmo. Parecia que estava em causa a final do Campeonato do Mundo. Directos idiotas para encher chouriços, o povão a debitar postas de pescada como se estivesse a falar de cátedra, os comentadores idem, o Luís Baila a repetir 488 vezes que o "ambiente está fantástico", os jogadores a serem mimados como bebés de berço, o Scolari tratado como um pai exemplar e o essencial a não ser dito a bem dos altos interesses nacionais representados pela equipa das quinas (o que eu gosto de equipa das quinas). Portugal voltou a revelar deficiências colectivas gritantes, o que foi particularmente visível na primeira parte. Teve de vir ao de cima o génio de jogadores como Cristiano Ronaldo, Quaresma e João Moutinho para a coisa se compôr. De resto, muito fraquinho. Mas, a avaliar pelo que se falava após a partida, correu tudo pelo melhor. Por isso é que somos como somos. Perdemos a final do Europeu perante o nosso público e contra uma selecção a Grécia (a Grécia!!!!) e está tudo bem porque fomos à final e batemo-nos como heróis. Eu fiquei envergonhado e assim continuo. Não gosto de ser o primeiro dos últimos, ainda por cima humilhado diante dos meus e por um franganote que não mete medo a ninguém.

23.3.07

Ou no Porto há cada vez mais nordestinos brasileiros, ou a nova pronúncia da cidade é simplesmente horrível. Antes, parecíamos broncos a falar, agora parecemos autistas.
Os Rolling Stones vão tocar a Alvalade ainda este ano. Depois de ter perdido o concerto no Dragão por pura estupidez da minha parte, podia ter ido de graça, pode ser que tenha a sorte de os ver em Lisboa. Ou a eles, ou um coro vocal de um lar da Santa Casa da Misericórdia. Sempre são mais jovens.
Às vezes tenho a sensação que Portugal é um país de mafiosos. Ainda por cima mais feios que o Tony Soprano.
Reinaldo Teles estourou 60 mil contos num casino. A isto se chama amor ao jogo. E aos agiotas.

20.3.07

Agora que fui compulsivamente obrigado a marcar as férias, percebi realmente que as ditas estão aí a bater à porta. E, como sempre, não tenho nada planeado. Ou melhor ideias há bastantes. Gostava finalmente de ir a Londres, viagem que ando a adiar há anos. E também de regressar à Eslováquia para dar mais duas de letra com o Martin, o homem que fez o favor de aturar o meu alemão macarrónico enquanto debitava as memórias dos seus largos anos de funcionário do Slovan Bratislava. Mas desta vez percorreria país inteiro para constatar se a beleza das mulheres da capital é proporcional no resto das cidades. O resto é mesmo paisagem... Bonita também, por sinal. Como os montes Tatra, que só avistei ao longe mas me deixaram de boca aberta. Além disso, é tudo relativamente barato. Pena a comida ser uma bela bosta. Também ninguém me manda ser especialista e pedir logo o mais esquisito que vem no menu. Aliás, desde que me calhou em sorte um prato de batatas mal cozidas com um frango temperado com algo que prefiro nem saber o que é que jurei para mim mesmo ser mais comedido. Valeram as cervejas de meio litro para tirar o mau gosto da boca. Fortes, tão fortes que depois de as beber peguei na minha irmã pelo braço e quase a obriguei a percorrer comigo mais de meia cidade de eléctrico, não fosse alguém dar pelo meu estado de ligeira embriaguês enquanto cambaleava pela rua. O que foi bom, porque fiquei a perceber que os eléctricos do tempo do comunismo ainda funcionam na perfeição. E que o cheiro a suor no Leste não tem nada de diferente do nosso. Só não gostei muito quando nos aproximámos de um aglomerado que faz do Bairro São João de Deus um condomínio de luxo. Mas enfim. Valeu a pena. Já agora, se puder regressar a Praga, nem que seja por dois dias, também não darei as férias por mal empregues. De uma coisa tenho eu a certeza: não me apanham em resorts no Brasil ou em qualquer ponto do planeta onde seja possível cruzar-me com um português em cada esquina. Para isso vou passar férias para a praia de Leça.

19.3.07

Jeff Buckley morreu há 10 anos. Afogado. Editou apenas um álbum, Grace, que é tão bom, tão bom que vale por 50. Os seus originais são esplêndidos. A versão que fez de Hallelujah, de Leonard Cohen, majestosa. Por um lado, ainda bem que o homem foi desta para melhor. Não que lhe desejasse algum mal, pelo contrário. Mas se continuava por aí a lançar obras de igual ou superior qualidade à que deixou ainda me provocava agudas contracções cardíacas motivadas pela audição contínua de algo simplesmente divinal. E o meu coração já não é o que era.

18.3.07

E não é que o Sporting ganhou mesmo? Raio de clube que vence sempre nas alturas mais inconvenientes e perde apenas quando não era suposto perder. Quem o compreender que o apoie...

17.3.07

Eis a cena final perfeita, de um filme perfeito, com uma banda sonora (de Enio Morricone) perfeita. Quem nunca viu "Cinema Paraíso", não sei o que anda a fazer neste mundo.

Não é que dei por mim quase a chorar ao rever a final da Taça dos Campeões Europeus ganha pelo FCP em 1987? Apesar de saber quase todas as jogadas de trás para a frente e da frente para trás, vibrei como se o jogo fosse em directo. O descalabro emocional aconteceu quando o portinho marcou os dois golos que carimbaram a reviravolta no marcador – agora parecia o Rui Tovar nos seus gloriosos tempos. Saltos no sofá, punhos cerrados no ar e vivas ao melhor clube do mundo. Passado este momento de transe, desci à terra e constatei que, ao contrário do que acontecia até há uns anos, agora não entro em estado pré-depressivo antes de um jogo grande. Amanhã jogamos com o Sporting e estou como se nada fosse. Talvez o Sporting não seja tão grande assim.... Mentira, tenho uma particular simpatia por eles e não me esqueço que durante um par de semanas fui sportinguista. Tinha cinco ou seis anos, é certo. Mas podia ter sido irreversível não tivesse o meu pai exercido a sua diplomacia junto da minha inocente cabecinha de então para me convencer a regressar às origens clubísticas. Obrigado papá, poupaste-me uns anos de sofrimento tremendos. E algumas vergonhas também. No entanto, continuo a gostar deles, Um bocadinho de nada, não exageremos. Até torci para que ganhassem o campeonato na época em que acabaram os 18 anos de jejum. Aliás, estive em Vidal Pinheiro no jogo do título – em trabalho – e fiquei siderado com o estado de euforia e emoção de todos os sportinguistas presentes. Caras daquelas só eu vi em amigos horas depois de lhes ter nascido o primeiro filho. E pronto, cá me confesso 0,1 por cento sportinguista. Agora, livrem-se é de ganhar ao FCP.

15.3.07



Não, este tipo não é o Simão Sabrosa. É um dos personagens da mais brilhante série britânica dos últimos tempos. Chama-se Little Britain, a dita, e é simplesmente imperdível. Estas pérolas comprovam-no.
O meu gato tem olhado para mim de forma estranha nos últimos dias. Ou está possuído por um espírito felino qualquer ou já entrou na época do cio. Pelo sim, pelo não, passei a fechar a porta do quarto quando vou dormir.
Se fosse advogado da mulher acusada de raptar uma bebé do Hospital de Penafiel já saberia o argumento a utilizar para a defender durante o julgamento: tentaria convencer o juiz que a senhora tem um grave problema de cleptomania. Quem rouba chocolates num supermercado e frascos de acetona numa farmácia é bem capaz de levar um bebé de uma maternidade. Aliás, parece-me ser o orgasmo total para quem padece de semelhante distúrbio. Ou não será?

PS: a menina vai chamar-se Andreia Elisabete, nome de travesti barato.

14.3.07

Quando era mais novo quase entrava em depressão quando começava a Primavera dava os seus primeiros sinais. E a espirrar também, que o meu nariz foi, em tempos, algo atreito a pólenes. Agora que faltam míseros dois meses para entrar nos trintas, dou por mim a ficar todo contente com o primeiro dia de calor do ano. Ou estou a ficar velho, ou maricas. Talvez velho. Que me recorde ainda não tive sonhos pecaminosos em que entrassem desunadados corpos masculinos. Mas esta sensação de envelhecimento não deixa de ser curiosa. Além dos primeiras brancas, começo a ter falhas de memória, a ouvir os médicos repetidamente aconselharem cuidados com o colestrol, a ter ressacas, a achar-me hipocondríaco nas situações mais ridículas, a ouvir músicas que há dez anos detestava e agora me caem no goto, a realizar jantares de amigos em que se fala mais do passado que do futuro, mais de arrependimentos do que de projectos, a lembrar-me da infância como uma imagem distante, a dizer mais vezes que o desejável a expressão 'no meu tempo', a preocupar-me com o futuro laboral, com seguros de saúde, que ainda não os fiz mas falta pouco, e com contas poupança-reforma, apesar dos pouquíssimos incentivos fiscais. O que me alivia e me leva a concluir que ainda sou um bocadinho jovem é nunca sequer ter ponderado a hipótese de começar a descontar para o meu funeral. Quem cá ficar que se amanhe. Desde que seja cremado e as cinzas sejam atiradas de um penhasco junto ao mar está tudo bem.

13.3.07

Björk - It's Oh So Quiet

O vídeo é excelente, a canção é melhor, a orquestração superior. Lindo!!!

Eu sei que sou chato. Mas paciência...

O sorriso de uma mãe a quem roubaram a filha dos braços com dias e a viu reaparecer após um ano de angústia é inexplicavelmente belo. De puro, de sincero, de feliz. Compensa olhar para ele e sentir que debaixo de uma pobreza extrema há sempre amor para dar. Inesquecível.
Reconheço que estou a ser lamechas, mas paciência. Isto é bonito e não se vê todos os dias.

12.3.07

Björk

Outra vez ela. Merece...

Björk

E agora que o YouTube me permite postar outra vez, deixo aqui outra menina que me faz sentir a modos que estupidamente feliz.

Volver - Estrella Morente - Penélope Cruz

Cá vai a menina...Não é a Penélope, é a outra, a Estrella.


Dia 29 de Junho já tenho o que fazer à noite. Eu sei que parece impossível dizer isto, eu que sou incapaz de planear alguma coisa com tanto tempo de antecedência. Mas será imperdível perder ao vivo a espanhola que mais me surpreendeu nos últimos anos. Chama-se Estrella Morente e, além de bonita, tem uma voz daquelas que me fazem arrepiar como poucas. Para quem não a conhece, foi esta menina que fez do Volver, do Almodovar, um filme ainda mais brilhante. Ainda por cima os bilhetes são a cinco euros. Que têm a dizer agora os detractores da Casa da Música?

11.3.07

Passaram três anos dos terríveis atentados em Madrid. Dia de chuva tremenda por cá, pelo menos no Porto, levanto-me cedo da cama, havia uma entrevista a fazer em São João da Madeira, e mal chego ao carro ligo ao rádio. Ouço imediatamente tudo o que é comentador a verberar do pior contra a ETA. Que a ETA tinha ido longe de mais, que a ETA tinha atingido limite da indecência, que a ETA isto, que a ETA aquilo. Achei estranho porque a ETA na altura estava bastante fragilizada, altos dirigentes detidos e muito arsenal apreendido, e também porque, verdade seja dita, o grande alvo da ETA nunca foi a população civil, trabalhadores, gente do povo como a que estava degraçadamente em Atocha e Alcalá de Henares naquela manhã. Mesmo assim, recordo-me de ter insultado os etarras. Mas não demorei a pensar de novo que era tudo muito esquisito. Lá fui para São João da Madeira fazer o que tinha fazer e quando regressei, eram umas seis da tarde, a teoria oficial continuava a ser a mesma: a culpa era da ETA. De nada valeu à ETA demacar-se imediatamente dos atentados, o que nunca faz quando os comete, pelo contrário. Das várias pessoas com quem falei, só uma concordava comigo: aquilo não tinha mão da ETA. As luzes começaram a acender-se quando ao princípio da noite foi encontrada uma carrinha com explosivos no parque de estacionamento de uma das estações ferroviárias. Além de ter deixado de ouvir bocas que me apelidavam de perigoso apoiante dos etarras, que nunca fui, percebi, percebemos todos, que o terrorismo atacou à nossa porta. Afinal, Madrid só fica a 500 quilómetros. E aquilo bateu como se tivesse sido por cá.
Hoje, a ETA continua moribunda. Nunca os apoiei, mas reconheço legitimidade aos que lutam nas ruas pela independência do País Basco. Sem sangue. Pelos menos lutam por aquilo em que acreditam. Coisa que os portugueses deixaram de fazer há muito.

10.3.07

Relato de um sábado à noite inesquecível. Uma constipação a ameaçar rebentar-me as narinas, um belo roupão vermelho, lenço numa viagem constante entre a mão e o nariz, termómetro ao lado para o que der e vier, aspirinas e antigripine também, e uma mantinha nas pernas. Isto tudo deitado no sofá a deitar o olho ao Festival da Canção. Ai que bem se vive no lar da terceira idade... Pena não haver velhinhas para catrapiscar. Não tivessem ido deitar-se depois do jantar, eram umas seis e meia, e teria terminado o serão em grande.

8.3.07



Que Garcia Pereira defende num dia os pobres e os desgraçados explorados pelo capitalismo selvagem e no outro está na Madeira a tentar safar os assuntos judiciais de Alberto João Jardim já eu sabia. Agora, que o Arnaldo de Matos é o advogado do ex-presidente da Câmara da Ponta do Sol condenado por corrupção fiquei a saber há pouco. Quer isto dizer que o Grande Educador do Povo, como o próprio Arnaldo se auto-proclamava no quente e entusiasmante PREC, está rendido a ganhar uns cobres à custa de um cacique autárquico e que o delfim e sucessor faz o mesmo mas com o maior trauliteiro da nossa praça. Que é feito dos velhos ideiais que em 1975 bradavam eles em nome do MRPP? Realmente, deste partido só saíram figuras tristes, excepção feita à Maria José Morgado. Basta ver onde começou Durão Barroso... O curioso é imaginar o que teria sido de Portugal se tivesse sido governado por estes maoístas da treta, que à primeira oportunidade estão colados ao que de mais podre existe na política cá do burgo. O dinheiro fala sempre mais alto, é o que é. O que lhes cai nos bolsos, não o que sai dos bolsos do povo.

7.3.07

Vantagens de apenas partilhar a casa com um gato:
- Chegar a casa e não ouvir a estimulante pergunta: "Então, como foi o teu dia?". Ou seja, a expressão mágica que permite perceber o estado lastimoso da relação de um casal que nada mais tem para dizer ao fim de horas a fio de forçada separação.
- Empilhar jornais sem ouvir uma reprimenda.
- Ter tempo para organizar arquivos sem estar pressionado por ter que ir jantar aos sogros.
- Ignorar a outra parte sem que a outra parte pergunte logo o que se passa e ameace com uma crise de choro convulsivo.
- Poder ler a Maxmen à vontade em qualquer divisão da casa.
- Ouvir a música que quero, quando quero, à altura que quero.
- Dormir na sala sem que isso signifique que houve discussão antes.
- Não ter que ouvir a desconcertante resposta "não foi nada", a que mais solenemente me irrita numa mulher.
- Saber que ninguém altera a disposição das minhas coisas sem pedir autorização.
- Ver filmes até às tantas da manhã sem um corpo dormente ao meu lado e ainda por cima com a cabeça a pesar-me no ombro.
- Fazer experiências gastronómicas sem sujeitar outrem às minhas vergonhas culinárias.
- Jogar Championship Manager mais de duas horas seguidas em dias de chuva e frio. E de sol, quando me apetece.
- Mexer-me na cama sem receber pontapés em troca.
- Falar de gajas e futebol à vontade.
- E outras mais que agora não me lembro mas que cada vez mais justificam que o divórcio só me deu alegrias.
Foi bom ver como uma equipa de tostões quase conseguiu bater o pé a outra de milhões e ainda por cima orientada pelo melhor treinador do mundo. Quer dizer, foi bom até a um certo ponto. Porque já passaram mais de quatro horas desde que o jogo acabou e ainda não consegui tirar uma expressão de enterro que faria assustar velhinhas, crianças e agentes da GNR. Não é cara de cú, digamos que com essa ando sempre. Mas aquela de quem fica 90 minutos a acreditar no impossível, com as pulsações ao máximo e um simpático AVC a ameaçar estragar, ainda mais, a noite e no fim recebe um valente soco no estômago. Ou melhor, uma coça digna dos cobradores do fraque. Eu sei que o futebol não é tudo na vida. Mas foda-se, preferia que o meu FCP tivesse sido goleado ao invés de estar agora a remoer sobre como teriam sido as coisas se o Hélton não mamasse o maior frango da vida dele e o Bruno Alves não tivesse tido a infeliz ideia de se esquecer do Ballack em plena pequena área. Ainda por cima depois de o FCP ter feito o mais difícil ao marcar logo no início do jogo (grande ciganito). Uma coisa é certa. Houvesse golo nos últimos minutos e teria tido uma reacção bem pior da que tive aquando do golo do Costinha em Manchester. Aí, mandei um valente pontapé num banco com o pé descalço e fiquei sem poder andar durante uns dias. Da maneira que a situação estava em Stamford Bridge, um golo miraculoso ao Chelsea talvez me levasse a socar um vidro para libertar a satisfação. Ou a atirar-me de uma janela e só me aperceber da asneira quando o corpo estivesse estatelado no solo. Ou simplesmente a ter a um enfarte. Bem vistas as coisas, obrigado Chelsea por cuidares da minha saúde.

3.3.07

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa, meu remorso,
meu remorso de todos nós...

Alexandre O'Neill
Eu sei que isto pode parecer estúpido, mas quem me conhece bem dispensa prelúdios sobre a minha peculiar maneira de ser. O que quero dizer é que acho que encontrei a forma como pretendo morrer: se puder ser, e se não for pedir muito, gostaria de sofrer um enfarte ao som da 9ª sinfonia de Beethoven, Molto Vivace - Presto, pela Royal Philarmonic Orchestra. Não precisa é de ser para já. Posso esperar mais uns 50 anos, pelo menos.
Se for Wagner também aceito, embora com a certeza de que partirei menos feliz um bocadinho.

2.3.07

Depois de dia e meio entrincheirado na assutadora mas eficaz Loja do Cidadão, acho que estou preparado para fazer compras num hipermercado num sábado à tarde. Ou passear num centro comercial ao fim-de-semana. Mas garanto que não vou fazer o teste. Ainda tenho amor próprio.
Agora que nos vão proibir de fumar em bares e discotecas, está encontrada mais uma justificação para importarmos o botellón, movimento etílico popular muito comum em toda a Espanha. Eu já participei e gostei – pelo menos das partes de que me lembro. Sinceramente, não estou a ver-me passar umas horas valentes dentro de um bar sem fumar um único cigarro. Discotecas dispenso. Há muito que não as frequento e as saudades não são por aí além. Por isso, o botellón seria um excelente argumento para excelentes momentos de convívio (o que eu gosto desta palavra e, já agora, do restaurante homónimo, apesar de caro como o caraças) ao ar livre onde podem entrar conversas non-sense misturadas com outras sobre assuntos mais sérios (tal como eu adoro fazer numa valente noite de copos) cigarros, algumas latas de Guiness e demais conteúdos etílicos agradáveis, como um belo Cutty Sark velho. Há que ter é cuidado com as poças de vomitado. Mas isso é o menos para quem nelas não escorregar.

1.3.07


Há quem a adore, há quem a deteste. Eu há muito que fico arrepiado quando ela se cola aos meus ouvidos. E não me canso de esperar pelo dia em que a verei soltar garra e vida num qualquer palco de Portugal.
"É a vida". Foi este o desabafo/comentário de Gilberto Madaíl à morte de Bento. E a confirmação de que a tinta das madeixas que lhe alouram o cabelo fazem mal ao cérebro.
Já agora, o Bento era um bom guarda-redes, muito bom. Mas sempre preferi a elegância e a classe do Damas e do Vítor Baía.

28.2.07

Cavaco Silva não pára de me surpreender. Não é que agora revelou que foi todo pimpão a Lisboa assistir ao desfile da rainha Isabel II pela capital, já lá vão 50 anos? Ou seja, foi um figurante da propaganda salazarista e ainda se orgulha disso. Haja pachorra...
O Paulo Portas vai regressar ao CDS-PP com um bronze novo e os dentes branqueados. E falta de bom senso, também.
Fiquei sinceramente revoltado quando soube que em Inglaterra uma criança de 9 anos foi retirada da família por pesar 90 quilos. E lembrei-me das inúmeras ocasiões em que a minha mãezinha me obrigava a comer mais umas garfadas durante a infância. Cá para mim o que ela queria mesmo era enviar-me para a Casa do Gaiato. Sempre era menos uma despesa.

25.2.07

God has given you but one heart
You are not a home for the hearts of your brothers
And God does not care for your benevolence
Anymore than he cares for the lack of it in others
Nick Cave
Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar
Jorge Palma

Só gostava de saber onde fica...

24.2.07

Conheço várias redacções onde as discussões sobre o futuro são mais que os caracteres escritos num dia de trabalho. E muito bem, pelo menos uma delas. Há um excerto da canção 'Bairro do Amor' que resume bem o que se vai falando e cogitando. Aquele em que o Jorge Palma pergunta: "será que ainda cá estamos no fim do Verão?"
Estive a ouvir aí uma meia dúzia de velhinhas cassetes das mais de cem que guardo dos cada vez mais distantes tempo do secundário. Cheguei à conclusão que talvez não tenha ficado surdo apenas por milagre e que o facto de sempre ter sido um rapazinho responsável é que me levou a não enveredar pelo tortuoso caminho das drogas pesadas. Olho para trás e arrependo-me. Se em vez de ter fumado uns charros tivesse logo chutado para a veia, talvez hoje recebesse Rendimento Mínimo ou outra ajuda qualquer do Estado. Ou então, estaria detido em Custóias ou em Pinheiro da Cruz por tráfico, assalto e demais aventuras. Teria uma vida mais sossegada do que a que tenho agora, isso garanto. Mas não se pode ter tudo...
Estava há tempos a perorar sobre o facto de os putos agora não estourarem bombinhas de Carnaval e eis que em Leiria, se não estou em erro, dois rapazes foram para o hospital desfeitos por um engenho do género. Há quem diga que foram irresponsáveis. Mas se tivessem sido apanhados a lançar serpentinas ou vestidos de enfermeira concerteza teriam sido apelidados de bichonas. Meus amigos, numa idade tão delicada há que afirmar a masculinidade com actos condignos. Nem que se tenha que decepar várias partes do corpo para o comprovar.

Tenho que passar os olhos pela tabela de acções das marcas de conservas. Podem ser um bom investimento depois de as vendas terem disparado de há um ano a esta parte, desde que comecei a viver sozinho.

20.2.07

O Carnaval faz despertar nas mães todo o seu instinto para com as crias. Foi o que tive a oportunidade de testemunhar junto ao portão de entrada de uma ilha do Porto – afinal, onde mais existem ilhas senão no Porto? Um pequeno grupo de adultos concentrava os olhares numa pequenita que não devia ter mais de seis anos e ostentava orgulhosamente o seu rosado vestido de fada. Alto e bom som, a mãe da menina solta repentinamente:
"Ai filha, estás tão linda que pareces uma galinha!"
Elogios destes são o melhor para transformar uma criança numa futura matricida.

18.2.07


Nos últimos tempos, os meus ouvidos têm andado grudados numa menina brasileira cuja candura da voz é exactamente proporcional ao tamanho dos seus enormes seios, como diria o Nuno Markl. Chama-se Ive Mendes. Quem não conhecer, não sabe o que perde. E não me estou a referir apenas aos seios, embora sejam realmente um regalo para a vista de quem aprecia o género.

17.2.07

Gostei muito da resposta do Fontão de Carvalho (FC) quando lhe questionaram por que não informou da sua condição de arguido no caso dos prémios da EPUL.
"Não me perguntaram", disse ele.
Grande Fontão, louvemos a tua sinceridade, homem. Deve valer a pena trabalhar com tipos como tu.
Os funcionários da Câmara de Lisboa que ainda não são arguidos num qualquer processo judicial devem estar a pensar suicidar-se tamanha a vergonha que sentem por não conseguirem igualar as prozeas dos seus superiores.
Gosto muito de ver as moças a espernearem passos de samba em Ovar, Torres Vedras, Loulé e outras localidades afins. Tanto como adoraria ter ouvido a Amália trautear uma canção da Maddona. Mas elas é que têm razão, não as tolas brasileiras que se abanam no Rio ou em Salvador. As nossas perdem o frio enquanto se meneiam, as outras suam como leitões no forno e arriscam-se fortemente a uma pneumonia que as atirará para a cama até ao próximo Carnaval. Pena é que por aqui desfilem camafeus e no Brasil deslumbrem mulheres no verdadeiro sentido do termo.
Agora que o Carnaval se aproxima, deixo um aviso a todos os putos estúpidos que tentarem esguichar bisnagas na minha direcção: vou andar com gás mostarda no bolso para o que der e vier.

14.2.07

E pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Chico Buarque

Agora é só imaginar ouvir isto a olhar o céu estrelado de uma noite de Verão no Rio de Janeiro, ou em Buenos Aires, até no Porto. Bastava ter a pessoa certa ao lado... Quem sabe um dia não vai acontecer? Sonhar é fácil, mas a palavra impossível nunca encaixou no meu dicionário.

12.2.07

Agora que o aborto já é 'legal' estou a pensar abrir uma clínica da especialidade. Dá dinheiro e não chateia. Para atrair clientela prometo um frasquinho de formol para a ex-grávida lá colocar o feto acabadinho de perecer. Fica sempre bem junto aos bibelôs na sala de estar. Haverá ainda descontos para as mulheres que, simultaneamente, pretendam realizar uma laqueação de trompas – uma espécie de pague um e leve dois. As mulheres de Leste, particularmente eslovacas e ucranianas, com mais de 1,75 m e menos de 35 anos, essas, terão de ser atendidas pessoalmente por mim e realizar um pequeno e simples teste que consiste em se deitarem completamente nuas numa marquesa debaixo da minha pessoa, ou por cima se entretanto ficarem cansadas. Basta uma hora e podem ir à vidinha delas, desde que não gritem muito alto. As comunistas, se preferirem, poderão fazer o desmancho com foice e martelo. A anestesia é facultativa. E as conservadoras optarão por rezar o terço ou concorrer a uma viagem a Londres ou Badajoz aquando do próximo azar. Abrirei excepções à possibilidade de realizar suícídios assistidos a pessoas maiores com evidentes desvios mentais, como eu. Se bem que não me apeteça muito ir desta para melhor.
Já somos um país um bocadinho menos medieval. Pena é que mais de metade dos eleitores se estejam a marimbar para o que se passa à volta deles.

11.2.07

Filipe La Féria sempre foi um artista do regime durante os dez anos de cavaquismo. Cavaco não se esqueceu dele e com a ida ao Politeama com a família para assistir ao musical 'Música no Coração' prestou um grande favor ao encenador. Toca a chamar a comunicação social, o dia é de reflexão e a agenda é fraca, e vamos lá ao teatro para ajudar o homem. La Féria deve ter esfregado as mãos com esta excelente forma de publicidade gratuita. Um bocadinho de decoro não seria má ideia.

PS: Depois de Cavaco ter revelado que não vai muito à bola com comidas picantes e que lanchava iogurtes e torradas nos tempos de estudante porque o dinheiro não dava para mais, decidiu enternecer novamente os portugueses ao anunciar ao País que já assistiu duas vezes ao DVD do 'Música no Coração' na companhia dos netos. Estou doido para lhe conhecer a próxima inconfidência. Outra pérola que nos fará sorrir, certamente.

A Póvoa de Varzim é conhecida como a atracção domingueira dos tugas que adoram filas de carros intermináveis, ruas pejadas de sevilhanas – perdão, de senhoras de meia idade com vestidos de ir à missa – e praias com mais gente que areia. Agora, pelo menos por uns dias, a vedeta é um certo clube que eliminou da Taça de Portugal essa potência futebolística que fecha a lista dos 20 clubes mais ricos da Europa logo a seguir ao colosso West Ham.

10.2.07

Enquanto espreitava o 'novo' Público, só pensava nos 60 camaradas que foram despedidos em nome da remodelação e da contenção de custos. Como num hipermercado. Já agora Sr. Fernandes, tudo bem que o seu concorrente directo seja o Diário de Notícias mas não valia a pena ter mandado copiar o corpo de letra do DN. Foi para isso que foi buscar os gráficos do The Guardian? Outra coisinha, será legítimo classificar como imprensa de referência dois jornais que, juntos, não vendem sequer 150 mil exemplares?

9.2.07

Sim pela segurança da saúde da mulher
Sim pelo direito de escolha
Sim pela liberdade
Sim contra a hipocrisia
Sim contra os falsos moralismos
Sim contra a humilhação
Sim contra uma lei medieval
Sim contra a clandestinidade
Sim contra os lucros privados à conta da ilegalidade
Sim contra a demagogia
Sim contra os julgamentos, judiciais e sociais
Sim pelo acompanhamento psicológico da mulher
Sim pela Democracia
Sim pela inteligência
Sim porque somos um Estado laico
Sim porque não temos o direito de impor nada a ninguém
Sim porque ser mãe é um direito
Sim porque ninguém aborta de consciência leve
Sim porque ninguém tem o direito de julgar ninguém
Sim porque somos livres

8.2.07


Parece que o Axl Rose foi abusado em criança. "Don't you cry tonight", cantava ele, agora percebo eu porquê. Memórias da infância... Além disso, aqueles falsetes e gritinhos nunca me enganaram. E as vestes também invocam recalcamentos mal resolvidos. Ai, Axl, Axl...

7.2.07

Lá demos dois secos ao Brasil para contentamento do povinho. E Scolari voltou a ser o maior do mundo. Eu é que não me esqueço da humilhação de termos perdido a final do Euro 2004 devido à sua incompetência. E logo com a Grécia, esse colosso do futebol. Mas está bem, continuem a pagar-lhe 50 mil contos por mês que o homem agradece.

6.2.07

A fonte de inspiração de Michael Jackson para o videoclip do "Thriller"

O nome da 'estrela' é Chiru, um indiano de Andra Pardesh. Canta em telugu, a cativante língua local. Quem souber o contacto do agente, avise-me pf.
A nossa taxa de crescimento real é de 1,20 por cento. Equivale isto a dizer que Portugal está em 200º lugar numa lista de 215 países. A Grécia, eterna companheira de desgraças, fixou-se em 141º e estados que entraram para a União Europeia há apenas dois anos batem-nos aos pontos – a República Checa está em 57º (cresce 6,20 por ano!), a Eslovénia em 122º, o Chipre em 8º (!) e a Polónia em 86º. O pior é que por aqui os políticos incompetentes são premiados e não castigados nas urnas como deviam ser. Caso contrário, Cavaco Silva nunca tinha sido eleito Presidente da República depois de se apresentar como salvador da pátria e garante da estabilidade, ele que é o principal responsável pelo início do descalabro das finanças públicas e que perdeu uma oportunidade de ouro para trilhar o caminho do desenvolvimento quando lhe caíram nas mãos os milhões de Bruxelas. Guterres, Durão e Santana apenas remendaram o que puderam sem resultados práticos. Pior, tiveram o condão de estragar o que dificilmente poderia ficar mais estragado. A Sócrates prefiro dar o benefício da dúvida até ao fim da legislatura. Mas pelo que se tem visto, dificilmente fará melhor.
Alguém ainda duvida que Portugal é um caso perdido?

Dado curioso: a Coreia do Norte surge imediatamente atrás de nós. O PCP deve estar todo contente.

5.2.07

Kusturica & The no smoking orchestra - Pitbull

E é isto que me faz feliz... Um muito obrigado a quem me compreende.
Afinal, José Sócrates tem um bocadinho de António Guterres. Ao anunciar que deixará tudo como está se o 'não' ganhar mesmo que mais de metade dos eleitores fiquem em casa no próximo domingo, o primeiro-ministro está simplesmente a demitir-se das suas responsabilidades e a revelar cobardia política. Se os portugueses lhe deram maioria absoluta é porque nele depositaram confiança que resolvesse tranquilamente pela via legislativa questões melindrosas que dificilmente seriam desbloqueadas por um parlamento dividido. O aborto sempre achei que fosse uma delas. Aliás, o referendo só faria sentido se não houvesse maioria, como não havia em 1998. Depois admiram-se que o Salazar e o Cunhal figurem na lista dos 10 maiores portugueses. Ao menos esses revelavam firmeza política e capacidade de decisão. Eram repressivos, sim. Quer dizer, um era, o outro o Eanes não deixou ser quando mandou os seus soldados para a rua a 25 de Novembro de 1975. Conclusão, não há sistemas perfeitos mas que um político democrata com tomates faz falta, lá isso faz.

4.2.07

"Ser mãe é um direito, não é um dever". A frase é de Octávio Teixeira, figura do PCP a quem sempre admirei a inteligência e o carácter. Diz tudo.

1.2.07

Caro Dr. Manuel Pinho, permita-me um conselho que o pode ajudar a manter-se no Governo até ao fim da legislatura: que tal arranjar um assessor de imprensa que lhe espevite o bom senso antes de o senhor abrir a boca em público? Talvez assim evite dizer mais disparates...
Já agora, se encontrar entretanto algum empresário chinês entusiasmado com os nossos baixos salários, avise-me por favor. Um dos meus sonhos é trabalhar 12 horas por dia e ganhar 80 contos por mês.

30.1.07

Faith No More - Epic (Live)

E de repente veio-me à memória aquele fabuloso concerto no Bessa, em 93 ou 94. Soubessem os meus paizinhos ao que ia e nunca mais tinha posto os pés em casa. Vá lá que não se aperceberam do estado lastimoso em que fiquei...

Eis um pequeno excerto do que se passa diariamente no departamento médico do Benfica...

29.1.07

É só pra deixar um 'fuck you' para todos os detractores do 'Babel'. Inbeja, como se diz no Porto. Inbeja...

28.1.07

A maioria dos que toleram o aborto são contra a pena de morte; quase todos os que abominam o aborto defendem a pena capital. Está visto que o direito à vida está longe de ser uma questão consensual.

27.1.07

Herman Enciclopedia - Monologos Secretos

É disto que eu tenho saudades no Herman...
Estranha a sensação de estar insatisfeito e não saber o que fazer para voltar a sentir-me bem.... Será que ando maluco?

24.1.07

O INE garante que quase 95 por cento dos hospitais têm acesso a internet de banda larga. Uma óptima notícia para os familiares dos pacientes em estado mais crítico que assim podem consultar sites de agências funerárias no quentinho da sala de espera e escolher se preferem caixões ou mogno de uma forma mais confortável. Eu sabia que as novas tecnologias só iam trazer vantagens.

23.1.07

"O aborto provocado é, fora dos casos previstos na lei actual, um acto arbitrário e injustificado que destrói um ser humano.É hoje inquestionável que o feto é membro da espécie humana, sendo um ser humano único, irrepetível e diferente de todos os outros. Como tal, merece respeito e protecção".

"Não ignoro, é certo, o problema social que é o aborto clandestino. Conheço-o e sou muito sensível a esse drama. Penso, todavia, que esse mal, que já foi reduzido em relação ao passado, se deve combater, como todos os males sociais e económicos, com medidas enérgicas, sociais, educativas e económicas. Será o caso da protecção da natalidade e da família, do planeamento familiar, da educação sexual dos jovens ou do incentivo à adopção de crianças não desejadas".

Marques Mendes

Estive a pensar e não me recordo de uma só "medida enérgica" que o PSD tenha apresentado nos últimos anos que vá de encontro ao que seu agora líder proclama como solução para diminuir os casos de aborto. Se houver quem se lembre que me avive a memória.

21.1.07

Cavaco queixou-se do excesso de picante na comida durante a visita à Índia. Eu queixo-me da sua contagiante falta de sal.

19.1.07

"Nos países onde foi despenalizado, o aborto é praticado da mesma forma que se compra um telemóvel", João César das Neves

Falta menos de um mês para o referendo e o nível de argumentação é o que está à vista.

Já agora uma sugestão ao Dr. Neves: que tal pegar no seu telelé e ligar para meia dúzia de clínicas onde o aborto se pratica de forma clandestina e perguntar quais os lucros astronómicos dos respectivos proprietários?

Capitalista beato...

16.1.07

O que mais impressiona em Clint Eastwood é a sua capacidade de transformar uma história simples num filme brilhante. Foi assim com "As pontes de Madison County", com "Million Dollar Baby" e com "Mystic River". E também é assim com "Flags of our Fathers". Porque ele não quis retratar a violência por que passaram os soldados que combateram na II Guerra Mundial – a brutalidade das cenas do desembarque em Iwo Jima apenas é necessária para explicar o que é verdadeiramente a guerra aos muitos que não o percebem e para transmitir que no campo de batalha não estão companheiros de armas mas irmãos. Ali, o principal são os três homens simples que acabaram por ser heróis contra a sua vontade. Sem o saberem e, ainda mais, sem o desejarem. São eles o centro de tudo e nenhum dos seus sentimentos escapou a Eastwood. Que mesmo com mais meios à disposição conseguiu não estragar o tinha em mãos, como muitos realizadores acabam por fazer. Está ali tudo, não falta nada. E a guerra acaba 'apenas' por ser o pretexto. Lindo...

13.1.07

Madalena Antas terminou a aventura no Dakar porque lhe rebentou o depósito do óleo do seu Nissan. Ela que tanto se gabava, antes do rali, que não ia ficar um dia sem tomar banho no deserto, certamente não quis sujar as mãozinhas de óleo para consertar uma avaria de nada... Antes desistir que dar-se a essa humilhação. Coitada da moça. Com um corpinho daqueles, ficava bem melhor no meu beliche que a saltar de duna de duna dentro de um jipe.
Kátia Guerreiro é um dos membros da imensa comitiva que Cavaco Silva levou consigo na visita oficial à Índia. Custa-me a entender a estreita ligação entre a fadista e o Presidente da República. Ou os dois são amantes, e se forem não tenho nada a ver com isso, ou então Kátia (que belo nome...) é o bardo da corte e eu ainda não dei conta disso. Depois de ter cantado o hino da campanha de Cavaco, cuja letra era de Dias Loureiro, a senhora aparece em tudo o que é visita realizada pelo PR. Ainda no domingo, pouco antes da partida para a Índia, lá estava ela a mimar com uns fadunchos os que participavam no aniversário do Martinho da Arcada. Ocasião em que o Presidente aproveitou para partilhar com os presentes as memórias dos seus lanches de estudante naquele mítico café lisboeta. Limitava-se o jovem Aníbal a um queque e um iogurte porque o dinheiro não dava para mais. Que bonito... Aposto que a lambe-botas Kátia se desfez em lágrimas ao ouvir este pungente depoimento. E que já está a compor um fado sobre o iogurte para dedicar a Cavaco quando ele cumprir o primeiro aniversário como inquilino de Belém.

8.1.07

A partir de agora vou dedicar a minha atenção ao curling e a outros desportos que não sejam tão atléticos como o futebol.

6.1.07


Digam lá que isto não é bonito...
Os que comigo reclamam por não lhes ter enviado sms a desejar boas entradas são os mesmos que passam o resto do ano a protestar contra os preços exorbitantes praticados pelas operadoras móveis. Coerência amigos, coerência...

5.1.07

Desejo toda a sorte do mundo aos pilotos portugueses que vão participar no Lisboa-Dakar. Especialmente à Elisabete Jacinto cuja maior dificuldade não será certamente manobrar o camião pelas areias do Sahara mas conseguir diariamente enfiar a farta cabeleira dentro do capacete. Deixo ainda uma sugestão aos nossos compatriotas aventureiros: assim como quem não quer a coisa, enfiem o grosso da classe política tuga nas vossas viaturas e escondam-na numa duna quando passarem pela Mauritânia. Há sempre tuaregues famintos, de comida e sexo. Agora ide, marchai África abaixo e deixai que o suor vos cole os fatos-macaco à pele. Já agora regressem vivos, se não for pedir muito.
Não percebo qual a indignação do Partido Popular espanhol em relação ao recente atentado da ETA no aeroporto de Barajas. Morreram dois sul-americanos, portanto dois imigrantes. Friamente pode dizer-se que são menos duas ameaças aos postos de trabalho dos espanhóis. Que mais querem os populares, de Rajoy (experimentem soletrar este nome quando tiverem uma forte inflamação da laringe)?. Uma bomba em todos os aviões provenientes da América da Latina? Sim, porque com os botes dos africanos não precisam de se preocupar pois eles não aguentam uma rajada de vento mais vigorosa e portanto nem as Canárias conseguem alcançar. São pobres e mal agradecidos os senhores.
Um puto guatemalteco morreu ao imitar o enforcamento de Saddam Hussein. Além de mártir, o homem ameaça fazer escola.