12.2.08

Ensinaram-me a não sentir raiva de ninguém. E não tenho. Nem raiva, nem desprezo, muito menos ódio. Nada disso.
Sinto-me apenas ludibriado por um sonho. Que bateu à porta, entrou e depois saiu sem aviso prévio.
Agora não há volta a dar. Porque há oportunidades, e sonhos, que se agarram na mão com força para que não fujam. Para que se lute por eles. Para que se não percam.
Há barcos que só se cruzam no nosso mar uma vez na vida. Ou aproveitamos para o apanhar e fazemos tudo para o conseguir ou simplesmente desistimos de lutar por ele. Seja por falta de vontade, de entusiasmo, por alguma razão ainda assim válida. Tudo, mesmo tudo, que for feito para o destruir voluntariamente sabendo que se erra deita tudo a perder. Para sempre.
Um dia, pode ser que pares para pensar e te surja o arrependimento. Mas já será tarde. Aliás, hoje, agora, já é tarde. Porque o barco, esse, passou por ti e não o quiseste apanhar por culpa própria. Não o mereceste.
É pena. Podia ter sido uma viagem bonita.

Clash

Mal regressam os dias de calor, mesmo que tímidos, lembro-me sempre disto. Train in Vain, de seu nome. A razão nem eu sei. Ou melhor, fica cá para mim. Como eles dizem:
"But you don't understand my point of view. I suppose there's nothing I can do".

11.2.08

Em Timor, tentou-se assassinar o Presidente da República e o primeiro-ministro, isto depois de repetidas insurreições militares e levantamentos civis. E é o país mais recente do mundo....

Em Angola, terminou uma guerra civil que durou mais de vinte anos, causou milhares de mortos e transformou um país próspero numa manta de sangue. Hoje, espera-se a realização das primeiras eleições democráticas desde há 16 anos – em 1992, as presidenciais foram canceladas devido ao rebentar de novo conflito entre UNITA e Forças Armadas.

Na Guiné-Bissau, está na presidência um homem que regressou ao poder após governar o país com mão de ferro durante duas décadas. Foi apenas intercalado por meia dúzia de golpes de Estado patéticos e sangrentos. E por uma curta guerra civil.

Em São Tomé e Príncipe, houve tentativas de usurpação do poder conquistado nas urnas, algumas mortes e existe corrupção qb. E também comandantes da polícia sequestrados no próprio posto de trabalho.

Cabo Verde está bem e recomenda-se.

Macau é um caso à parte.

O Brasil deixou de ser nosso há mais de um século mas continua um dos países mais corruptos do mundo.

Não há dúvida que o legado colonial de Portugal é um excelente exemplo de como o filho segue sempre os maus exemplos do pai.

7.2.08

Beirut (again)

Porra, gosto tanto disto. Mas tanto. Quase tanto como de geleia de mirtilo.


Está escolhido, escolhido está. Cesária Évora irá desfilar em biquini na próxima edição do Carnaval de Salvaterra de Magos. Falta é convencer a senhora.

Confesso que me sinto ansioso, não consigo conter a ansiedade de ver tamanha musa roliça em cima do palanque a mostrar o corpinho de sereia. Ou de leão marinho. Talvez de rinoceronte bebé.

Mas foram vocês que pediram, não tenho nada a ver com isso.

Sôdade....

6.2.08

É a notícia que abre a coluna de breves da última página do jornal 'A Bola' de hoje. Debaixo do título "Telma passa a dizer: até já", desenvolvem-se pouco mais de uma dúzia de linhas que dão conta da assinatura de um contrato entre Telma Monteiro e a operadora TMN. Entre outras coisas, ficamos a saber que Telma irá passar a usufruir de todas e mais algumas regalias em termos de oferta de material por parte da empresa.
Serei eu muito conservador nesta matéria, ou isto não passa de pura propaganda? De um favor do jornal à TMN, que assim viu divulgada, ainda por cima gratuitamente, a aquisição de uma estrela do desporto nacional como cara de campanha publicitária?
Basicamente, e usando jargão da classe, isto cheira a broche dos maiores. Uma punheta das enormes. Um nojo.

Beirut

Foi como amor à primeira vista. Adoro isto. Tão bom. Estou é arrependido de não conhecer há mais tempo. Mas que ando apaixonado, ando.

5.2.08

Radiohead - Nice Dream

A primeira do dia. Das boas.

Pena é a cabra da gripe não me deixar em paz.

Um dia que tenha um filho, vou sentá-lo no colo e contar-lhe o quão emocionante foi a noite de Carnaval do pai em 2008.
Será qualquer coisa assim:

"Ora bem, isto tem muito que se lhe diga. Ou não. Nessa noite, tinha o teu pai 30 anos e estava numa fase da vida que tinha tanto de excelente como de intrigante, trabalhei como um tolo até altas horas e vim para casa com um princípio de gripe que faz favor de ver. Entrei em casa, afaguei o gato e corri para a banheira para encharcar o corpo em água quente. Estava cheio de febre e, como deves calcular, gripe não combina lá muito com Carnaval. Por isso, em vez de cerveja, bebi montes de chá de limão e fui deitar-me na cama para ver se os arrepios passavam. Só que em vez de adormecer logo, pus-me a pensar num monte de coisas. E sabes como eu sou quando penso em algo mais que a conta. Se a minha cabeça fervilha imagina em dias normais, imagina como será quando tenho o corpo com pouco mais de 38 graus. Pensei sabes em quê? Que complico o que parece fácil e que em vez de seguir as estradas mais simples, opto pelas mais sinuosas. Não sabia se seria masoquismo ou o simples prazer de tentar conquistar o mais díficil, que é o que dá mais gozo. Pensei se outros querem o mesmo o quanto eu quero, pensei o quanto me custa não me arrepender por algo de que me deveria sentir culpado, imaginei onde estarei e com quem daqui a um ano, tentei antecipar cenários de futuro. Mas não cheguei a conclusão alguma. Apenas que a vida se justifica vivendo-a um dia de cada vez sem nada forçar. É isso que te aconselho também. Nunca faças planos mirabolantes de nada. Apenas sonha. É o melhor. E agora vai lá escovar os dentes e deitar-te. Não te esqueças de dar um beijo de boa noite à mãe."

4.2.08

Cat Power

Eis a versão mais espectacular que alguma vez ouvi da "New York, New York", de Frank Sinatra.

A actuação foi no programa da BBC "Later with Jools Holland", que em tempos passou na RTP2. Isto sim, verdadeiro serviço público. Na Grã-Bretanha, que aqui retiraram-no sem aviso prévio ainda estou para perceber porquê.

Na minha Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar
Balouço à beira dum poço,
Bem difícil de montar...
E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar
Se a corda se parte um dia
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada...
Cá por mim não mudo a corda,
Seria grande estopada...
Se o indez morre, deixá-lo...
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca... Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive...
Mudar a corda era fácil...
Tal ideia nunca tive...
Mário de Sá-Carneiro

U2 - Miss Sarajevo

Dici che il fiume
Trova la via al mare
E come il fiume
Giungerai a me
Oltre i confini
E le terre assetate
Dici che come il fiume
Come il fiume...
L'amore giungerà
L'amore...
E non so più pregare
E nell'amore non so più sperare
E quell'amore non so più aspettare

(E é bem verdade. Pena que por vezes o rio tome caminhos mais longos e tortuosos que o aceitável)

3.2.08

A banda sonora a caminho de casa...

... a rezar para que a polícia não se cruzasse no meu caminho.

E o meu Carnaval foi mais ou menos assim...

"Não será melhor chamar o INEM? Ou então, pelo menos, colocar um espelho à frente do nariz para ver se ainda respira".

"Não queria dizer nada, nem tornar-me chato, mas o João encostou a cabeça ao sofá e não se levanta. Acho que já disse isto. Eu sei que sou chato, mas pronto, cá vai".

"Ai... que isto dói tanto sr. doutor. Clisteres e tal.....".

"Portantos, dedinho no gato, que está no cio e coisa e tal, e muito Feno de Portugal, aroma da natureza. Depois diz que é o amarelo é do tabaco, diz. E a Mariza a surgir do nada a cantar a Gente da Minha Terra".

Já para não falar de perucas louras, chapéus de bobo, ou boba, e bigodes de arménio.

Ai, ai... Festas de Carnaval são fodidas. O que vale é que é o calendário é amigo e só as assinala uma vez por ano.

Enfim, vou dormir que amanhã é dia de trabalho. Ainda por cima...

E ressaca de vinho tinto e capirinhas é complicada. Se amanhã me doer o corpo qual mulher a parir quadrigémeos, já sei quem vou culpar. Juro que não peço indemnização, apenas chá de cidreira.

No meio disto tudo, de tanta parvoíce e loucura, foi muito bom falar contigo. Sentir a tua voz doce no meu ouvido soube tão bem que não imaginas. Só faltou estares ao meu lado. Adoro-te.

2.2.08

Céu do Porto visto da janela do trabalho




A foto é de minha autoria. Está engraçadita, não está?

1.2.08

Ele está de volta

O grande Nick Cave (ajoelhem-se, por favor) regressou. Aleluia! A primeira amostra chama-se "Dig, Lazarus, Dig". Como alguém hoje me dizia, há aqui um cheirinho a David Byrne. Também me parece, um ligeiro odor, vá.
E a partir de agora só conto os dias para o concerto que ele vai dar no Coliseu do Porto, em Abril. Já o vi ao vivo há uns anitos, talvez uns quinze, mas na altura a panca não era tão grande como agora. A minha, claro. A dele deve continuar na mesma.

30.1.08

É assim que me sinto:

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Fernando Pessoa
Hora de despedida do trabalho. Beijinhos a abraços a todos, amanhã há mais.
O oitavo andar do costume. Pára o elevador. Lá dentro, apenas uma colega de outro sector com a qual troco cumprimentos de circunstância quando com ela me cruzo.
- Boa noite, tudo bem?
- Tudo.
- Vai para baixo?.
- Vou
- Então vamos.

Dois andares descidos, eis que o elevador decide interromper a marcha.
Segundos de longo silêncio. Olho para ela, ela para mim. E tento quebrar o gelo, antes que me desate de rir. De nervoso e ridículo, como muitas vezes tenho vontade quando ando de elevador com pessoas que não conheço e nada tenho, nem elas a mim, para dizer.
- Parece que tem vontade própria.
- Estou a ver que sim.

Um solavanco e lá avança. Pouco, que volta a parar logo depois.
- Está bom, está. (desta vez é ela que começa a conversa)
- É. Parece que vamos passar aqui a noite. Trouxe saco-cama?
E sorriu.

Um minuto de indecisão, pego no telemóvel para ligar a alguém que nos salve e eis que o elevador decide arrancar de novo.
- Está a gozar...
- Parece que sim. Já pode guardar o saco-cama.

As portas abrem-se no rés-do-chão. Finalmente. Dou-lhe passagem.
- Obrigada.
- De nada.
- Até amanhã.
- Qualquer coisa encontramo-nos no elevador.
- Mas desta vez traz você o saco-cama. [detesto que me tratem por você]
- Combinado.

E assim terminou mais um dia de labuta.
Toca o despertador, ligo o rádio, ouço as primeiras notícias da manhã. "Há dois tigres à solta numa Estrada Nacional". Fantástico, gosto tanto de viver na Ásia, pensei.
Mas não, foi mesmo por cá. Pelos vistos, os bichos escaparam da caravana de um circo. Vou ali comprar tabaco e já venho. Apeteceu-lhes apanhar ar fresco. E foram.

- Alfredo, está aqui um tigre a pedir um maço de Marlboro. Posso vender ou peço o bilhete de identidade não vá ele ser menor?
- Está um quê?
- Um tigre. Não, espera, afinal são dois.
- Dois?
- Parece que sim. O outro acho que só veio fazer companhia, não vai consumir nada.
- Serão mesmo tigres?
- Parecem.
- Não será dos medicamentos para a vesícula que andas a tomar?
- Espera aí que eu pergunto-lhes.
- Pergunta lá.
- Os senhores são tigres?
- ...
- Não respondem. Quer dizer, assim à segunda até que parecem marmotas.
- Devem ser babuínos.
- Os babuínos não fumam.
- Pois não.
- Vendo-lhes os cigarros ou não?
- Vende, mas obriga-os a fumar lá fora que não quero problemas com a ASAE.
- São os do circo?

O melhor de tudo foi o excelente comentário do dono do circo quando instado pela comunicação social a comentar o insólito sucedido: "A culpa não é minha". Pois não, eu é que não devia ter deixado a varanda do quarto aberta quando ontem adormeci. Assim como há mosquitos que gostam de me invadir a casa, há tigres que podem ter vontade de fazer o caminho inverso. Os grandes malucos.

Desta é mesmo humor. Do melhor

Humanos - Quero é Viver (ora aí está, acrescento eu)

Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver

Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar, vou fugir ou repetir

vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã
eacredito que será mais um prazer

a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com idade
interessa-me o que está para vir
a vida, em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar vou fugir ou repetir

vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer

28.1.08

A primeira parte de uma longa comédia...

... que seria para rir não fosse realidade.
A explicação está no post de baixo. E a continuação desta saga também.

Brilhante (só não sei se para rir ou para chorar)

Não é humor, é Portugal, o verdadeiro Portugal que se diz europeu. O vídeo tem nove minutos mas vale a pena. E muito. Dá para perceber três coisas: o povo que temos, os serviços de saúde que temos e o que nos espera se um dia tivermos a infelicidade de precisarmos de assistência rápida rápida (?).
Brilhante, mais uma vez. Vale bem a pena.

PS: Isto aconteceu mesmo. E há bem pouco tempo.

25.1.08

Avó, hoje fazes 80 anos e chego à conclusão que tenho muito por te dizer.

Um dia que partas, espero que daqui a muito tempo, vou recordar a forma como olhas para mim. Com um sorriso que sem ser exuberante denuncia o carinho que tens por mim. Que só eu compreendo e só eu sei como me reconfortou ao longo destes anos. Por vezes nem precisas de dizer nada, basta olhares para mim para eu perceber que estás comigo. E nunca me vou esquecer do que me segredaste no dia em que me casei. Chorámos os dois, baixinho que somos discretos, e o beijo que me deste depois, e que te retribui, selou tudo o que não precisava de ser acrecentado. O casamento já era faz tempo, mas garanto que jamais irei apagar da memória tais palavras.

Mais do que reconhecimento do que fizeste por mim, tenho admiração por ti. E olha que se contam pelos dedos de uma mão as pessoas por quem nutro tal sentimento. Elogio-te pela forma como soubeste educar os teus cinco filhos depois de cedo teres perdido o marido – e o que eu gostaria de ter conhecido o meu avô –, como depois soubeste abraçar e cuidar dos netos sem que se te ouvisse da boca uma palavra de lamúria ou descontentamento, sequer de cansaço.

Tive a sorte e o privilégio de ser o primeiro deles. De sentir nos teus braços todo o calor do mundo, de te ouvir palavras sábias que me educavam no bom sentido da vida, de seres cúmplice das minhas traquinices de criança – que não contavas a ninguém –, de escutar os teus ralhetes naquele tom baixo mas que não precisava de mais entoação porque estava lá tudo. Soubeste, tu e o resto da família, mimar-me sem me tornar um idota inútil. Soubeste transmitir-me responsabilidade, a começar pelas coisas mais pequenas.

Nem imaginas as memórias que guardo daquela casa grande, cheia de gente, onde passei boa parte dos meus primeiros dez anos. Como eu adorava dormir lá, os teus cozinhados, brincar naquele quintal enorme, os meus amigos, a vizinhança. A escola primária, os cães, os gatos, os pássaros. E esfolar os joelhos nas árvores, arranhar as mãos naquele chão de cimento duro que me parecia veludo. A família junta, que tanto de bom me transmitiu nesses tempos e ainda hoje guardo bem guardado dentro de mim. Também não imaginas o quanto chorei sozinho quando decidiste vendê-la e tive que deixar aquele meu mundo. Ficou tudo tão diferente desde então. Só mais tarde percebi que a vida é feita de etapas e o que quiseste foi apenas encerrar uma delas. Mas ninguém me tira da cabeça que aquela casa há-de ser minha. Jurei-o no dia em que a deixei e estou longe de desistir da ideia.

De então para cá, e já se passaram vinte anos, habituei-me a sentar-me ao teu lado, muito menos vezes do que gostaria, confesso, e ouvir-te contar aquelas estórias dos tempos de África e de Lisboa. São tantas, tão fantásticas, ficam tão bem na tua boca. De partilhar contigo os altos e baixos da vida. E a continuar a saborear os pratos que te saem das mãos como se fossem obra de arte. Nunca provei um bolo de laranja tão bom como o teu. Nem nunca percebi como fazes aqueles molhos divinos.

Se nunca vou ter oportunidade de dizer o quanto gosto de ti, seja por falta de coragem – desculpa estúpida, eu sei – ou pelo que for, que fique aqui claro que o que nutro por ti é Amor. Assim, com letra maiúscula. Por muito tempo que viva, nada, mesmo nada, será suficiente para te expressar a gratidão e honra que tenho por ser teu neto.

Confesso que me caíram pelo rosto algumas lágrimas enquanto escrevi isto. Foram de saudade. Do passado e, principalmente, do futuro. Que ainda quero ver o teu sorriso muitas mais vezes.

23.1.08

Pulp Fiction II

E a belíssima Uma Thurman a dançar ao som de "Girl You'll Be a Woman Soon" dos Urge Overkill
Boas memórias...

Por falar em Pulp Fiction...

And you fuckin pricks move, and I'll execute every motherfucking last one of you...

Chama-lhe um doce, chama

Fil, resolveste complicar a coisa mas até que não será muito difícil responder-te à letra devido à minha paixão complusiva pelo Ennio Morricone.
As minhas cinco bandas sonoras de eleição são as seguintes (a ordem é aleatória):

Era uma vez na América - Ennio Morricone
Cinema Paraíso - Ennio Morricone
Era uma vez no Oeste - Ennio Morricone
Pulp Fiction - Vários
Magonlia - Aimee Mann (e mais alguns, mas sobretudo ela)


E agora, caro Filinto, o prometido é devido. Desafio-te para as seguintes correntes: quais as cinco posições sexuais favoritas entre as 23h26 e as 2h15; quais as cinco bebidas com licor de ameixa que mais te deliciam e quais os cinco livros de autores do hemisfério norte de África editados entre 1954 e 1962 que te caíram no goto até agora.

Quem quiser juntar-se não paga nada.

E fico por aqui para não me tornar chato.
Em Lisboa, toda a gente ficou em pânico ao aperceber-se de uma encomenda embrulhada com um lenço árabe abandonada junto a uma estação de metropolitano. "Ai, que andam aí os terroristas", gritou a multidão. E toca a chamar a polícia, alertada desde domingo sobre uma possível investida da Al-Qaeda em Portugal. Resultado: o pacote foi rebentado, não havia nada de anormal, foi tudo uma "brincadeira de mau gosto".
Meus amigos, terrorista a sério não deixaria algo mal amanhado no meio da rua, explodiria em plena carruagem do metro. Com honra, eficácia e sentido de dever. Espero é que sem mim lá dentro.

21.1.08

Mafalda Arnauth - Para Maria

Eu via-a cantar isto ao vivo e adorei. Isto e muito mais. Foi dos poucos concertos a que assisti em que me apeteceu ficar noite fora com quem estava em palco. Com ela e com os músicos, fantásticos. Duas horas que podiam ser quatro, seis, enfim. Surpreendente.

E as costas do vestido eram bem bonitas, eram. As costas, o vestido nem por isso.

A vida é um bocadinho como o tetris, jogo que muitos dão como repugnante mas a que acho uma certa piada. As peças estão sempre a cair-nos direitinhas no caminho, nós é que nos encarregamos de as desviar por burrice ou falta de destreza.

Pensamento estúpido, eu sei... Mas hoje deu-me para isto.

E isto já está reactivado, sim. A pedido de muitas famílias. De algumas, vá, que não quero parecer presunçoso.

12.1.08

O amor acontece

Ora aqui está a minha primeira surpresa de 2008. Tão simples, tão bonitinho. E conta com a Lúcia Moniz, que não se safa nada mal, não senhor.
O mais fantástico foi ter descoberto que, por razões desconhecidas do destino, foi visto quase ao mesmo tempo por duas pessoas a quem as histórias do filme dizem muito sem ambas terem combinado absolutamente nada. Por isso é que isto é engraçado. Pequenas coisas, pequenos detalhes que trazem muito atrás.

11.1.08

O facto de ter 30 anos (como isto passa depressa, porra), um casamento que se foi e um conjunto de atribulações que me levam a estar numa posição diferente daquela que o código de conduta da sociedade me impõe, mas que não faço tenção de seguir porque aprendi que a vida se vive dia a dia como se quer e não como os outros pretendem que ela seja vivida, fazem-me pensar que há projectos que há muito podiam estar arrumados numa gaveta e só não estão porque, simplesmente, não surgiu o momento perfeito para aparecerem.
Quer isto dizer o quê? Nada de especial. Apenas que me apetece continuar assim, sem problemas de consciência, com a noção de que há muita coisa ainda por conquistar aos bocados e mais ainda para conhecer. Além disso, e não menos importante, sinto-me bem, tão bem que me arrisco a dizer que com esta idade vejo as coisas com olhos mais de descoberta do que de pressa de chegar a algo que já devia ter alcançado há algum tempo.
Apetece-me ser feliz, conceito abstracto, é certo, mas útil para isto correr bem.

9.1.08

Agora que está confirmada a ida dos Gato Fedorento para a SIC, consuma-se a vingança há muito pensada pela televisão de Balsemão. Desde que a RTP roubou Guilherme Leite, o grande criador dos Malucos do Riso, que não havia em Carnaxide quem sossegasse enquanto não pregasse tamanha rasteira à estação pública. Fica ela por ela. Ou quase. Os Gato têm um bocadinho mais de piada, vá. Assim como a diferença entre os seios da Monica Belucci e da Luciana Abreu.
Anda meio mundo histérico com a possibilidade de os Estados Unidos virem a ser presididos pela primeira vez ou por uma mulher ou por um negro. Não percebo tamanho espanto. Afinal, a Casa Branca não foi ocupada por um atrasado mental nos últimos oito anos? Irreverência democrática difícil de superar, digo eu.

8.1.08

Smells like teen spirit...

... versão Tori Amos.

Reparem só naqueles olhos. Há muita droga ali, é certo, mas também uma sensualidade difícil de explicar. E garra. Bastante.

Californication

Ando tão desligado do que se passa nas nossas televisões que nem sei se esta excelente série já por cá rola. Acho que não, mas....
Do que tenho visto na net isto é muito bom, foda mesmo, diria. Literalmente. E o David Duchovny deixa aquele ar de polícia meio totó que fez com que cedo achasse os Ficheiros Secretos uma bela bosta. Ou então um excelente soporífero.

7.1.08

Não sei o que custa mais. Se pisar terreno desconhecido à espera de encontrar uma porta aberta sabe-se lá quando e onde, se imaginar que tudo isto não passa de uma ilusão estúpida para a qual só vou acordar quando for tarde.
Pedro, Pedro... Quem te conhecer que te espanque.

6.1.08

Primeiras conclusões sobre a Lei do Tabaco

- Cafés e restaurantes deixaram de cheirar a fumo e passaram a destilar um mais desagradável odor a gordura e a suor dos clientes e empregados. Nos shoppings, por seu lado, o perfume barato salta à sensibilidade das narinas como nunca.

- Os fundamentalistas anti-tabaco estão mais activos e idiotas. Os pró-tabaco também.

- A cultura dos bufos voltou a atacar em nome do Estado quase 35 anos após o 25 de Abril. Ainda não temos um Salazar em cada esquina, mas há um candidato a agente da Pide à mesa de um qualquer estabelecimento de restauração.

- Como era de calcular, junto dos locais onde é proibido sacar do cigarro amontoam-se no chão montes de beatas. Era bom que fossem as de igreja, mas ainda não chegamos a tanto, infelizmente. No Verão passado estive nos países bálticos, onde lei idêntica está em vigor há cerca de dois anos. Em cada duzentos metros de rua era possível ver um cinzeiro. Diferenças entre um país que se julga europeu e não faz nada para o ser e outros que o querem ser à força e se esforçam para tal (a Estónia vai ultrapassar-nos no próximo ano, por falar nisso).

- Ando a fumar menos, é verdade. Mas sinto-me um anormal quando sou obrigado a matar o vício durante as horas de trabalho na varanda de um oitavo andar onde mal cabem as minhas pernas.

- E porque tudo nem tudo são más notícias, é bom referir que no Porto é permitido fumar em bares como o Labirinto e o Mercedes.

2.1.08

Pixies

Boa semana de trabalho para mim. Obrigado e com licença.

1.1.08

Socorro, dei por mim a dizer que gosto de David Fonseca!
O ano começa bem, começa.
Vou ali colocar um Xanax debaixo da língua e enfiar a cabeça no forno, volto já.

31.12.07

Bom 2008!

E que o novo ano vos traga tantas surpresas como as que 2007 me reservou.

29.12.07

E o meu 2007 foi assim (mais coisa, menos coisa)

Olhando para trás, o que gosto de fazer cada vez menos, só me dá vontade de pensar que se em 2006 dissessem o que ia ser a minha vida em 2007 responderia ou com um sorriso de escárnio ou com uma valente cabeçada, tamanho o optimismo despudorado da perspectiva. A coisa correu bem, bastante melhor do que esperava.

Fiz 30 anos e, ao contrário do que supunha, estou mais compostinho do que há um ano. Mais maduro, mais feliz, com mais amor próprio, com mais vontade de agarrar a vida na mão e deixar-me guiar por aí.

Afastei todos, ou quase todos, os fantasmas de um passado recente que, por ter sido longo, temia que me perseguissem o resto da vida.

Aproximei-me em carne osso de várias pessoas cuja amizade nunca deixara esmorecer mas a quem faltava contacto pessoal para a tornar mais intensa e, que se lixem as lamechices, bonita. E os outros Amigos, aqueles com maiúsula também, continuam bem aqui dentro. Todos eles, todos, à espera de mais cervejas, jantares e muito riso nos próximos 340 anos.

Fiz umas férias absolutamente mirabolantes. Já que ninguém se aventurou a ir comigo correr a costa do Adriático de carro, meti na cabeça que ia sozinho para o Báltico. E lá fui eu. Duas semanas em que cada dia me surpreendia cada vez mais comigo mesmo e com o que via à minha volta. Escusado será dizer que conheci gente fantástica e lugares não menos interessantes. O mais porreiro de tudo foi ter feito coisas que, recuando o filme, jamais pensei que pudesse fazer. Pelo menos sozinho. Testei a minha capacidade de desenrascanço, perdi-me em aeroportos, em cidades que não conhecia, andei para todo o lado de mochila às costas, conversei com pessoas de umas dez nacionalidades diferentes e bebi como um animal. Sobretudo cerveja, acho que tive a minha dose para o ano inteiro. Ah, e até deu para ter o meu pedacinho de "Antes de Amanhecer".

Porque o melhor fica sempre para o fim, aconteceu algo que também sempre pensei que só pudesse suceder com os outros. Caí de cabeça por alguém que está bem longe de mim. Soltei da boca um "adoro-te" como há muito não soltava, vindo mesmo de cá de dentro, e ouvi resposta igual como também já não ouvia faz tempo. E voltei a ter gosto em querer fazer alguém feliz. O pior é que estou a gostar cada vez mais disto, desta estranha sensação de estar longe mas tão perto. Ainda bem. Pode ser que o novo ano me ajude a decidir como seremos nós. Porque se o futuro é um dia de cada vez, há alturas em que me apetecia saltar semanas só poder abraçar quem realmente quero. Paty, foste o meu melhor em 2007. Agora, se não for pedir muito, só quero que sejamos juntos o melhor que nos aconteceu em toda a nossa vida. Pode até ser loucura. Mas é como já te disse: só nos podemos arrepender daquilo que não fazemos.

PS: Só ainda não aprendi a cozinhar como deve ser. Mas consegui inventar uns 15 pratos de massa que faz favor de ver. Ou de provar.

PS2: As coisas más não vale a pena aqui referir. São passado, e recordações que só trazem dor estão bem arrumadas em mim.

28.12.07

Eu: "Então bom fim-de-semana"
Alguém: "Adeus"
Eu: "Porra, isso... Nada, esquece" (isso diz-se a quem morre, ia eu dizer, como sempre digo a quem se despede de mim com um adeus).

Detalhe: a pessoa em causa perdeu um familiar próximo há dias. Vá lá que o meu cérebro, de vez em quando, antecipa-se à inconveniência do que pode sair pela boca.
Sempre que uma personalidade polémica morre, as palavras dos que comentam o percurso da pessoa desaparecida variam entre o lamentável e o hipócrita. Esquece-se tudo de mau e resvala-se para um caminho de ocultação dos defeitos confrangedor.
Foi o que sucedeu agora com Benazir Bhutto. Foram evocadas as supostas qualidades democráticas da senhora, tida como salvadora da pátria, e esqueceu-se um ligeiro, mas muito significativo, pormenor: das duas vezes que chefiou o Governo do Paquistão foi afastada por suspeitas de corrupção, confirmadas posteriormente em tribunal.
Agora, que Benazir não merecia ser assassinada, isso não merecia, digo eu. Deve ser chato. Mais ainda porque depois de ter levado com meia dúzia de tiros no corpo, teve que suportar que o seu carrasco explodisse. Literalmente. É o que se chama rebentar de felicidade com a sensação de dever cumprido.
Só para avisar, se é que isto interessa minimamente a alguém, que nos próximos quatro dias (quatro!!!!) vou estar de folga. Objectivo: dedicar-me à preguiça total e deixar que pela cabeça apenas passem ideias relacionadas com tal. Palavras como trabalho, preocupação ou aborrecimento estão automaticamente abolidas do dicionário do meu cérebro até à próxima terça-fera. Aliás, daí para a frente farei como até aqui: deixarei que apenas apareçam em casos muito excepcionais.
Aviso, desde já, que quem me ligar antes das duas da tarde arrisca-se a ser insultado por alguém que detesta ser acordado à bruta. Com uma excepção, claro. Que para ela só há sorrisos mesmo que atenda o telemóvel às seis da manhã.

26.12.07

A única versão da "My Way" que eu suporto.

Bom pós-Natal, seja lá o que isso for.

Beijinhos e abraços, carinhos no rosto e massagens nos pés.

24.12.07

BOM NATAL!
E não se empanturrem de doces que dores de fígado são do catano.

Ennio Morricone III

E mais uma vez o Sr. Morricone. Com mais esta belíssima trilha sonora de um estrondoso filme, que me esqueci de incluir na bela da lista por pura estupidez, chamado Era Uma Vez na América. Grande em tamanho e maior ainda em qualidade.

23.12.07

Então cá vai o meu top 5:

Grace - Jeff Buckley
Doolittle - Pixies
Nevermind - Nirvana
The Bends - Radiohead
Achtung Baby - U2

Digam lá que não sou eclético?

Podia incluir mais uns 20 álbuns, pelo menos.
Tais como:
Funeral - Arcade Fire
Vespertine - Bjork
Give Me Convenience or Give Me Dead - Dead Kennedys
Strange Days - The Doors
King for a Day, Fool for a Lifetime - Faith No More
Felt Mountain - Goldfrapp
The Ultimate Experience - Jimi Hendrix
Barulhinho Bom - Marisa Monte
Play - Moby
Murder Ballads - Nick Cave
The Boatman's Call - Nick Cave
With Teeth - Nine Inch Nails
Roseland NYC Live - Portishead
Different Class - Pulp
Ok Computer - Radiohead
Soviet Kitsch - Regina Spektor
Irmãos do Meio - Sérgio Godinho
Melllon Collie and the Infinite Sadness - Smashing Pumpkins
Pisces Iscariot - Smashing Pumpkins
Curtains - Tindersticks
Tribalistas - Tribalistas
Joshua Tree - U2
Circo de Feras - Xutos e Pontapés
Perfil - Zeca Baleiro

E chega...

Vai mais uma corrente, vai?

Depois da corrente sobre os cinco filmes favoritos, que tal outra sobre os cinco álbuns de música que mais nos fazem vibrar? É este o desafio que vos faço. Agora está nas vossas mãos, Natacha, João, Rute, Mário, Filinto e Miguel. Quem mais se quiser juntar não paga nada e será muito bem-vindo.
Eu escolho daqui a pouco, agora estou cheio de sono e posso ser traído por isso. Avanço é com uma certeza: no top da minha preferência está o "Grace", do enorme Jeff Buckley.
Sempre que olho para a esplanada deste café, um dos Reval de Tallin, capital da Estónia, lembro-me daqueles três dias em que partilhámos cafés, chás de menta, cerveja, cigarros, bolinhos de amêndoa e, sobretudo, as nossas vidas. Como se tivessemos sido apresentados um ao outro há anos.
Era tão estranho. Eu a desabafar-te tudo o que estava dentro de mim, tu a atirares para fora a ressaca de um amor mal resolvido. Mas era bom, reconfortante. Como foi bom jantar contigo debaixo de chuva naquela pizzaria marada, corrermos atrás daquele eléctrico e fugirmos depois do fiscal que nos perseguiu por não termos pago bilhete, rirmos juntos quando entrámos naquele bar estranhíssimo e insultámos o porteiro que nos proibiu de fumar lá dentro, percorrermos aquelas ruas escorregadias que davam acesso ao porto só para nos sentarmos nos bancos e ficarmos a imaginar as histórias de vida dos que partiam rumo a outros destinos, emprestar-te o meu casaco enquanto congelavas, falarmos um francês macarrónico para as vendedoras de flores só porque sim, pararmos no meio da rua quando de uma janela qualquer saía Faith No More, trocarmos impressões sobre os nossos países e sentirmos que não estamos bem onde estamos e, muito provavelmente, nunca vamos estar bem em lado nenhum.
Foram três dias. Só. Tanto.
Como foi perfeito, também, o olhar que cruzámos no dia em que nos vimos pela última vez. Não foi preciso fazer nada. Porque não quisemos estragar o que foi bonito nem fazer sofrer quem ficou do outro lado. Faltou apenas dizer qualquer coisa, não soubemos o quê. "Thanks for making my days in Tallin happier", escreveste-me tu agora, passado este tempo todo. Foram essas as palavras que então nos ficaram presas na boca. Mas soube melhor ouvi-las agora. Estão mais maduras e significam que aqueles dias irão ficar dentro de nós como uma memória terna, se dúvidas houvesse.
E nunca vou esquecer o que nos prometemos quando te fui levar ao hostel pela última vez: um dia ainda vamos beber outra cerveja juntos. Tenho a certeza que sim. Estou é ansioso para saber onde.

22.12.07

Ennio Morricone

E esta faz-me chorar, admito. Da banda sonora de Malena, o tal filme das punhetas a mais. E da Monica Belluci. Sendo que uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra, digo eu. Ou se calhar até tem, mas agora é Natal e não me apetece pensar nisso.

Ennio Morricone - Cinema Paradiso

Este senhor é responsável pelas mais belas bandas sonoras que tive o privilégio de ouvir. Se o encontrasse à frente, ajoelhava-me e agradecia-lhe todos os arrepios de prazer que me proporcionou até hoje. E foram bastantes.

20.12.07

Cinema Paraíso

E esta é a cena final das cenas finais. Quem não se arrepia ao ver e ouvir isto não é ninguém. Ou é uma grande besta. Um ser merecedor de uma intensa e profunda violação por parte de um mamífero com mais de 200 quilos, vá. E estou a ser brando.

19.12.07

Os 5 favoritos (e outros que tais)

Respondendo ao teu desafio, ora cá vai a lista dos meus 5 filmes favoritos

Cinema Paraíso (porque representa tudo o que é a pureza do cinema, pela banda sonora do Enio Morricone, por aquele beijo poderoso à chuva, pela arrepiante e arrebatante cena final, pelo Alfredo, pelo Toto)

Pulp Fiction (se bem que já o tive mais em conta)

Apocalypse Now (por tudo, sobretudo pelo cheiro a napalm logo pela manhã)

Magnolia (por mostrar que a vida é uma teia tão complexa mas tão cativante ao mesmo tempo)

Antes do Amanhecer (pelo cenário, pelos dois personagens, pela envolvência, pelos diálogos, pelo amor quase proibido à flor da pele, pela paixão, por me fazer arrepiar sempre que o vejo e por me fazer sonhar que quero encontrar uma Julie Delpy)


Com muita pena de deixar de fora filmes como:

Morrer em Las Vegas

O Sentido da Vida

Adeus Lenine (e aquela enferemeira russa linda!!!!)

Mystic River (grande Sean Penn, quando for grande quero ser como tu)

E a tua mãe também (é como eu gosto: uma história simples mas bem feita, sem merdices a mais, com tudo lá)

ET (e não é que ainda me vem a lágrima ao olho quando vejo o moço ir ter com os seus?)

Às vezes sinto uma necessidade inexplicável de voltar a isto. Porque regresso a um tempo bom em que tudo me parecia eterno. Até o que sabia que não tinha futuro.

18.12.07

Gosto de passar tardes ao frio, especado em frente à porta de um tribunal e com uma multidão ávida de bater em tudo o que é jornalista. Tão entusiasmado estava o povo que chegou mesmo a acertar uma valente cabeçada numa camarada de redaccção. Emoções destas dão-me pica. E enregelam-me pés e mãos, o que é particularmente interessante.
Amanhã há mais. Pode ser que seja eu o ilustre contemplado com um soco na cara ou um pontapé nos testículos. Só para não me armar em estúpido. Antes isso que um tiro em cheio na cabeça. Sim, que hoje vi a dois palmos dos olhos gente que saca de fusco com a mesma facilidade com que de manhã pega na escova para lavar os dentes. Ou se calhar mais depressa, a julgar pelo aspecto da dentadura da maioria.
Ao menos que para a semana possa cobrir uma qualquer guerra em África. Sempre seria mais quentinho. Mas acredito mais depressa que o Pai Natal vá descer pela lareira de casa dos meus pais na noite de Natal.
Bem, de qualquer forma, se isto correr para o torto e eu for desta para melhor, deixem que vos diga que foi um prazer andar aqui 30 anos. E que sempre segui um lema que pode parecer idiota mas me ajudou a olhar em frente: "só te arrependerás daquilo que não fazes ou não tentas fazer".
Ah, e já sabem: as minhas cinzas exijo-as atiradas para o mar. Não quero cá saber de burocracias. E livrem-se de ouvir o "My Way" durante as exéquias.

16.12.07

No Porto, 16 mil pessoas saíram à rua para tentar bater mais um ignóbil record do Guinness. Vestiram-se de Pai Natal e desfilaram cidade fora debaixo de um frio que devia estar abaixo dos cinco graus. Os meus sinceros desejos é que todos fiquem de cama durante a consoada para reflectir se tamanha estupidez compensa uma pneumonia ou uma gripe poderosa.
Os organizadores da iniciativa, para além de parvos, devem ter lamentado que a Polícia Judiciária se tenha lembrado de deter os supostos autores da onda de homicídios na noite portuense poucas horas antes do início do desfile. Com a brincadeira, lá se perdeu a oportunidade de juntar mais umas largas dezenas de nomes à lista dos recordistas.
Por falar nisso, noite sem homicídios não vai ser noite. Mas que ninguém se lembre de me apontar uma Uzi, por favor. Um cadáver furado da cabeça aos pés não deve ser muito agradável à vista.

12.12.07

Este blog está parado vai para quase uma semana.
Mas se escrevesse o que me vai na alma não chegariam 500 linhas.
Poupo-vos trabalho e guardo-as para mim.
Há coisas que aqui não cabem.
Prefiro-as dentro de mim, nem que isso me custe e tenha a sensação que vou explodir daqui a cinco minutos.

Volto daqui a pouco, depois de um curto intervalo.
Se me apetecer.
Agora é que não estou muito para isso, peço desculpa.

6.12.07

Zeca Baleiro (ou a letra perfeita para definir como têm sido os meus dias)

Ando tão à flor da pele,
Qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele,
Que teu olhar "flor na janela" me faz morrer
Ando tão à flor da pele,
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele,
Que a minha pele tem o fogo do juízo final

Um barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras suicido

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que não acredito mais em você
Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
Mas vou tomar aquele velho navio
Aquele velho navio

5.12.07

Há muito que não vejo noticiado um atentado suicida no Iraque. É certo que andava mal habituado pois aquilo chegou a um ponto em que cinco minutos sem sangue pareciam uma eternidade. Mas não deixo de andar intrigado. Será que a população iraquiana foi totalmente dizimada e ninguém deu por isso? Se tal aconteceu, o Saddam deve estar todo contente lá no céu, ou onde estiver. Ele bem tentou, sem sucesso digno de registo, limpar os seus compatriotas nos quase 30 anos em que esteve no poder e agora vieram uns amercianos e uns terroristas que explodem como se não houvesse amanhã e limparam aquilo tudo. "Amigos, juntem-se a mim, vamos abrir umas garrafas de vinho, comer umas virgens e comemorar o feito que isto não é para qualquer um", pensará o homem. Isto enquanto tenta desapertar o laço com que o enforcaram. Porque nós daqueles são mais difíceis de desatar que os de marinheiro. E que aqueles que os incompetentes dos governantes aqui do burgo colocaram nos nossos braços e pés nos últimos anos.
Acho que o Governo não tem nada que se preocupar em fixar preços 'ecológicos' aos sacos de plástico que, para já, são distribuídos gratuitamente em quase todas as superfícies comerciais. Da maneira que isto está, não faltará muito para que os portugueses não tenham tusto no bolso para irem ao supermercado. Ou então, terão tão pouco que as compras caberão bem debaixo do braço.

4.12.07

Moledo


Houve frio de rachar à saída do Porto e um frio doce ao chegar lá.

Não houve Álvaro, mas houve um jantar alternativo com uma ementa superior.
Houve vinho tinto do melhor.
Houve whisky que ajudou a embalar as nossas deliciosas conversas entre um cigarro no exterior e o quentinho da sala (não sou parvo, pois não?).
Houve um sono tranquilo.
Houve um acordar estremunhado com uma voz do outro lado a afagar-me o coração e a fazer-me sorrir o resto do dia.
Houve um pequeno-almoço a desoras.
Houve compras no supermercado quais fadas do lar.
Houve um mar revolto mas tranquilizante no regresso a casa.
Houve a difícil conquista da quase desaparecida hortelã para os belos dos mojitos (santa senhora a que me arranjou a dita cuja depois de minutos de desespero).
Houve futebol e uma sempre especial vitória do grande FC Porto no estádio do maior rival.

Houve lasagnha belíssima.

Houve mais vinho e whisky.

Houve doces, belíssimos também.

Houve prendinhas (e eu ganhei uma que me baba de satisfação qual miúdo que recebe uma bola nova da mão dos papás).

Houve um filme que tem uma das cenas que mais me emocionou até hoje.

Houve mais non-sense (volto a perguntar se não sou parvo).

Haveria Party and Company não fosse uma inoportuna paragem de digestão.

Houve mais conversa.

Houve sono. Muito.

Houve um último almoço igualmente reconfortante.

Houve mar, de novo, agora apreciado mais calmamente enquanto imaginava como serei um dia como pai.

Houve despedidas com promessas de até mais logo.

Houve um regresso a dormir (e sem travagens bruscas para não acordar ninguém).

Houve companhias boas.

Houve vocês.

Houve mais um perfeito fim-de-semana.
Só não houve pijamas para certas pessoas. Mas não se pode ter tudo.

Acordei tão bem, mas tão bem, que mal abri os olhos corri logo a ouvir isto. Não sei porquê. Quer dizer, suspeito. Ou melhor, tenho a certeza. Deixando-me de coisas. Sei bem, sei. E tu também sabes. Acho que é loucura boa mesmo. Ou então fazes-me sentir tão no céu que não quero descer à terra. É bom, muito bom. Obrigado.

3.12.07

Às vezes penso que a minha vida anda contrário no tempo. Que o aconteceu não devia ter acontecido, que o que gostaria que acontecesse já deveria ter acontecido há muito.
Olho para trás e concluo isso, tento olhar em frente e percebo-o mais do que tudo.
Atirar a toalha ao chão foi lema do passado e resta agora descarregar dos ombros culpas, remorsos e arrependimentos e lutar pelo que quero nem que para isso arranque a pele aos pedaços (a minha, claro está). E não deixar que as dúvidas dos outros me inquietem. Porque também já lá vão as horas perdidas em que me preocupava mais com opiniões alheias e menos com o que sentia e desejava.

Por isso, resta-me acreditar que vou conseguir aquilo a que me propus. É o que sinto agora, não vá isto de viver perder a piada, que é coisa que não me apetecia por aí além. Além disso, são muitos os que me chamam de teimoso. Até que têm razão. Embora prefira dizer que é perseverança. E uma tentativa de ultrapassar aquilo que já conversei várias vezes com alguém cuja amizade me deixa orgulhoso: a falta de confiança em mim mesmo.

Havemos de aprofundar o assunto. No final, vais ver, concluiremos que somos apenas dois seres não alinhados que andam por aqui a esquivar-se de um mundo que está muito longe do dos outros e debaixo de olhares reprovadores de quem ainda não tivemos coragem de mandar à merda como deve de ser. Ou de despachar com um valente pontapé no glúteo. Talvez aí possamos dar mais valor a nós mesmos. Sem violências, claro.

Jeff Buckley - Last Goodbye

E logo a seguir isto. Para ter uma sensação próxima do orgasmo entre os 2m47s e os 3m8s.

Nick Cave - Far from me

Ou como acordar da melhor forma para uma semana de trabalho depois de um delicioso fim-de-semana.

Não sou parvo, pois não?

28.11.07

Para ti

Perguntaste o que queria mais da vida?
Quero fazer-te feliz e deixar-me embalar por ti o resto da vida. Quero poder ultrapassar tudo e todos para sermos um só. Quero que descubras comigo o nosso caminho. Quero que sorrias ao meu lado ao acordar. Quero deixar no teu rosto pedaços de beijos para não te esqueceres nunca de mim. Quero que estejas comigo para perceber se isto é tudo loucura ou se podemos mesmo sonhar connosco. Quero sentir-te. Quero-te a ti.
É pedir muito?
Só tu saberás se sim ou não.
Adoro-te!

27.11.07

Mais para as quotas (das boas) *

Só para dizer que te amo
Nem sempre encontro o melhor termo
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe
Como o mar está do céu

* e com dedicatória

Isto de agora trabalhar em instalações novas onde é proibido fumar tem as suas vantagens. Reparei hoje que consumi menos de metade dos cigarros do que antes. O que é bom para a saúde e para a carteira mas péssimo para a eliminação do stress.
Ah, e agora consigo ver ao longe o mar. O que dá sempre uma paz que só eu sei como me acalma.
Já não é só o FC Porto que domina tudo o que é competição em Portugal. José Rijo, um ilustre habitante de Alpalhão, conquistou no passado fim-de-semana o seu 14º título de "Rei dos Bigodes".
Tal como no futebol, não faltaram no final referências do vencedor às circunstâncias complicadas que antecederam a vitória, a qual, segundo afirmou José Rijo ao 'Diário de Notícias', poderia ter sido mais saborosa ainda não fosse um ligeiro acidente doméstico que lhe decepou parte da profusa pilosidade facial: "O meu bigode tinha 80 centímetros e dava com ele duas voltas às orelhas fazendo-o descair sobre o nariz. Era um espectáculo".
Palavras para quê? É um artista português.

Já agora, que é feito da pasta medicinal Couto?

Ora, de que é que se queixa?

Com a tua devida autorização. Obrigadinho, depois empurro-te das escadas abaixo para demonstrar o carinho que tenho por ti. Que é muito. Só por aturares os meus desabafos mereces um prémio.

"Venho aqui mostrar a parreca".

"A minha pardalona está a mudar de cor".

"Às vezes prega-se-me umas comichões nas barbatanas".

"Tenho esta comichão na perseguida porque o meu marido tem uma infecção na ponta da natureza".

"Fazem aqui o Papa Micau?"

"Quantos filhos teve?" - pergunta o médico. "Para a retrete foram quatro, senhor doutor, e à pia baptismal levei três".

"Apareceu-me uma ferida, não sei se de infecção se de uma foda mal dada".

"Tenho de ser operado ao stick. Já fui operado aos estículos".

"Quando estou de pau feito... a puta verga".

"O Médico mandou-me lavar a montadeira logo de manhã".

Não, isto não é conversa de taberna ou de um bairro social dos mais reles do Porto e arredores. São algumas das relíquias com que foi brindado o médico Carlos Barreira da Costa no quentinho do seu consultório ao longo dos últimos 30 anos.
Garantem as estatísticas oficiais que apenas oito por cento dos portugueses conseguem poupar algum dinheiro do salário ao fim do mês. O valor mais baixo desde 1961!!!!
É tão bom viver no Terceiro Mundo e dizer que sou europeu. Tão bom que me apetece ir daqui para fora.
Não por aí há quem me queira levar para outro lado, não?
Só para daqui a uns anos poder afirmar, como o Zeca Baleiro, "minha vida agora é cool, meu passado é que foi trash".
Aceito propostas.

24.11.07

E agora a versão da mesma canção desta vez com a Katie Melua – uma querida a miúda. Interessante ver como o Shane McGowan está ligeiramente embriagado, as always, e a sua voz afectada pela falta de dentição. Continua a ser um senhor, mesmo assim. Irlandês e basta. Ou melhor, britânico filho de irlandeses. Mas com muito sangue celta a correr-lhe nas veias. E álcool.

23.11.07

Uma musiquinha de Natal, vá lá

Agora que o Natal se aproxima (socorro!!!), não vão faltar canções da época arrepiantes e a puxar para o vómito em cada esquina, nas lojas, na rádio e em tudo o que seja lugar. Esta é uma excepção. Os Pogues, do grande Shane McGowan, com a ajuda de Kirsty MacColl. Agora, livrem-se de me atirar à cara com o George Michael, a Celine Dion ou o Michael Bolton. As represálias serão duras.

You were handsome
You were pretty
Queen of New York city
When the band finished playing
They howled out for more
Sinatra was swinging,
All the drunks they were singing
We kissed on a corner
Then danced through the night

Eis como elas nos levam.... ou não *

Sally Albright:
Most women at one time or another have faked it.

Harry Burns:
Well, they haven't faked it with me.

Sally Albright:
How do you know?

Harry Burns:
Because I know.

Sally Albright:
Oh. Right. Thats right. I forgot. You're a man.

Harry Burns:
What was that supposed to mean?
Sally Albright: Nothing. Its just that all men are sure it never happened to them and all women at one time or other have done it so you do the math.

* When Harry met Sally, filme que em português tem um título digamos que bastante absurdo

22.11.07

Não me lembrava de ter um mês com tantas despesas inesperadas como este. A última foi um belo de um telemóvel depois de o meu velho Nokia ter decidido cegar. Ou seja, o visor deixou de funcionar e ficou como o 'Branca de Neve' do João César Monteiro. Para as coisas se comporem mais um bocadinho, raspei a porta do carro ao estacioná-lo no parque de estacionamento de um shopping.
Ando até a evitar fazer um teste de saúde nos próximos tempos não vá descobrir que só tenho três meses de vida.
Portugal foi ultrapassado pela República Checa no ranking de países mais desenvolvidos da OCDE, nada que me tenha surpreendido, e quase o era pela Finlândia em termos futebolísticos. Teria sido engraçado se fôssemos eliminados pelos escandinavos. Primeiro, porque gosto deles. Depois, porque a jogar desta maneira ninguém merece nada do que seja. Aliás, foi quase deprimente assistir ao jogo e à forma como a selecção se borrava de medo perante um conjunto claramente inferior. Enfim... Continuai a mimar os jogadores e o Scolari e as coisas vão ser como até aqui: andará toda a gente contente por sermos os primeiros dos últimos.
É o que eu digo, ser adepto de clube ganhador faz-me ficar mal habituado.

19.11.07

Ando apaixonado por uma bela de uma canção de um anúncio. Já tinha idade para ter mais juízo, eu sei, mas escusam de o lembrar porque a minha mãe repete-me isso as vezes suficientes para não me esquecer que ainda estou longe de corresponder ao perfil de um filho perfeito. Bem, o comercial em questão é o que publicita as virtudes, se é que as tem, do Fiat Bravo. E a música, descobri depois de uma incasável busca na internet, chama-se 'Meravigliosa Creatura' e é interpretada por uma senhora chamada Gianna Nanni, cujo nome não me dizia nada, embora em Itália pareça ser dos mais afamados. Se calhar eu é que sou igonorante, peço desculpa.
Deliciem-se com a 'canzone'. Tanto como eu é que não porque senão fico com inveja.

18.11.07

Vanessa da Mata ou a imutável mulher que se plantou ao meu lado

Deixa ver se consigo escrever isto respeitando as regras mais básicas do jornalismo. Só para matar saudades do trabalho que já lá não ponho os pés vai para mais de duas horas e isto de alombar dias e dias seguidos causa habituação tão perigosa como o tabaco.

Onde? Coliseu do Porto

Quando? Sexta-feira, 16 de Novembro, 22h00, concerto de Vanessa da Mata

Quem? Uma mulher que ficou ao meu lado

O quê? A moça acima referida, que deveria ter sensivelmente da minha idade (saída da adolescência vai para um ano ou dois, portanto) conseguiu permanecer 1h45 minutos estática, literalmente, enquanto a Vanessa da Mata se agitava no palco tentando espevitar uma multidão que dela apenas conhecia a intragável (já não a posso ouvir mais, porra), Boa Sorte/Good Luck e se marimbava para o resto das canções, as quais apenas eu e mais meia dúzia parecíamos já ter escutado em qualquer lado. Pois a referida senhora não mexeu uma vez que fosse uma parte do corpo, não esboçou um sorriso e manteve uma cara que denotaria muito mais satisfação caso estivesse num funeral.

Porquê? Isso tentei eu perceber durante todo o concerto mas não consegui. Ou seja, além de me concentrar no palco, tive a mente a divagar num assunto paralelo completamente absurdo. Característica dos Gémeos, pessoas que não conseguem estar concentradas apenas numa coisa ao mesmo tempo.

Como? A resposta anterior cabe nesta. Mas que ficar um concerto inteiro de trombas e imóvel foi uma situação nova para mim, isso foi. E estar ao lado de uma pessoa assim digamos que não é lá muito agradável. A dada altura comecei a sentir-me mal por ela. Estive até para lhe dar dois estalos na cara e pedir que acordasse, valeu que ainda vou pensando nas coisas antes de as fazer.

Falando do concerto em si, pode dizer-se que foi engraçadinho sem ter sido excepcional. Concerto de single, como chamo aos 'shows' onde a maioria do público presente apenas conhece uma ou duas músicas do artista que está em palco.

Até já há imagens no Youtube e tudo... Tremidas, é certo. Bom de perceber, portanto, que não foram recolhidas por mim. Se o tivessem sido, saíram uma perfeição, como bem devem imaginar. Paciência. Fica um cheirinho, apenas.

Mais alguma coisa ou posso pedir a conta?

15.11.07

High Fidelity

E já que estou numa de música, cá fica um dos melhores filmes sobre a mesma que vi até hoje. Como o John Cusack, um actor tão bom como tão simples, e o Jack Black, que não aprecio por aí além mas que aqui até não me desagradou. Para rever daqui a pouco tempo, tenho quase a certeza. Já agora, está a aproximar-se o Natal e tal e coisa...


E agora pouco barulho que estou em contagem decrescente para ir ver esta menina.

Só espero é não ter que levar com a euforia do público quando ela começar a cantar a Boa Sorte/Good Luck, por sinal uma das músicas mais fraquinhas que até agora deu a conhecer.
E que me deixem curtir em paz quando espalhar os primeiros acordes da "Fugiu com a Novela", a "Você vai me Destruir" ou a "Vermelho".
Uma pena que não estejas aqui para me acompanhar. Porque está "um frio que suplica um aconchego" e queria partilhar contigo"beijos intermináveis até que os olhos mudem de cor".

Agora que a rádio é obrigada a passar 25 por cento de música portuguesa, apetecia-me perguntar aos nossos autores, cantores e afins se se sentem orgulhosos. Se fosse eu não me sentiria por uma razão muito simples: é que se até aqui não foi ouvida tanta música nacional como seria desejável, tal aconteceu ou por falta de qualidade da mesma ou por incompetência dos que a deveriam promover e divulgar. Ter que ser o Estado a surprir lacunas que a inciativa privada não consegue suprir parece-me sempre um mau sinal. Porque ouvir certas coisas por obrigação não é interesse público, trata-se simplesmente de parolice e miserabilismo. Sabe a esmola.

Bem, mas vou parar de falar mal e fazer como tu, grande Rute. Divulgarei algumas das nossas relíquias e depois deixo ao critério de cada um se a lei nos fará chorar, rir, vibrar, atirar da ponte abaixo ou tentar o suicídio numa estrada de grande movimento. Ou, simplesmente, ter vergonha do país em que vivemos, como muitas vezes tenho.

Para começar, o Eduardo Nascimento, o porta-voz do Portugal fascista do Minho a Timor que representou o país no Festival da Eurovisão de 1967 com o tema "O vento mudou". Ou, como diz o voz off, 'U ventu mudu'.

Quando estou com gripe, como é o caso, é disto que me lembro amiúde. Não sei porquê. Ou melhor, até sei, mas não vale a pena avacalhar. You know what i mean...

14.11.07

"My life is just a slow train crawling up a hill", canta ela. A minha vida também é mais ou menos isso. Só não sei onde é a estação final e se o caminho de regresso será penoso ou agradável.

13.11.07



Este senhor que aqui aparece na imagem, Mateus de seu nome, foi pela primeira vez ao veterinário este fim-de-semana. A viagem, a sua estreia em grandes aventuras externas depois de longos meses confinado às quatro paredes do meu apartamento, correu melhor do que esperava. Quer dizer, o miar estridente dele provocou-me surdez ligeira no ouvido esquerdo, mas tudo bem, o amor aos animais é bonito e eu aprecio. Desde que não leve uma cornada de um touro ou outra ferradela de um dobbermann dar-me-ei por feliz e continuarei a clamar pelos direitos dos ditos sem que caia no ridículo, como muita boa gente (?) faz. O que importa é que o gato está agora vacinado contra tudo o que é doença, pesado numa balança infalível (quatro quilos e meio, o monstro) e não irá haver parasita que o mate aos bocadinhos. Pior mesmo foi o que paguei por tudo isto. Garanto que se fosse eu o consultado desembolsaria muito menos – aliás, ando a adiar uma ida ao médico há meses. Interessante foi ter ficado com um boletim sobre o estado de saúde do paciente, completado com algumas informações bastante úteis. Como a que sua raça é a "Europeu Comum". Mais do que eu, portanto, que se fosse um europeu comum gabar-me-ia de ter as mesmas condições dos restantes europeus de primeira linha e não andava para aqui a brincar à vidinha num país que só é Europa por acidente de geografia.

12.11.07

Ser adepto do FC Porto é, realmente, torcer por um clube especial. Depois de ter procurado bater o record de vitórias, objectivo que acabou por não alcançar por mera infelicidade, eis que o FCP levantou a cabeça e partiu em busca de um novo propósito: superar o número de empates consecutivos em jogos para o campeonato. Pelos vistos, parece que a coisa está correr bem. Oxalá os árbitros continuem a ajudar a tal desiderato, como tem acontecido até aqui.

Algo que o FC Porto poderia fazer, para bem do meu ego, era interromper esta série de empates no jogo da Luz frente ao Benfica. Aí, o que gostaria mesmo era de ganhar com um golo no último minuto de descontos marcado da forma mais absurda possível, tipo o Sektioui acertar com o nariz na bola, o Quaresma engatar uma trivela bem engatada a 35 metros da baliza ou o Luisão atrasar do meio campo para o Quim e este deixar passar a redondinha por debaixo do pé direito. Isso é que era.

9.11.07

Vanessa da Mata

Esta menina vem cá este mês. Já que não poderei ouvi-la abraçado a quem quero, aceito sugestões a quem me pretenda acompanhar. Esqueçam é os amassos, isso está fora de questão por muito que goste de vocês. Beijinhos na testa ainda vá, o resto é abuso.

Está o tempo tão bom e anda um monte de gente a pedir um Inverno como deve de ser. É por isso que às vezes me apetecia perder a cabeça e desatar a espancar quem merece. Pena dar chatice. E fazer doer os nós dos dedos.
Isto tudo para dizer o quê? Que não sei o que fazer com a minha roupa mais quente. Camisolas acho que ainda não as usei e até as tenho jeitosas, seria um crime deitá-las fora. Dar aos pobres daqui não vale a pena porque o calor está igual para todos.
Acho que as vou mandar para África, não tarda muito e começa lá a nevar.
E envio papas Cerelac também. Não gosto de ver vestuário a nadar nos corpos de ninguém.

7.11.07

Zeca Baleiro - Balada de Agosto

Eu sei que isto parece mal vindo de um homem. Mas este moço faz-me sentir bem, mesmo quando canta supostas lamechices. O mérito acho que é esse. Transformar o que podia ser uma bela bosta em algo com o mínimo de sensibilidade. Gostei, gosto e acho que vou continuar a gostar.

6.11.07

Ainda mal refeito do recente acidente que deixou uma singela mossa na porta dianteira direita do meu carro e hoje ia espetando-me outra vez. Fiquei a milímetros de uma viatura cujo condutor se lembrou de travar de repente para abordar uma dessas mulheres que tem como posto de trabalho a rua e usa roupas ridículas para atrair clientela. Uma puta, vá.
Só gostava de saber quem iria ficar mais lixado se houvesse um embate. Se eu por ter mais uma despesa, se ela por perder uma oportunidade de engordar a carteira.
Treze mortos num violento acidente de viação e as duas estações que supostamente se dedicam exclusivamente a notícias, SIC N E RTP N, a nadarem completamente ao lado da actualidade no momento em que ela acontecia. A primeira manteve o intragável programa onde três supostos adeptos famosos dos grandes clubes debitam baboseiras sobre o mundo do futebol. A outra brindou-nos com uma apropriadíssima reportagem sobre índios da Amazónia.
Fazer televisão assim também eu. Teria era vergonha.

3.11.07

There's two kinds of people in this world, there's winners and there's loosers. Okay, you know what the difference is? Winners don't give up


Já tinha saudades destes dias pasmacentos de Outono, de passar folgas de manta pelos joelhos a ver filmes e filmes, de adormecer no sofá ouvindo os outros na rua e a tentar perceber o que lá fazem quando podiam estar bem mais confortáveis em casa..

E de ter surpresas boas.

Agora vamos ao "Último Rei da Escócia".

1.11.07

Weapon Of Choice - Fatboy Slim

Natacha, eu sei que copiar ideias dos outros não é lá muito bonito. Mas enriquecer o meu antro de estupidez com este magnífico momento do grande Christopher Walken, um senhor, é irresistível. Depois, se quiseres, podes espanacar-me. Desde que não me rebentes a cana do nariz em pedaços fininhos tudo bem. Há quem diga que dói muito. Ou atropela-me, deve ser engraçado. Escolhe.

30.10.07

Chamem-me o que quiserem, mas a voz desta menina é assim como que queridinha. Aliás, como ela. Muito embora isto possa soar a pedofilia, que a garota parece pré-adolescente.

- Fartavam-se de bater no homem, que era um santo. Assassinos, isto não se faz!
- Obrigado pela atenção, amigo.
- De nada. Isto agora passa na TVI a que horas?
- Não passa porque eu não trabalho na TVI, trabalho num jornal.
- Ora porra. Então como é que eu mais logo posso aparecer na televisão?
- ....
- E não dá para me filmar?

Borralheira, Covilhã, serra da Estrela, confins de Portugal

29.10.07

Uma mulher deu à luz quatro gémeos e vai agora sobreviver com os 450 euros do marido. Falei com ela e está para lá de contente. Para não lhe estragar a felicidade, tive o pudor de não lhe dizer que as ajudas que irá receber do Estado serão tão ridículas que dão vontade de rebolar no chão a rir. Ou de cortar os pulsos.
A senhora desdobrava-se em sorrisos cada vez que se lembrava dos filhos e da alegria de os ter dado à luz, logo tantos de cada vez – ainda por cima saíram-lhe do ventre com apenas quatro minutos de intervalo, o que quer dizer que uma bolada nos tomates deve doer mais do que doeu aquele parto.
Gosto de pessoas assim: felizes mesmo sabendo que o futuro será uma merda tamanhas as dificuldades que as esperam. Só nunca percebi se se trata de masoquismo ou de pureza.

28.10.07

Se me desse ao trabalho, e se tivesse talento para isso, de realizar um filme, esta seria obrigatória no OST. Assim o Moby deixasse, já agora.

Não percebo a indignação que por aí reina por o FC Porto ter anunciado que não irá parar o jogo voluntariamente sempre que vir um adversário a penar de dor no chão. Não é falta de 'fair play', é pugnar pela qualidade do espectáculo.
Além disso, a decisão é bastante prejudicial para os jogadores do clube. A partir de agora vão ter que começar a correr mais 20 minutos por jogo, o tempo que até agora perdiam a tentar perceber se um colega da outra equipa estava realmente lesionado ou apenas a fazer fita.
E, mais importante de tudo, o futebol não é para florzinhas.

Outra coisa, é de mim ou ninguém dá valor suficiente ao facto de o FC Porto contar por vitórias todos (todos!!!!) os jogos do campeonato e de não ter ainda perdido um único na Liga dos Campeões? Se fosse um clube que cá sei, o plantel já tinha sido recebido no Parlamento.