28.10.07

Juro que descarrego uma Uzi em quem ouvir dizer: "ai que bom que mudou a hora, assim pude dormir mais uma horinha".

Uma Uzi é capaz de ser demasiado. Dois sopapos, um calduço, três choques de alta voltagem, sete sugestões de toques rectais a sangue frio ou atiçar o carinho de um pittbull com o cio, talvez.

Um insulto baixinho, vá, que não sou pessoa de violências.

27.10.07

Björk - Jóga

Não é só a música, que vale muito a pena. É, sobretudo, a paisagem da Islândia que aqui aparece e me faz sentir cada vez mais vontade de lá ir. Alguém me acompanha?

25.10.07

Closer

Gosto de reter as boas recordações do passado. Por vezes, sabe-se lá porquê, o pior sobe-me à memória sem aviso prévio. Volta rápido para o canto de onde nunca deveria ter saído. Mas faz o suficiente para me importunar com coisas que já há muito deviam estar bem trancadas dentro de mim.

O milagre da vida segundo os Monthy Python

E a máquina que faz 'ping'!

24.10.07








Não, este vaso não contém nenhuma planta ilícita com efeitos alucinogénios ou similares. Foi apenas testemunha de uma das melhores noites que passei nos últimos tempos. Graças a vocês todos (como diria o Octávio, vocês sabem de quem eu estou a falar).
Noite essa que começou com uma bela refeição, estávamos esfomeados como cães, acompanhada de um vinho tinto diria que para lá de jeitoso – quantas garrafas foram: três?. Não é que fosse necessário, mas a mesa exactamente atrás de nós deu a deixa para aquilo que viria a ser um fim-de-semana de muita bojarda deliciosa quando uma das senhoras que lá se sentava se lembrou de repetir, alto e relativo bom som, a inusitada expressão "vamos fazer o sexo" umas quantas vezes. Ninguém levou aquilo à letra, mas ficou dado o mote. Não para três dias de desenfreada actividade carnal com bastante suor à mistura, mas para muita e deliciosa conversa com humor, ternura e sensibilidade (às vezes boçal, é certo) à mistura.
Uma primeira noite que terminou com toda a gente a olhar para o céu a espreitar as estrelas, e com que belo cenário o céu nos presenteou, de copo de vinho ou whisky na mão durante aquilo que me pareceram algumas horas. Não sei quanto tempo foi exactamente, terá sido o suficiente para ter sabido bem como tudo. O entusiasmo foi tal que alguém teve francas dificuldades em voltar à postura normal após ter a ideia, diria que pouco confortável, de olhar o infinito deitada num chão de cimento duro.
Se a noite acabou assim, escusado será dizer que divinal, o dia seguinte brindou-nos com um sol maravilhoso, que disfrutámos, alguns de nós, em plena praia. Cheguei a pensar mandar-me de cabeça ao mar, confesso, mas apanhar uma crise de hipotermia não fazia parte dos meus planos. Já bastou vocês testemunharem como a minha pele é quase transparente, portanto vê-la roxa não seria certamente agradável.
E houve também os momentos de convívio à mesa, ai aquele bolo de chocolate e a deliciosa picanha, que vão perdurar na minha memória tempos a fio. E houve mais uma noite, menos animada um bocadito, mas o cansaço era algum e adolescentes deixámos de ser já lá vão uns anos. E houve mais sorrisos, mais cumplicidades, mais sinais, creio, que amizades se reforçaram minuto a minuto. E houve o último dos três dias, mas não o derradeiro que passámos juntos, tenho a certeza.

Não poderia também de deixar de elogiar os teus dotes culinários (e obrigado por me acordares sem me atirares cama abaixo, o teu bater de porta foi como um despertar dos anjos), a tua paciência para aturar os meus desabafos (só tu mesmo para os compreenderes), a tua e a tua infinita generosidade (e o sorriso lindo da vossa filha), a tua pouca mas compensadora companhia (depois foste fotografar gajas, não te queixes...), o teu sentido de humor encantador e inteligente (já sabes onde está o magnífico casaco de pele de pastor alemão?).

Escrever isto com o cheiro a mar a entrar-me narinas dentro, não sei como é possível isto acontecer mas o vento por vezes faz milagres, aumenta ainda mais as saudades dos dias que tive o prazer imenso de compartilhar convosco.
Obrigado!

Ah, e acho que nunca falámos de blogues!

19.10.07

Bom fim-de-semana para mim. E para nós todos.


Um jovem casal brasileiro trocou o respectivo bebé de nove meses por uma televisão, um DVD e cinquenta reais, qualquer coisa como a ninharia de 20 euros. Os compradores da criança, curiosamente evangélicos (ricos princípios cristãos que apreenderam) acabaram por ser apanhados a tempo antes de fugirem com a criança.

Por acaso, estou a precisar de uma televisão nova. Tenho que fazer um filho rapidamente.

18.10.07

E com isto tudo já só falta um dia... Não é que o tempo até passou depressa? Só espero é que quando mais interessar as horas pareçam longos e arrastados minutos a atravessar o relógio.

Mais uma do grande Zeca Baleiro só para antecipar mais docemente o fim-de-semana.

Nada tenho vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida vida noves fora zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver

A acreditar no Instituto de Metereologia, que tantas vezes é tão fiável como as previsões do Banco de Portugal para o crescimento da economia, estão em perspectiva "temperaturas elevadas e céu pouco nublado que vão oferecer aos portugueses, até à próxima segunda-feira, um clima de Verão pouco habitual nesta altura do ano".
Ora bem, que isto dizer o quê? Que está em marcha uma bela invasão minhota que tem como objectivo conquistar todos os pedaços de sol que brilharem sobre a região entre sexta-feira e domingo. Faz parte do exército que se propõe a tal desígnio um muito significativo grupo, composto por gente que tem tanto de inteligente como de deliciosamente tola. E o que eu gosto desta mistura. Quase tanto como de gelado de menta com chocolate quente.
Por isso, tu, tu, tu, tu, tu, tu e mais tu, façam o favor de me aturar. Se posteriormente se arrrependerem, podem expulsar-me de casa que vou dormir para a praia. Coisa que adoro é olhar as estrelas deitado na areia antes de adormecer. E já não faço isso há algum tempo, confesso, o suficiente para começar a sentir saudades.

17.10.07

Espero sinceramente que os dois concertos do Caetano Veloso no Coliseu tenham sido uma valente merda. Era isso que ele merecia por ter autorizado bilhetes tão caros e que mereciam também os que se dispuseram a pagar tanto dinheiro para ver ao vivo alguém que não demonstrou o mínimo de consideração pelo público. Agora vai lá fazer queixinhas à Dona Canô, vai...

16.10.07

Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...

Me dê a mão vamos sair
Prá ver o sol!

Contagem decrescente

Segunda já lá foi.
Terça está quase.
Quarta bate à porta.
Quinta espreita bem perto.
E sexta, a grande sexta, ameaça aparecer não tarda nada.

Pena que o tempo não passe mais depressa.

15.10.07

Depois de um excelente fim-de-semana, acordei para o trabalho com esta disposição. Não é muito normal, podia ser pior (só de pensar que o meu pai pode ter dançado como os moços que aqui acompanham a Petula Clark assusto-me) e não há no Youtube sinal de uma belíssima canção da Marisa Monte com a Velha Guarda da Portela intitulada “Volta Meu Amor”, que me (nos) acompanhou nos magníficos dois dias e meio passados no cenário quase idílico descrito no post anterior . Obrigado, foi mesmo do melhor.

12.10.07




Este será o meu belo poiso de fim-de-semana. Melgaço, Minho, Portugal, com Espanha à distância de una mirada. Qualquer coisa, é favor não incomodar. Estarei demasiado ocupado para me preocupar com chatices mundanas. E tenho (temos) muito vinho para provar.
Era adolescente quando ouvi alguém dizer que a felicidade é apenas um momento transitório que a infelicidade oferece. Se não foi isto, foi parecido. Mas marcou-me ao ponto de achar que tal afirmação é, ao mesmo tempo, tipicamente portuga (ai o fadinho, ai a desgraça) e uma grande treta. Tempos houve, mesmo assim, em que olhava mais para o futuro e desconsiderava o presente. Agora é diferente. Sinto que tenho aproveitado o hoje como há muito não o fazia e sinto-me tranquilamente feliz. Não é como se tivesse fumado marijuana, mas a sensação anda lá perto. Só não provoca secão na boca, ligeira dormência nas pernas e sorrisos estúpidos. Estou bem comigo, estou bem com os outros, tenho adorado o que a vida me tem atirado para o colo e a marimbar-me baixinho para coisas reles . E quero continuar assim, se não se importam.
Curioso como a minha memória cola canções a pessoas que se cruzaram, ou continuam a cruzar-se, comigo. A associação é tão forte que há músicas que antes adorava e hoje não consigo sequer ouvir porque me recordam alguém que quero atirar para lá do esquecimento. E outras que apenas se tornaram especiais porque ao escutá-las sorrio por dentro com as memórias que me trazem.
Estou bonito, estou...

Tindersticks - My Oblivion

Eis quando letra e música combinam na perfeição. Gosto particularmente de ouvir algo como “the edges of our love are in the stars?”. Deveras bonito, digo eu.

She's my oblivion - it's to her I run
Out on the balcony - she waits for me
Out on the boundary - she smiles

She's my oblivion
Which way to turn?
The edges of our love are in the stars
And on the balcony

She waits for me
Out on the boundary
She smiles

Make this alive
Good days are back
Open your eyes when it falls
Come back to the air


I can't tell you what you already know
I can't make you feel what you already feel
I can't show you what's in front of you
I can't heal those scars

She's my oblivion
And my skin burns
Her hands all over me

She whispers:
“The edges of our love are in the stars? (choir)



Good days are alive
Good days are back
Open your eyes when it falls
Come back to the air

So look down to the street below
Don't look up to the stars above
You look around
See what's in front of you
Don't look down, don't look down

Can you see the light?
It shines onto us tonight
Can you see the light?
It's all around you.

11.10.07

Morphine - The Night

Cá vai mais uma da banda do grande Mark Sandman, o homem que tinha tanto respeito pelo público que morreu durante um concerto.

Morphine - Gone For Good


Há coisas tristes que sabem tão bem. Como esta.

OBS: O vídeo não é o original, mas não se pode ter tudo.

Um estudo aponta que 25 por cento dos portugueses apresenta sinais de depressão. Está explicada muita coisa, sobretudo o sucesso do recente CD conjunto da Mafalda Veiga e do João Pedro Pais.

Já agora, eu devo ser dos poucos que não se queixa de qualquer doença do foro psiquiátrico, por insignificante que seja. Serei normal?

9.10.07

Cento e cinquenta pessoas reuniram-se numa vigília e ficaram duas horas em silêncio por Myanmar, a antiga Birmânia. Foi a melhor forma de protesto. Aposto que se abrissem a boca não iam saber explicar o que lá se passa. Amanhã estarão na rua outra vez pelo direito a comer massa com a boca aberta ou contra a matança das focas no Canadá. Todos os motivos são bons para aparecerem na televisão com o ar compungido de quem quer salvar o mundo mas a mãe não deixa.

7.10.07

Domingo, dia santo, dia de baptismo do elemento mais novo da família. Manhã cedo, meto-me no carro e inicio uma longa digressão que me levará à igreja onde o puto receberá a água benta que, supostamente, o oficializará perante Deus. Só que mal saio de casa, e talvez porque Ele conhece bem as minhas desconfianças em relação a este tipo de cerimoniais e à Igreja Católica no seu todo, prega-me uma partida que dispensava de bom grado. Estou eu ao volante da minha magnífica viatura capitalista comparada a preço popular quando decido mudar de faixa de rodagem. Olho pelo retrovisor do lado do pendura, nada de carros num horizonte próximo, por isso toca a passar para o lado direito. Eis senão quando ouço um ligeiro chiar de pneus e uma pancada seca. "Ora foda-se (que é o palavrão que mais uso quando alguma coisa me calha mal), isto começa bem. Um acidente às 9h30 da manhã era mesmo o que me estava a apetecer", repeti umas 10 vezes depois de conseguir controlar o carro e evitar um outro embate contra o passeio – sim, que o belo do Lancia ainda decidiu guinar ligeiramente só para testar a minha aptidão ao volante. Saio do carro, olho para a rapariga que teve o privilégio de chocar o respectivo veículo contra o meu e assusto-me. Não propriamente com a cara de pânico da moça, mas sobretudo com a pelugem que lhe enfeitava o pescoço. "Desculpe, a culpa é minha, não a vi, deve ter sido o ângulo morto", disse-lhe. "E agora, tenho que ir abrir a loja no Norteshopping ou ainda vou ser despedida?", responde. "Ora porra, vou ter que inchar o dinheiro do seguro para lhe pagar o conserto e queres ver que ainda vou ser responsável por mais um desempregado?", pensei. Lá chegámos à conclusão que éramos pessoas de bem e que não era preciso chamar a polícia para nada, nisto de sacar conclusões sobre pessoas que conhecem há menos de um minuto os portugueses são mestres, e fomos para um café preencher a declaração amigável. Foi a primeira vez que me dei a tal trabalho e fiquei entusiasmado ao perceber que há algo mais complicado de fazer do que mergulhar em apeneia durante cinquenta segundos. Meia hora depois despedimo-nos. "Qualquer coisa pode ligar-me à vontade", tranquilizei-a. "Desde que não me convides para sair, estás à vontade, telefona à hora que quiseres", sublinhei apenas para mim. Olho mais calmo para a porta do meu carro e vejo-a parcialmente metida dentro. Penso no que vou gastar e no trabalho que vou ter a tratar de tudo o que tem a ver com o seguro, desespero durante dois segundos e sigo caminho. Pouco depois de regressar à condução quase atropelo um cão que se atravessa à minha frente. Da próxima vez que for convidado para um baptizado que calhe em dia de trabalho, juro que não peço uma folga. Ele pode gostar de repetir a brincadeira e eu não estou para isso.

5.10.07

Enquanto não a ouvimos juntos, fica aqui para quando quiseres lembrar-te de nós.
Adoro-te, Paty!

O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito
O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.
O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.

Para ti, meu amor

2.10.07

Agora que estou a pensar novamente deixar de fumar (podem rebolar a rir os que já me ouviram dizer isto 547 vezes, pelo menos) decidi fazer um ligeiro teste de abstinência. Até agora, a coisa está a correr bem. Há cinco minutos que não pego num cigarro.
Acho que vou raptar um bebé de uma maternidade. Além de ser um bom teste à perícia e à capacidade de discrição, deve ser também óptimo para aliviar o stress. Depois devolvia-o, claro. Colocava-o num cesto junto a uma igreja qualquer ou à porta da Sociedade Protectora dos Animais. Fizesse o que fizesse, a julgar pelo veredicto do Tribunal de Penafiel, nunca iria para a cadeia. Só teria que tratar a criança com amor e carinho e mostrar-me muito arrependido. Esta última seria a parte mais complicada porque não sei fingir que choro. O resto com duas bofetadas na cara resolvia-se.
O pai do Presidente da República morreu e foi primeira página em quase todos os jornais. Quando for eu, só vou aparecer na secção de necrologia. A não ser que o meu Nelo vá para político.

1.10.07

Agora que já não me livro de arrepios de frio de dez em dez minutos e que sou obrigado a andar de meias em casa, figura ridícula, só me apetece dizer uma coisa: ora foda-se. Este deve ter sido dos Verões que me soube melhor, não sei muito bem explicar porquê. Aliás, há muitas coisas que gostaria de perceber e não consigo. Umas angustiam-me, outras fazem-me ter dúvidas , outras simplesmente divertem-me. Pena que não ache piada nenhuma ao que me tem assaltado a mente ultimamente, mas enfim...
O melhor é esquecer, são apenas divagações de quem não tem mais nada para fazer além de andar para aqui a escrever coisas sem sentido enquanto vai tentando percebendo o que quer da vida. Ou melhor, até que sabe. Resta saber é se está certo, errado, iludido, fodido ou simplesmente a tentar ver para lá daquelas barreiras que depois de ultrapassadas permitem o acesso a um caminho feliz e correcto.
Além disso, sou Gémeos.

Obs: aqui em baixo está uma bela de uma canção dos Faith No More. Não é a primeira, que aquilo é dose dupla. Basta esperar um bocadinho e surge logo a "Just a Man", que me acompanhou nas minhas férias durante dias a fio, sobretudo naqueles em que andei em Tallinn com um grupinho de pessoal de diferentes nacionalidades que junto se divertiu, riu, conversou de tudo e mais alguma coisa como se conhecesse há anos . Bebíamos muito também, mas isso agora não interessa nada. Isto quando me batem as saudades em alturas em que estou mais em baixo não é nada bom. Mas não há razão para preocupações extremas. Tenho demasiado amor à vida para sequer pensar em mandá-la à merda por um minuto que seja.

28.9.07

Os Xutos não são a melhor banda portugues. Eles são A banda. Os maiores, grandes. E então ao vivo metem nojo de tão bons.

A minha vontade de escrever neste blog tem sido tanta como a que tenho de me lançar numa aventura homossexual nos próximos cinquenta anos. Quase nenhuma, portanto, não vão mentes maldosas pensar que estão perante uma confissão apaneleirada da minha parte. Mas hoje resolvi abrir uma excepção. Não para um caso gay, mas apenas para comentar o que se tem passado no PSD, esse ilustre partido que, para nossa desgraça, já nos governou anos a fio e agora lidera a oposição, ou diz que o faz. Uma coisa é certa: qualquer que seja o vencedor das eleições directas de hoje, adivinho tempos difíceis para os sociais-democratas e, por arrasto, para os portugueses. Não vou falar da baixa estatura de Marques Mendes e da sua gritante falta de ideias e critérios ou das dificuldades de Luís Filipe Menezes dizer duas frases seguidas sem indirectas maldosas e de gosto duvidoso. Prefiro antes assinalar que um dos maiores partidos nacionais passará a ser liderado por um indivíduo que faz afastar da política e das mesas de voto um milhão de cidadãos cada vez que abre a boca. Ambos os candidatos são tão fracos, tão fracos, que me sinto envergonhado. E nunca votei PSD uma vez que fosse na vida. Acho que preferia gostar de homens, aliás.

26.9.07

Rute, cá vai mais um post plagiado do teu estaminé, com devida autorização prévia, claro está. Da próxima vez que nos virmos, lá para 2010, ofereço-te uma garrafa de vinho. Ou um belo de um pontapé na rótula esquerda, depois escolhes o que achares melhor para ti. Entretanto vamos falando, nem que seja para dizer absurdos conscientes, como de costume. Sabe bem. Ah, e assino por baixo o que escreveste. Porque, como já te comentei, o pior do casamento é a sensação de eternidade que deita a perder tanta coisa e faz desaparecer muito do bom que há numa relação bonita a dois se a coisa não for alimentada convenientemente. Digo eu, que já me casei, descasei e não quero ouvir falar em casamento tão cedo. O resto tu explicas bem. Obrigado, tiraste-me as palavras da boca.

Cá vai:

O «Correio da Manhã» revela hoje que a alemã Gabriele Pauli, militante da União Social-Cristã defende que o casamento deveria ser um contrato temporário prorrogável, ou seja, deveria terminar automaticamente ao fim de sete anos, podendo o casal renovar os votos se quisesse. Eu acho bem. Acho bem porque se acabariam as temíveis crises dos sete anos. Acho bem porque se acabariam – sem grandes dores de cabeça – os casamentos falhados. Acho bem porque haveria festa de sete em sete anos. E, sobretudo, acho bem porque o casamento a prazo iria obrigar a mais esforços, tal como os fazem os namorados. A possibilidade/o perigo de o outro não querer renovar os votos ao fim de sete anos poderia obrigar-nos a mais trabalho de casa, a menos discussões, a mais cinemas, a mais jantares, a mais flores, a mais cuidados. A mais sexo. A mais. Acho bem. Olho para mim, olho à minha volta e creio ainda mais nessa teoria. O casamento deveria ter prazo. Pelo nosso bem.
Serve o presente post para anunciar oficialmente que o meu Inverno começou hoje quando, pela primeira vez em muitos meses, cheguei a casa e vesti umas magníficas calças de pijama bem cardadas. E não, não tenho pantufas com patinhos ou outros animais ridículos.
Uma merda, é o que é. Estava a gostar tanto do calor e agora vem o frio lembrar-se que também é gente só para me chatear um bocadinho, o porco.

24.9.07

Para começar bem a semana II

Para começar bem a semana I

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Florbela Espanca

23.9.07

A principal descoberta que fiz no IKEA foi... geleia de mirtilo. Quais móveis, camas, estantes e afins, o melhor mesmo foi esta pérola dos deuses que agora está disponível ao preço da chuva na bem gizada mega-loja do senhor sueco com um nome esquisito. Devo dizer que comprei uma embalagem na sexta-feira e já a empaturrei quase toda. Aconselho vivamente.
Enquanto escrevo este post, chego é à conclusão que a bela da compota deixa o teclado pegajoso, o que é uma porra.
Assisti a uma reportagem na RTP1 sobre o lançamento do filme "Fado" e fiquei com uma dúvida: o realizador é o Carlos Saura ou a Rosa Veloso? Digo isto porque tantas vezes apareceu na imagem um como o outro. O que é, aliás, normal quando se trata de uma peça da correspondente da estação pública em Espanha. Só lamento que a mulher nunca tenha tido a sorte de ser filmada em cheio durante um atentado da ETA. "Com imagem de Michael Gore, Rosa Veloso, a RTP no País Basco. Quer dizer, o tronco no País Basco, o resto do corpo espalhado algures por aí". Seria épico. E merecido.

21.9.07

Se os piropos agora não fossem quase ilegais, atrevia-me a dizer que a Julie Delpy é um doce que me apetecia saborear uma noite inteira. Mas além disto soar compleatamente estúpido e parolo, ela deve ter mais com quem partilhar serões.
Serve tal de prelúdio idiota para referir o seguinte: a menina resolveu lançar-se na aventura de dirigir um filme. Coincidência, ou talvez não, a fita chama-se "Dois Dias em Paris", o que me deixou logo desconfiado de que seria uma tentativa de chegar aos calcanhares dos brilhantes e absurdamente belos "Antes do Amanhecer" e "Antes do Anoitecer".
Ainda não vi o filme, por isso não posso dizer se é bom ou mau. Aquilo que me apetece para aqui desabafar é que se ela conseguir chegar aos calcanhares da cena que se segue, basta apenas isso, tiro-lhe o meu chapéu e ajoelho-me numa cama de pregos. É, simplesmente, um dos diálogos mais ternos e deliciosos que já vi. Como eu gosto: simples mas muito, mesmo muito, bem feito.
Diria lindo, mas depois acusam-me de andar lamechas.

19.9.07

Nine Inch Nails - The Hand That Feeds

Ah, e aprecio bastante estes senhores também. Agora chega que por hoje exagerei.

Pixies - Monkey gone to heaven

Não sei se já disse, acho que sim, mas gosto muito disto. Não sei se já disse, acho que sim, que vibro ao ouvir esta coisa boa já lá vão mais de 15 anos. Não sei já disse, acho que sim, que isto é mesmo delirante. Não sei se já disse... É melhor ficar por aqui. Depois acusam-me de ser chato.

Planos para as quatro folgas consecutivas que amanhã, quinta-feira, se iniciam e que se seguem a dez intermináveis dias de trabalho (dez!!!).

1 . Dormir, muito e profundamente.
2. Jantares, jantares, jantares, copos, copos, copos e gargalhadas, bastantes.
3. Uma ida àquele restaurante a que pretendo ir novamente já lá vai quase um ano.
4. Um ou dois passeios na marginal acrescidos da indispensável leitura de jornais frente ao mar.
5. Fazer compras para a casa qual fada do lar.
6. Continuar a escrever coisas estúpidas neste humilde blog
7. Mais uns copos e uma dose exagerada de humor non-sense.
8. Olhar para o Porto durante a noite do lado de Gaia, de preferência sem cair ao rio.
9. Dormir mais um bocado.
10. Pastar, preguiçar e outras coisas tão boas que se fazem quando o ócio aperta.

Segunda-feira vou chegar à conclusão que não fiz metade. Mas fica a boa intenção. Ao menos que durma.
Agora que os piropos obscenos podem ser punidos com um ano de cadeia, adivinho uma grande crise de mão-de-obra no sector da construção civil nos próximos 72 anos. Depois disso não é preciso preocupar-nos porque ao ritmo a que o mar tem avançado Portugal já não fará parte do mapa nessa altura.

18.9.07

Goldfrapp

João, vê lá se gostas disto. Se não te agradar posso mandar para trás e peço um prato de carne ou peixe à tua escolha. Só não pago a conta que este mês isto anda tremido.

Obs: o vídeo não é oficial mas as imagens de Paris até que são porreiras, diz lá que não são.

Juro que no dia em que conseguir não adormecer num tribunal vou abrir uma garrafa de vinho e bebê-la com um bom grupo de amigos.
Ia propôr uma orgia, mas não gosto de confusões.

17.9.07

Estes moços apanharam mais de 100 da Nova Zelândia, mas só pela forma como cantam e sentem o hino nacional mereciam ganhar o mundial de râguebi. Eu, que até nem sou patriota, fiquei impressionado.

16.9.07

Pulp - Common People

Gosto destes tipos, em particular do Jarvis Cocker. Olho para ele e recordo-me como era na adolescência: alto, desengonçado, magro e com um penteado que só mais tarde concluí que era um bocadito ridículo. E parvo, característica que ainda hoje mantenho com um certo prazer.


Fico todo orgulhoso cada vez que a Vanessa Fernandes conquista mais um título internacional no triatlo. É reconfortante perceber que ainda há homens em condições no desporto português.

15.9.07

Bom, já que certas pessoas adivinharam que uma seta atravessou a minha pessoa, não há como mentir mesmo. É verdade, declaro-me culpado. E é tão bom sentir o que sinto depois de tanto tempo em que tal sentimento andou arredado de mim. Ainda por cima alguém como ela, com um sorriso misterioso e belo como nunca vi, um sentido de humor contagiante, uma alegria admirável e linda, sobretudo linda. Uma pessoa que me deu vontade de fazer alguém feliz de novo. Que está longe, é certo, mas que um dia vai (vamos) estar bem perto. E ela tem nome, chama-se Patrícia, prefere que a tratem por Paty e a responsável por eu estar a sentir esta coisa esquisita e boa que se chama paixão. Obrigado linda, és um amor!

Lá terá que ser...

... diz que é uma corrente. E eu dessas coisas tenho medo, muito medo. Tanto que enquanto escrevo estas curtas linhas estou a urinar-me pernas abaixo.

14.9.07

E este é um dos melhores beijos que vi até hoje. Cinema Paraíso, claro... Lindo!

Mar Adentro

Confesso que chorei quando vi esta cena pela primeira vez...

13.9.07

Praga, Praha, Prague

Senhoras e senhores, eis a cidade mais bonita que tive o privilégio de visitar. Percorri aqueles cantinhos todos com a melhor companhia do mundo. Obrigado, mana: foste o melhor que podia ter tido numa fase bem complicada da minha vida!

Pergunta inocente: a novela da Maddie vai durar tanto como o 'Anjo Selvagem'? Não valerá a pena acabar com isto de uma vez e revelar que o mordomo é o verdadeiro pai da miúda e que Gerry, num acto de desespero brutal, matou-a e escondeu o corpo no armário do quarto do Ocean Club, onde acabou por descobrir uns seis ou sete outros amantes da mulher? E, já agora, que o mordomo é um queniano que vendia estátuas de madeira em Lagos e está a actualmente a destruir mais casamentos algures entre Benidorm e Torremolinos? Quanto a Kate, está grávida de um menino a quem pensa baptizar como Madeleine, futuro travesti de sucesso em Leicester. Estou é ansioso para saber o final dos agentes da Polícia Judiciária envolvidos na investigação do caso. Parece que vai sair dali um casamento a realizar no Canadá.

12.9.07

Mas isto sim: é a cena final perfeita, de um filme perfeito, com uma banda sonora perfeita. Quem nunca viu isto merece o inferno. Quem viu e não se emocionou é porque não tem sangue a correr nas veias. Quem nunca chorou é porque não é sensível o suficiente para apreciar a beleza. De tudo.

Magnolia - Wise Up

Eis a (quase) cena final de um dos meus filmes favoritos. A banda sonora, da menina Aimee Mann, é ainda melhor. Grandioso. Que saudades de ver isto outra vez. Espera lá, acho que tenho o filme ali em DVD, foi uma das melhores prendas do meu 30º aniversário, ainda por cima oferecida por um grupo de GRANDES amigos que decidiu encher-me as medidas com um monte de filmes me fazem babar de satisfação. Só faltou o Cinema Paraíso, mas estão perdoados. Obrigado camaradas! Por vossa causa lá vou eu deitar-me outra vez madrugada dentro com uma manhã de trabalho à minha espera...

11.9.07

Portishead - Glory Box

Se fosse mulher, esta era a canção que exemplificaria de forma perfeita o que esperaria do homem que desejasse amar da forma mais intensa do mundo. Como sou homem, limito-me a esperar que alguma me diga um dia uma coisa do género.

10.9.07

A 11 de Setembro de 2001 cheguei ao jornal onde trabalhava na altura e ao olhar para a televisão vi um avião embater numa das torres do World Trade Center. Ao lado, um colega cujo nome me abstenho de escrever mas que posso afirmar que é dos tipos mais broncos que conheci até hoje, garantia-me que se tratava um aparelho da polícia que estava em perseguição a um pequeno Cessna que tinha chocado contra a outra torre do WTC.
Confesso que achei aquilo muito estranho e não demorei muito tempo a percerber que aquela teoria era completamente absurda, assim como as 500 que se seguiram aos atentados – um pouco ao ritmo do que hoje se vai passando com o caso Maddie. O coração dos Estados Unidos tinha sido atacado e pensei de imediato que estava em marcha o início da III Guerra Mundial. Por breves instantes imaginei-me no meio de um cenário de conflito qualquer, mas enfiei um pacote de açúcar na boca e desci à Terra em dois tempos.
Pouco depois de as torres caírem, literalmente, algo a que assisti com a boca aberta de espanto (o que eu gosto de bocas abertas de espanto) mandaram-me realmente para o World Trade Center. Estive para responder que não valia a pena porque já não havia World Trade Center e o jornal não comportaria uma viagem de urgência para Nova Iorque – o máximo que estive para fazer no estrangeiro foi um trabalho em Omã, adiado precisamente por causa do 11 de Setembro – mas o que a chefia pretendia era que fosse para o World Trade Center do Porto, onde havia uma bela de uma ameaça de bomba.
Lá chegado, deparei-me com uma cena verdadeiramente portuga: o edifício fora evacuado por razões óbvias mas perímetro de segurança nem vê-lo. Resultado, uma multidão concentrava-se à porta e esperava pacientemente que a bomba explodisse. O que seria bom para mim em termos jornalísticos porque assistiria ao vivo e a cores a um pequeno massacre que arrastaria para a morte uns cem pacatos cidadãos que apenas queriam divertir-se a ver uns engenhos fazer um prédio ir pelos ares.
Tal não aconteceu mas mesmo assim deu para fazer umas coisas no local, não me lembro exactamente o quê. O que sei é que, regressado à redacção, tive ainda trabalhinho de sobra até às três da manhã (isso mesmo, três da manhã!). Eu e o resto dos camaradas, verdade seja dita. Valeu um rápido mas agradável jantar pelo meio, em Leça da Palmeira, onde ouvi uma das melhores da noite: uma senhora que se queixava do cancelamento da emissão do Big Brother 'só' por causa do que acontecera em Nova Iorque. Ainda por cima em noite de expulsão, lamentava ela...
Resumindo, foi um dos dias mais trabalhosos que tive até hoje mas que me deu um prazer do caraças. Até porque no meio da anarquia a coisa correu bem graças à inteligência e cabeça fria de meia dúzia – eu apenas me limitei a embarcar na onda. Quem dera mais dias do género, garanto que são coisas destas que me dão verdadeira pica.


PS: A 11 de Setembro de 2007 vou fazer um julgamento de uma senhora que decidiu simular uma gravidez e raptar uma bebé de um hospital. Levarei um rádio pequeno para ficar colado ao ouvido não vá o Bin Laden lembrar-se de derrubar outras torres quaisquer, o malandro.

9.9.07

The Clash - Should I stay or should I go

E como se esquecem tristezas futebolísticas e outras que não vêm ao caso, como é? Ouvindo isto. Outros que são grandes, muito grandes, bastante grandes, enormes. Não é que seja intolerante, mas quem não gosta dos Clash merece ser colocado numa jaula de tigres com o cio.

8.9.07


Pensava que Octávio Machado era o único treinador que colocava um jogador com pouco mais de 1,65 metros como ponta de lança. Enganei-me, Luiz Felipe Scolari é igualmente burro a esse ponto. O homem pode ser muito bom a nível psicológico com as injecções de confiança dadas aos jogadores através de bilhetinhos e outros mimos. Agora, a nível táctico é um desastre. E comprovou-o bastas vezes, as suficientes para já ter levado um pontapé no cu e ir chular outra federação ou clube quaisquer.

Além disso, nunca lhe vou perdoar a humilhante derrota com a Grécia na final do Euro 2004 e outras patetices, como a incapacidade de virar o jogo contra a França na meia-final do último Mundial – parecia que estava em pânico no banco. Porque não sou dos que me contento com vitórias morais. É o que dá ser adepto de um clube que já foi duas vezes campeão da Europa e do Mundo e soma títulos atrás de títulos a nível interno: fica-se mal habituado.

Pixies - Vamos

Eles são os maiores. Os maiores não, dos maiores. São grandes, loucos, deliciosos. E já me acompanham desde há tanto tempo que merecem aparecer aqui mais do que a conta. Ai Pixies, Pixies, o que muito curti à vossa custa... E continuo a curtir, o que é interessante. Tenho um amigo que diz que até dar uma queca ao som deles sabe melhor. Mas da minha vida sexual não falo, por isso ficam por saber se prefiro ouvir Pixies ou música de fazer meninos enquanto me dedico a prazeres carnais. Se bem que música melosa me faz adormecer em qualquer circunstância.
Pixies forever!

Um soco bem dado no estômago, um pontapé que estale perónio e tíbia ao mesmo tempo, uma cabeçada que estraçalhe a cana do nariz em pedaços mais finos que vidro, dois dedos olhos acima, outro murro no meio das pernas até rebentar com túbaros ou trompas de falópio e muito mais coisas violentas que agora não me ocorrem. É isso que me apetece fazer à próxima pessoa que a mim se dirija e fale da Maddie.
Puta que pariu a miúda e todos os que não aguentam estar dez minutos seguidos sem atirar para o ar teorias estúpidas sobre o seu desparecimento.

7.9.07

Pavarotti - Nessun Dorma

Que ele era grande, era. E isso acho que é inegável. Mas, quanto a mim, o maior mérito de Luciano Pavarotti foi o de te ter tornado a ópera e a música clássica acessíveis a todos sem receio de chocar as mentes mais eruditas e fechadas do meio. Só por isso merece toda a minha consideração.
E o Nessun Dorma arrepia. Muito.

Às vezes que acho que sou parvo de mais e que gostaria de ser mais sério um bocadinho. Outras penso que se vivesse a vida sem tanto sorriso tonto isto seria uma grande chatice. E nos entretantos vou procurando o equilíbrio sem, no entanto, o encontrar. Por esses caminhos vou-me cruzando com gente que me atura e pensando se o fazem porque fica sempre bem dar bola a um maluco ou porque têm realmente consideração por mim.
Alguém me recomenda um bom psiquiatra ou acham que se mudar muito deixo de ser quem sou e passo a ser alguém que não se conhece?
Agora tem-me dado para encontrar as pessoas mais improváveis, nos locais mais improváveis a horas mais improváveis ainda.
Ou o destino me está a querer dizer qualquer coisa que ainda não entendi o que é, ou então são mesmo coincidências.
Prefiro acreditar nesta última possibilidade.

5.9.07


Um calor de mais de trinta graus, roupa colada ao corpo, uma auto-estrada a ferver quase no meio da montanha, rotundas a perder de vista e sem sentido que provocam irritação e ligeiros enjoos, caminhos de terra batida feitos num belo de um Fiat Punto, inversões de marcha e manobras arriscadas em terreno no meio do nada, textos enviados de um tasco onde o volume da televisão era superior ao das colunas de uma discoteca, estradas municipais em que o mato entrava pavimento dentro, um carro cheio de moscas, cães que o perseguem e pessoas que só dizem aquilo que não queremos ouvir.
Vida de camionista tem destas coisas...
Quem me dera ser escriba.

3.9.07

U2 - One

Dei por mim a ouvir a ‘One’ de novo ao fim de tanto tempo. E não que até cheguei a arrepiar-me como me arrepiava dantes? Pensava eu que já não sabia a letra e cantei-a do princípio ao fim. Para mim, claro, que não passo vergonhas em público. Gosto particularmente deste videoclip gravado em Berlim, com os velhinhos Trabant em plano de destaque. E eu que estive quase a conduzir um e só não o fiz porque sou mais desconfiado que o pior dos desconfiados. Agora arrependo-me...
Mas que isto é bonito é, não venham cá dizer-me que ando lamechas.

2.9.07

Radiohead - Bullet Proof ... I Wish I Was

Mais outra que me deixa para lá de mim. Do mesmo álbum, The Bends, da fabulosa Fake Plastic Trees. Esta não lhe fica atrás, pelo contrário, anda uns passinhos à frente na minha escala de preferência (escala de preferência é bom e nunca tinha escrito).

Obs: o vídeo não é o oficial porque, vá lá saber-se porquê, o respectivo proprietário não o deixa blogar (mais uma virgem para mim, isto hoje está a correr bem).

Devo ter sido o único portuense que não assistiu ao vivo à corrida de aviões organizada, ou patrocinada, pela Red Bull. Para passar uma tarde rodeado de multidão a um fim-de-semana mais valia ter ido para a praia ou tomar café junto ao mar. Ou então a um centro comercial. Mas ainda tenho amor próprio. Por isso, fiquei em casa a preguiçar. Não leventei encontrões, evitei uma insolação, ouvi música, dormi, espreguicei-me bastante, cuidei do gato, bebi uma cerveja ou outra, joguei Football Manager, falei tranquilamente ao telemóvel com uns amigos, passei pela internet, revi um filme que adoro (Malena), pensei em ti e ainda me dei ao trabalho de cozinhar aquilo que deveria ter sido uma bela massa com cogumelos e atum, que por acaso não saiu lá muito bem – o que vale é tenho sempre fruta em casa para compensar tragédias culinárias.
Um dia bem mais produtivo.

31.8.07

Jeff Buckley - Lover , You Should've Come Over

Aqui está outra das melhores mousses de maracujá que jamais absorvi. Especialmente porque é um pequeno resumo do ponto em quem está a minha vida – “too young to hold on and too old to just break free and run” – do que foi o meu passado mais pessimista – “sometimes a man must awake to find that really, he has no-one” – e daquilo que um dia vou segredar à mulher que gostaria de fazer feliz – “my kingdom for a kiss upon her shoulder”, “all my riches for her smiles when I slept so soft against her”, “all my blood for the sweetness of her laughter”, “she’s the tear that hangs inside my soul forever”. Sim, que ainda acredito nessas coisas do amor, apesar de tudo.

30.8.07

Radiohead - Fake Plastic Trees

Eis algo que me deixa como que ligeiramente perto de atingir um orgasmo. Aliás, a partir de agora vou passar a colocar aqui todos os temas que me provocam tal estado emocional. Não é que os que ‘postei’ até agora não mexam muito comigo, mas adicionarei só aqueles que me fazem passar para lá da normalidade. Pensei até baptizar a rubrica, o que eu gosto de rubricas, mas não me lembrei de um nome menos óbvio do que: "as músicas da minha vida", que é parolo que chegue. Por isso, decidi-me por "As melhores mousses de maracujá que jamais absorvi". É estúpido, eu sei, mas eu também sou um bocadinho. Fica a homenagem à minha sobremesa favorita. Eis a primeira.


A única vantagem da passagem da Red Bull Air Race pelo Porto é que o movimento anormal de aviões pelos céus da cidade fez, oh milagre (!), com que as pombas emigrassem para outras paragens. O que é bom para alguém como eu, que gosta de estar sentado numa esplanada sem pensar constantemente que um eventual bombardeadamento dessas aves irritantes pode acertar em cheio na minha pessoa. Pardais ainda tolero, merdita apenas, agora pombas só ao tiro. Além disso, nódoas de coliformes de tal espécie são mais difícieis de sair que gordura sebosa. Bem, é certo que levar com um avião na cabeça também não deve ser agradável. Mas, pelo menos, não deixa manchas na roupa.

29.8.07

Mariza - Há uma música do povo

Arrebatador!!! É só isto que me apraz dizer do concerto da (grande) Mariza a que tive a sorte de assistir. Pena o som não ser grande coisa. Mas ela é muuuito boa ao vivo. Prova disso foi ter subido três vezes ao palco para se despedir do público e ter sido aplaudida outras tantas de pé durante quase dez minutos. Quer dizer muita coisa, não quer?

Há uma musica do Povo,
Nem sei dizer se é um Fado –
Que ouvindo-a há um ritmo novo
No ser que tenho guardado…

Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser…
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver…

Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção…
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração…

Sou uma emoção estrangeira,
Um erro de sonho ido…
Canto de qualquer maneira
E acabo com um sentido!

(poema de Fernando Pessoa)

27.8.07


Finalmente, vou ver um concerto da Mariza. Uma senhora. Tenho a certeza absoluta que me vou arrepiar. Mas de arrepios destes eu gosto. Aliás, adoro. Venham eles que estou já ansioso. Então quando ela libertar daquela voz quente e potente temas como "Chuva", "Gente da Minha Terra" ou o "Menino do Bairro Negro" aí acho é que vou desmaiar. Ou então saltar para o palco só para a abraçar e agradecer-lhe as tantas alegrias que já me deu ao ouvi-la. Uma senhora, repito. Amanhã conto como foi. Se já não estiver catatónico.
Pareço uma gaja a falar do Robbie Williams, não pareço?
Vou plagiar-te mais uma vez, Rute. Se bem que desta vez partilhamos isto a meias. Ah, e eu é que agradeço a magnífica conversa sobre essa força superior que só nós conhecemos. Por essas e por outras é que um privilégio ser teu Amigo. Quando tiveres que enfrentar de novo o Carvalhas, já sabes com quem podes contar. E não só.
Cá vai a posta do teu berloque:


"Uma bela conversa a meio da tarde no msn sobre essa coisa tão séria que é Deus. Ou deus. Obrigada, Pedro.

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
falando a sério, acho q entrei numa fase em q procuro orientação nesse sentido.... sou agnóstico e n sei em q raio de força superior hei-de acreditar

Rute diz:
acredita em mim. eu sou de confiança

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
deusa rute?

Rute diz:
menina rute está bom. por ser para ti, Rute

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
obg. chamar-te deusa era chato....

Rute diz:
falando a sério. (vais começar tu a avacalhar)

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
n vou, chuta

Rute diz:
eu tive uma educação católica, tive que levar com a treta das missas ao domingo quando andava na catequese

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
tb passei por isso

Rute diz:
ia para a catequese porque os amigalhaços eram porreiros e as festas de Natal eram fexes

Rute diz:
fiz a catequese por isso. se me perguntares o que aprendi: NADA. não me lembro de um único ensinamento. sobre essa força superior, eu sinto que ela existe. não sinto que seja um Deus do antigo testamento, um Deus castigador. acredito que há uma força boa que me move e que me guia. e consegui atingir um estágio bom na minha vida e que me tranquiliza que é saber que o que acontece tem que acontecer. não vale a pena o: "e se eu tivesse ido por ali". não, era este o caminho que eu tinha que seguir, era isto que tinha que acontecer.nada de padres, nem religiões, nem seitas, nem medalhas ou pulseiras com santos

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
eu tb andei na catequese e confesso q n aprendi nada.. aquilo era tudo imposto. dps passei por uma fase em q n acreditava em absolutamente nada...até q cheguei à conclusão q devo ser agnóstico.... n acredito em deus, mas n excluo a possibilidade da existencia de uma força superior. agora só gostava de perceber qual é essa força.

Rute diz:
não sei. chama-lhe Deus. mas chama-lhe o teu Deus que te pôs numa família boa, que te tornou uma pessoa boa, cheia de bons adjectivos. sei lá. deixa-o estar lá. eu não preciso muito dele, mas não o mando embora. está num cantinho da minha mercearia mental.

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
é um bocado como eu.. só n sei se lhe chamarei deus. mas é como tu dizes... n preciso mto dele mas n o excluo

Rute diz:
é como o cremor tártaro ou o bicarbonato de sódio. compro porque de vez em quando faço sconnes. dá-me confiança saber que o tenho lá.

Pedro (sem tempo nem paciência para escrever mensagens estúpidas neste espaço) diz:
é como eu com o chá de menta"
Posso só escrever qualquer coisa para ver se isto ainda funciona? Obrigado, volto já. Quem vier atrás que feche a porta e não se esqueça de limpar os pés antes de entrar em casa, ok?
Por falar em ok, houve uma certa pessoa, por acaso (ou talvez não) especial para mim, que perguntou por que utilizava tantas vezes esta expressão. Ora aí está um belo assunto para me debruçar. Não posso é dobrar-me muito porque senão ficam a doer-me as costas. Prometo que um dia te digo porquê. Mas só pessoalmente, seja para a semana ou daqui a anos. Isto e muito mais, algumas coisas sabes bem o quê. Entretanto vamos falando, que só a tua voz me faz sentir como não sentia há muito. És uma querida.
Ah, e nunca te esqueças daquilo que não me canso de te repetir. Aluada.
Enfim, delírios...

23.8.07

Estou a fazer um esforço de memória para me recordar onde estava exactamente nesta altura do ano em anos anteriores. O ano passado devia estar a trabalhar, há dois regressava de uma magnífica viagem que me levou a Praga e Viena, há três começava a perceber que o meu casamento não tinha volta a dar, há quatro talvez na ilha de Maiorca naquela praia espectacular em Port Colon (acho que se escreve assim, que me perdoem os puristas se não for), há cinco não me recordo, há seis também não, há sete muito menos, há dez menos ainda e há quinze não estou a ver.
Ou é Alzheimer ou o meu cérebro já não é o que era.
E voltei a esquecer-me onde coloquei o fósforo, o que é uma chatice.

Anda meio Portugal embeiçado por esta mulher ainda não percebi bem porquê. É feia, digo eu, mesmo correndo o risco vir a ser acusado de ser gay. E não tem classe, pelo contrário: o ar dela varia entre o de uma peixeira com o buço mal rapado e o de uma burra ingénua a quem só falta ser loura. Além disso, os seios são desproporcionais ao resto do corpo, problema, aliás, que aflige grande parte das portuguesas e que daria um bom tema de discussão. Mas agora não tenho tempo.


Pronto, ficou a minha opinião sobre a Soraia Chaves. Vou continuar a sonhar com o Paulo Pires.

22.8.07

Eu juro que gostaria de colocar na barra lateral deste antro de estupidez os links dos blogues dos meus amigos. Mas não consigo atinar com a porra das definições. Se alguém me puder explicar uma forma simples de o fazer, por favor diga algo. Agradecido.

Entretanto, e já que depois de umas 15 tentativas não consegui adiconar vossas excelências, cá ficam os locais onde costumo ir pescar os desabafos de quem tem paciência, e muita, para levar comigo. E de quem sei que me costuma visitar regularmente e confirmar, se é que era preciso, que realmente sou um tipo que muito desgosto deve dar à mãezinha por ter juízo a menos e parvoíce a mais.

Obrigado Natacha, Rute (o teu Capuchinho Vermelho não está linkado porque insistes em fechar as portas do dito ao povão e apenas forneces cartão de entrada a burgueses privilegiados como eu), Mar, João, Filinto, Jorge, Miguel...

Aos restantes companheiros, camaradas, palhaços que não alinham na blogosfera e que de vez em quando aqui vêm espreitar, que serão alguns, desejo também um grande bem-haja, acompanhado de um abraço forte, um beijinho na testa (só na caso das senhoras) e de um copo de vinho tinto. Ou de gin tónico, como prefiram.

Merecem todos um prémio por me aturar. Mas aviso já que não pago jantares a ninguém...

21.8.07

Vanessa da Mata - Não me deixe só

Gosto muito desta menina, que acaba de lançar o terceiro CD, "Sim". Pena ter tido a ideia de partilhar uma canção com o Ben Harper – há dias em que não tenho paciência para o homem e hoje é um deles. A minha favorita (Fugiu com a Novela) ainda não está disponivel pelo que fica uma coisinha do trabalho de estreia, pelo qual me apaixonei mal o ouvi pela primeira vez. A relação continua intensa, aliás. Assim pudesse ser com as mulheres...

17.8.07

Cat Power - The Greatest

Isto é tão bom, tão bom, tão bom, que me dá vontade de chorar. Fico sempre arrepiado quando ouço esta preciosidade. A sério, é mesmo admirável, do melhor que fiquei a conhecer ultimamente. Porra, que já estou com pele de galinha...

Elvis Presley morreu há 30 anos. Uma pena não ter perecido logo à nascença, digo eu. Evitar-se-iam muitas figuras tristes, dele e dos fãs.
Lembro-me que quando andava na escola secundária, aí pelo sétimo ou oitavo ano, tive uma colega que era fã do homem. Tinha tudo o que a poderia fazer recordar o senhor, excepto as patilhas. Se bem que para lá caminhava dada a algo elevada pelugem facial que exibia para o género.
Há uns anos soube que ela se tinha metido na droga, coisas pesadas. Não fiquei surpreendido. Ninguém sai imune a um passado de idolatria a tão viscosa personagem. Eu próprio tenho a certeza que hoje daria na heroína se alguma vez tivesse sido admirador do Elvis. Porque há memórias que nos envergonham demasiado e nos fazem querer partir para outro mundo e por lá andar constantemente tanta a vergonha de enfrentar este.
Rute, com o teu devido consentimento, que não sou gajo de andar para aqui a plagiar prosa alheia, passo a reproduzir o belo do post que escreveste sobre mulheres que adoram humilhar os companheiros em público.
Obrigado, és uma santa. E esquece as caixas de vinho que te impingi por transcreveres o meu outro post, ao menos que tenha servido de pretexto para reveres o "Antes do Anoitecer". Depois pagas-me as próximas férias e fica o assunto encerrado. Amigos na mesma.

Irritam-me as mulheres que escolhem estrategicamente os almoços e jantares de família ou de amigos para dizer à frente de todos que “hoje não há nada para ninguém” ou “olha que vais dormir no sofá”. Gostava tanto que os maridos destas senhoras, em vez do silêncio, se irassem e lhes respondessem à altura com qualquer coisa como: “Ah sim? Que novidade! Mas fica sabendo que no sofá é que eu não durmo. Puta por puta vou à procura de outra que admita que o é, e que, ainda por cima, saiba fazer bicos.”Adoraria.

Assino por baixo...

16.8.07

Pixies-Wave of Mutilation

E por falar em recordações... Esta não me sai da cabeça nem dos ouvidos já lá vão quase 15 anos.


Há exactamente um mês iniciava as minhas gloriosas férias. Parece que foi ontem, o que quer dizer que os dias têm avançado pasmacentos e iguais uns ao outros.
Duas semanas em que descobri gente, lugares, espaços, cheiros e olhares novos e diferentes que ficaram agarrados à minha memória e por lá prentendo que continuem por muito tempo. Porque não há fotos e escritos que substituam tudo isso; só o que tenho dentro de mim sabe como foram bons aqueles momentos.
Foi também a oportunidade de me conhecer melhor, de redescobrir o que julgava perdido, de definir objectivos e até de me reconciliar comigo mesmo em alguns aspectos.
Resumindo, o que faz bem passa depressa e deixa cicatrizes.
Seja o que for.


Obs: Esta é a vista da esplanada do bar onde fui bem feliz. Tallinn, a dois minutos a pé do centro da cidade.

15.8.07

"O senhor condutor bebeu alguma coisa nas últimas horas?"
"Nada"
"Fumou haxixe, liamba ou algo do género?"
"Zero"
"Nem uma passita num charro?"
"Não gosto"
"Um cheiro numa linha?"
"Sou alérgico"
"LSD, ecstasy...?"
"Também não"
"Importa-se que lhe faça o teste com o novo e magnífico detector de drogas que temos agora ao nosso dispor?"
"À vontade"

Cinco minutos depois:

"Realmente está limpinho, está"
"Não lhe disse?"
"Então pode seguir à vontade. Até porque tem de fugir do elefante cor-de-rosa antes que ele o apanhe e o desfaça em pedacinhos. E tenha também cuidado com o leopardo gigante que está atrás de si. Boa noite, senhor condutor. Siga com precaução."

14.8.07

Mal acordo, procuro desesperadamente música para ouvir. Desperta-me os sentidos e faz-me sentir bem. Hoje foi esta a primeira do dia. Melhor que um banho quente e a garantia de que nada irá estragar-me a disposição durante o dia.

13.8.07

Hoje, 13, é o Dia Mundial dos Canhotos, o meu dia, portanto. Fico extremamente sensibilizado pela parte que me toca, esquerdino que sou. Só não saio nu à rua para soltar o contentamento que me assalta porque tenho decoro.
Aproveitando a data, deixo um recado aos que insistem em achar que sou um coitadinho por não utilizar a mão direita para realizar grande parte das tarefas manuais: ide àquela parte e não me consumam a cabeça com tais imbecilidades. Ou como dizem os brasileiros, e deixem-me ser malcriado, vão tomar no cu.
Obrigado e vivam os canhotos, nem que seja por um dia.

Já agora, apresento uma lista de vários canhotos famosos que comigo compartilham, ou compartilharam, esta particularidade física que aflige tanta gente sem razão aparente:

Albert Einstein
Ayrton Senna
Bill Clinton
Bill Gates
Charles Chaplin
Diego Armando Maradona
Friedrich Wilhelm Nietzche
Isaac Newton
Jerry Seinfeld
Jimi Hendrix
Kurt Cobain
Leonardo da Vinci
Ludwig van Beethoven
Nicole Kidman (se alguma vez quiseres desabafar-me as agruras de ser canhota é só dizeres, minha querida)
Oprah Winfrey

12.8.07

Regina Spektor - Hotel Song (live)

Mais uma da menina, das minhas favoritas. Ver aquele sorriso até dói de tão bom.

Regina Spektor

Ela é linda e canta deliciosamente. Regina, és uma querida, nem sabes o bem que me fazes.

Socorro, que acho que estou a ficar senil: acabou de me atravessar a ideia de ir ao IKEA a um domingo à tarde. O que vale é que passou rápido, dois ansiolíticos debaixo da língua fazem milagres.
Acho que vou à praia, deve estar calminho...

11.8.07

Cá vai outra preciosidade da poetisa (?) que me tem enchido as medidas nos últimos tempos. No poema que passo a transcrever, destaco a subtileza que dele transparece. A começar pelo título: Brincadeiras da Rata.
Sustenham a respiração e concentrem-se nas palavras:

"A rata macabra
Macaca cabra
Chama o Zé
Entorta-se zangada
Barra-lhe a entrada
O Zé quer vê-la morta.

Tonto não sabe onde mora
Exige que alguém o namore

Pede à mão que sem pressa
Firme lhe bata com calma
Tenso, que bela peça
Embrulhado na doce palma
Que o amolece e acalma"

Literatura do mais alto nível, caramba. Estou a modos que a chorar de tão feliz por poder partilhar tamanha peça de qualidade.

Cansei de Ser Sexy - Acho um Pouco Bom

Olha os moços ao vivo em Lisboa, olha. Olha os moços em Paredes de Coura e eu a trabalhar, olha. Olha a besta que eu sou por não ter pedido uma folga para os ir ver, olha.

10.8.07

Ofereceram-me, na brincadeira, um livro de poesia que, de tão ridículo, serviu para me rir até às lágrimas, quase literalmente, durante uma recente jantarada, a tal em que quis ir às trombas do empregado mal educado. Não fiz a figura triste de me atirar para o chão como aquando daquela bela sessão de leitura dos escritos dos reclusos da prisão de Izeda, quando me rebolei ao ouvir ler os relatos sobre as respectivas solidões masturbatórias. Mas quase.
Ora, a obra em causa é de uma senhora que dedica pouco mais de cem páginas a transformar em suposta arte todo um vasto rol de temas sexuais. Eu diria que aquilo começa nas preliminares e termina no orgasmo, com muita estupidez pelo meio.
O que mais me impressionou na autora, pelo seu arrojo literário, foi o ter incluído num dos seus poemas uma palavra que penso nunca havia sido antes utilizada na longa e rica história da poesia portuguesa: beiços. Isso mesmo, beiços, esse termo tão carinhoso, terno, que me apetece soltar sempre que tenho uma noite romântica com uma mulher. Haverá algo mais bonito do que dizer: "quero beijar os teus beiços?". Se houver, alguém que me diga.
Eis um excerto do poema no qual me deparei com tão curioso vocábulo:

"E pego-te então
Aperto-to na mão
Que o segue até ao topo
Cabeça de cereja avermelhada
Não to largo, não te perco
Vagueio com a língua molhada
De saliva misturada com teu húmus
Com jeito másculo pedes-me
O que te dou com os beiços"

Ora aí está uma bela descrição de um fellatio. Ou de um bobó, como tanto gosto de ouvir dizer. Também gosto de mamada, mas isso era conspurcar este belo momento. Depois de ler a palavra beiços, não tenho vontade de violentar a nossa língua com calão tão boçal.
Agradeço a sinceridade de todos, e foram muitos, os que disseram que fico melhor sem do que com barba. Mas continuo a não estar convencido.
Primeiro, porque parece que não me conheço.
Segundo, porque o meu rosto parece agora de um puto acabado de desmamar. E gordo. Ia escrever rabinho de bebé, mas arrependi-me.
Terceiro, porque fiz um corte junto ao lábio que, além de doloroso, não beneficia a minha aparência.
O que vale é que isto volta a crescer depressa.
Não deixa de ser curioso que o stock de cerveja aumentou consideravelmente em minha casa agora que o futebol a sério vai começar outra vez. Isto de ser homem e morar sozinho tem as suas vantagens. Pelo menos, posso guardá-las facilmente no frigorífico sem partilhar o seu espaço com coisas típicas de mulher como pacotes de sumo de fruta cem por cento natural, iogurtes de fibras que facilitam a regulação intestinal ou montes de folhas de alface e outros vegetais.
Já agora fica uma sugestão: se alguém me oferecer um grelhador em condições, talvez passe a fazer uma churrascada em dias de jogo.
Bem, vou comprar amendoins e cajú, imprescindíveis.
Viva o FC Porto!

Nick Cave - Far From Me

Gosto tanto...

"I would talk to you of all matter of things
With a smile you would reply
Then the sun would leave your pretty face
And you'd retreat from the front of your eyes
I keep hearing that you're doing best
I hope your heart beats happy in your infant breast
You are so far from me
Far from me
Far from me"

Dá para arrepiar, não dá? Ou eu é que ando esquisito?

Não é que seja um moço com maus modos, que não sou e quem me conhece bem sabe isso perfeitamente. Mas se há coisa que detesto é ser mal atendido num sítio público. Por isso, hoje apeteceu-me espancar o empregado do restaurante onde teimo ir frequentemente apesar de, geralmente, sofrer na pele a má disposição e educação de quem lá serve à mesa. Espancar não, era torturá-lo dias a fio, tipo arrancar-lhe as unhas dos pés com uma pinça ou espetar-lhe um ferro em brasa nas costas.
Para ver o cúmulo a que chegou a incompetência, basta dizer que o senhor em causa deixou uma garrafa de água por abrir em cima da mesa e quando lhe pedi, uns cinco minutos depois, que fizesse o favor de lhe retirar a tampa, respondeu: "Ai é para abrir?". "Convém...", disse-lhe eu com calma mas com uma vontade do tamanho do mundo de lhe espetar dois socos no focinho. A sorte é que sou, como alguns dizem, um São Bernardo em versão humana.